E se?
Se as palavras se calassem, o silêncio seria mais profundo.
Marca: Sasol. Título: Puppet. Agência: The Jupiter Drawing Room (Johannesburg). Direção: Keith Rose. República da África do Sul, 2007.
Salada de imagens publicitárias
Luerzer’s Archive é um serviço online com bases de dados de imagens (fotografias, vídeos, design, prints, anúncios…). As colectâneas constam entre os seus principais produtos. Este vídeo é composto por uma mistura de sequências de anúncios publicitários do realizador Jonathan Glazer, nome que também está ligado à produção de filmes (Sexy Beast, Birth, Under the skin) e vídeos musicais (Massive Attack, Blur, Radiohead, Jamiroquai, Nick Cave, entre outros).
David e Golias
As mulheres e as estátuas andam esquisitas. Mas quem não anda? Quem resiste? Nem o Golias do David. Ainda menos com esta música.
Marca: LM Women. Título: Hard to Resist You. Agência: McCann Erickson Tel Aviv. Direcção: Guy Sagy. Israel, 2010 (?)
Desgravitar: Sem Conta, Peso e Medida
Para quem se interesse pelo tópico da ausência de gravidade, os grotescos dos séculos XV e XVI oferecem uma extensa galeria de criaturas dispostas, fora de órbita, em todos os sentidos. Os grotescos não respeitam a gravidade, tal como não respeitam outros princípios do ordenamento do mundo, o que lhes valeu uma intolerância crescente por parte da Igreja. Francisco de Holanda foi um dos artistas que intercederam a favor dos grotescos. Tem, aliás, gravuras que namoram esta maneira fantástica de pintar (ver figura 13). Os grotescos treparam pelas paredes e pelos tectos dos séculos XV e XVI. Cobriram a Galleria degli Uffizi e o Palazzo Vechio, em Florença, assim como as loggie e a biblioteca do Vaticano em Roma.
Esta propensão para desgravitar não é apanágio de nenhum período histórico. A ausência de gravidade representa uma forma de relação do homem com o mundo e com a vida. E as formas de relação do homem com o mundo tendem a ser da idade da própria humanidade. A febre renascentista pelos grotescos foi desencadeada pela descoberta, em 1480, de figuras insólitas nas ruínas da Domus Aurea, o palácio que Nero mandou edificar após o célebre incêndio de Roma. Em suma, estas criaturas sem conta, nem peso, nem medida, remontam, pelo menos, ao primeiro século da era cristã. Eis uma história que fica para contar noutra ocasião. Nota: quase todas as fotografias constantes na galeria têm alta resolução, o que permite um bom visionamento dos pormenores.
- Fig 1. Uffizi. Galeria. Florença.
- Fig 2. Uffizi. Galeria. Tecto.
- Fig 3.Grotesco. Antonio Tempesta. Uffizi. 1579-80
- Fig 4. Grotescos. Antonio Tempesta. Uffizi.1579-80. Pormenor
- Fig 5. Uffizi .Tecto.
- Fig 6. Uffizi. Tecto
- Fig 7. Palazzo Vecchio
- Fig 8. Palazzo Vecchio. Detalhe de coluna e tecto
- Fig 9. Palazzo Vecchio
- Fig 10. Loggia de Rafael. Vaticano. 1518-19
- Fig 11. Giovanni da Udine. Loggia de Rafael. Vaticano. 1517-19
- Fig 12. Biblioteca do Vaticano
- Fig 13. Francisco de Holanda. Da Pintura Antiga. 1548
A agenda económica ou a história do burro do Ronha
A versão original deste texto foi publicada no jornal ComUm online: http://comumonline.com/opiniao/item/640-a-agenda-economica-ou-a-historia-do-burro-do-ronha.
A AGENDA ECONÓMICA OU A HISTÓRIA DO BURRO DO RONHA
No que respeita a assuntos económicos não sou pessoa entendida, sou, apenas, pessoa atingida. Todos falam em colocar a economia na agenda: presidência, governo, oposição, comentadores e parceiros sociais. Quem diz economia subentende crescimento económico.
