Simulacros da originalidade

Iznogoud

Acontece-me conversar com o Grão-Vizir Iznogoud, figura criada por René Goscinny e Jean Tabary, em 1962. Maligno, ávido de poder, Iznogoud sonha “em ser califa no lugar do califa”. Gosto de o visitar quando me acodem dúvidas incómodas aos neurónios.

Albertino: – Grão-Vizir, estive a pensar em vários intelectuais originais, com investigação, obra e escrita própria. Todos ignorados ou esquecidos. Em contrapartida, multiplicam-se os pirilampos que ofuscam a luz do Sol…

Iznogoud: – As pessoas não buscam a diferença, mas a referência. Seguem e são seguidas, transportando máscaras amplificadoras. As encruzilhadas causam-lhes confusão e os descarrilamentos pânico. Estão cansadas de profetas, preferem missionários e exegetas. As pessoas esperam que lhes aparem a relva, que as atualizem, mas não as flores, certezas tão delicadas. Se aspiras ser original, aconselho-te que te contentes com o simulacro. O original é um intruso impertinente e ´perturbador. O original é pó e em pó se tornará. Um cisco efémero no canto da inteligência.

O Grão-Vizir Iznogoud é assim: cínico, crítico e desagradável. Pelo menos, não é como o diabo. Não nos diz o que queremos ouvir.

Seguem imagens de alguns álbuns de Iznogoud. Só para recordar. Sobre Iznogoud ver, em português: http://colecionadordebd.blogspot.pt/2012/07/iznogoud.html.

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