O crescimento económico e o equilíbrio financeiro são faces da mesma moeda. Entre ambos existe uma tensão. A esta, Portugal acrescenta aquela que existe entre o Estado e o sector financeiro. Algemados, nem sempre puxam para o mesmo lado. Cresceram excessivamente nas últimas décadas, à custa de sectores como a indústria ou a agricultura. É possível imaginá-los sentados num sobe e desce: ora engordas tu, ora engordo eu. De momento, o Estado carece emagrecer e a finança engordar (ver as caricaturas de Celeste Semanas e José Manuel Costa, alunos do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura).
Como colocar a economia na agenda? O passado não é exemplo. O Estado não pode continuar a promover o investimento público para empregar empresas. Corre-se o risco de nem desenvolver o País nem modernizar as empresas. Falando à moda do Velho do Restelo, é uma política “consumidora conhecida de fazendas, de reinos e de impérios!”
As discussões que envolvem economistas e políticos tendem a ser controversas. Mas pronuncie-se a palavra competitividade e logo Moisés desce da montanha para instaurar uma comunhão de intelectos. A competitividade é o ponto G da reflexão económica e, desgraçadamente, o talão de Aquiles da economia portuguesa.
Que fazer? Para variar, pode-se começar pelo básico: evitar que uma empresa portuguesa qualquer seja, logo à partida, só porque é portuguesa, menos competitiva do que as suas concorrentes estrangeiras.
A factura energética é decisiva para as empresas: em Portugal, a electricidade e os combustíveis constam entre os mais caros da Europa. Por sinal, consta que a Troika se mostrou chocada com os lucros de empresas como a Galp ou a EDP.
Os transportes são uma necessidade para as empresas. Os combustíveis, as auto-estradas, os portos e os aeroportos estão entre os mais caros da Europa. Esta desvantagem competitiva piorou com a introdução das portagens nas SCUT. Neste capítulo, andámos para trás.
O financiamento é o principal problema das empresas. Em Portugal, o acesso ao crédito é mais difícil, mais moroso e mais caro do que nos países parceiros da Europa. O mesmo acontece com os seguros de crédito.
A justiça é incontornável para as empresas. Algumas até têm um serviço jurídico. A justiça é escandalosamente lenta e incompreensivelmente imprevisível. Há quem sustente que o estado da nossa Justiça é o principal repelente de investimento estrangeiro. É, também, um peso morto do investimento nacional. Como pode a cobrança de uma dívida ser uma via sacra? Há empresas que vão à falência não só porque não conseguem pagar as dívidas mas também porque não as conseguiram cobrar.
O entorno também faz diferença. É o caso da acessibilidade, qualidade e custo dos bens e serviços disponíveis na proximidade. Mas é, também o caso, da economia paralela, exorbitante em Portugal. Empresas multinacionais deslocalizaram-se para o estrangeiro alegando problemas de entorno.
De taxas e de impostos, o melhor é não falar para os não espevitar.
Estes custos de contexto corroem a competitividade das empresas portuguesas. António Saraiva, Presidente da Confederação de Portugal, classifica-os como “pedregulhos na estrada do crescimento”. Às vezes, parece que permanecem adormecidos na agenda política. A Troika calendarizou intervenções nestas áreas, incluindo a justiça. O governo tem vindo a adiá-las. Talvez esteja em fase de aquecimento. Só que, enquanto o governo aquece, o País arrefece.
Os recursos humanos são das poucas rubricas favoráveis à competitividade das empresas portuguesas. Não pela organização ou pela qualificação, mas pelos baixos salários. Por aqui começou a tesoura do “ajustamento”. Cortes nos vencimentos; cortes nos direitos. Com efeitos arriscados ao nível do crescimento económico. À falta de melhor, raspa-se o tacho dos trabalhadores, privados e da função pública. Este raspar lembra-me a história do burro do Ronha. Ronha era um agricultor que tinha um burro. Acudiu-lhe um dia que se o burro não comesse lucrava mais. Desabituou o burro de comer. Por azar, o burro, mal se desabituou de comer, morreu! Os portugueses ainda não morrem, mas emigram!
Estimo o actual governo convicto e decidido. Menos pelo que fez e mais pelo que promete. Não é preciso ser-se hercúleo para cortar subsídios, apagar feriados ou reduzir indemnizações. Coragem não é vergar os fracos, embora sejam muitos; coragem é enfrentar os fortes, embora sejam poucos.
Congelar gorduras teimosas
Enfim, uma boa notícia num anúncio que não é do Superbowl. Cientistas de Harvard desenvolveram um procedimento para congelar células gordas. Portugal tem protocolo com Harvard na área da saúde. Enviem-nos esse congelador de gorduras teimosas para o aplicar ao Estado Português. Salvaremos algumas das nossas pequenas gorduras formosas.
“Here’s the skinny: developed by Harvard scientists, our unique, patented, clinically proven procedure involves freezing fat cells without damage to your skin. There’s no knife. No suction hoses. No needles. No lasers, even. After your treatment, you get on with your busy day” (http://coolsculpting.com/heres-the-skinny/).
Anunciante: Zeltiq. Título: Say Goodbye to Stubborn Fat. Agência: Cutwater Interrogate. Direcção: Jeff Labbe. EUA, Fevereiro 2012.
Perdido em movimento
A dança também é uma forma de desafiar a gravidade, pelo menos, de vez em quando. É um voo sem asas, um perder-se para se sentir. Faz parte do gesto que se solta.
Anunciante: National Ballet of Canada. Título: Lost in Motion. Agência: Krystal Lew Pictures. Direcção: Ben Shirinian. Coreógrafo/baillarino: Guillaume Côté. Canadá, Fevereiro 2012.
Celebridades aos saltos
Tenho vindo a investigar, nomeadamente ao nível da arte, dos vídeos musicais e da publicidade, figuras como o grotesco, a dobra, o fragmento ou a construção de um olhar impossível. Neste momento, namoro a figura da ausência de gravidade, ou, simplificando, da levitação, confrontando os imaginários medieval e actual. Será que a ausência de gravidade é, na actualidade, uma figura obsessiva? Em que se assemelha e em que se distingue de outras épocas?
A fotografia é uma das artes em que a apetência pela levitação se evidencia. Como? Multiplicando, por exemplo, os planos de gravidade (foto de Jean Cocteau) ou surpreendendo as pessoas e os objectos em momentos de suspensão (Dali Atomicus).
A Jumpology do fotógrafo Philippe Halsman (1906-1979) é um bom exemplo teórico e prático da procura da não gravidade. De origem russa, Philippe Halsman foi um dos mais eminentes, criativos e originais fotógrafos do século XX. No início dos anos 1950, fotografou, para a NBC, vedetas do cinema. Captou algumas enquanto saltavam, retomando uma experiência empreendida com Salvador Dali . Seguiram-se centenas de fotografias. Esta “jumpology” está na origem do livro Philippe Halsman’s Jump Book, publicado em 1959, que inclui 178 fotografias com saltos de celebridades, tais como Salvador Dali, Richard Nixon, Marilyn Monroe, Groucho Marx, Sophia Loren, Audrey Hepburn, Brigitte Bardot, Jean Cocteau, Jacques Tati, Dean Martin, Jerry L. Lewis…
- Philippe Halsman. Jean Cocteau
- Philippe Halsman. Dali Atomicus
- Philippe Halsman. Salvador Dali 2
- Philippe Halsman. Professor J. Robert Oppenheimer
- Philippe Halsman. Prof. J. Oppenheimer
- Philippe Halsman. Grace Kelly, 1959
- Philippe Halslman. Brigitte Bardot
- Philippe Halsman. Audrey Hepburn 1
- Philippe Halsman. Audrey Hepburn
- Philippe Halsman. Jacques Tati
- Philippe Halsman. Andre Deutsch
- Philippe Halsman. Groucho Marx
- Philippe Halsman. Murray Kempton
- Philippe halsman. Eva Marie Saint
- Philippe Halsman. Lena Horne
- Philippe Halsman. Sophia Loren
- Philippe Halsman. Marilyn Monroe
- Philippe Halsman. Marilyn Monroe
- Philippe Halsman com Marilyn Monroe
- Philippe Halsman. Merce Cunningham and Martha Graham
- Philippe Halsman. Richard Nixon
- Philippe Halsman. Dean Martin & Jerry Lewis
- Philippe Halsman 1
- Philippe Halsman 2
Se o meu carro parasse!
Os homens são crianças que gostam de feiras populares e os carros são brinquedos grandes de mais para crianças. Não há como Noam Murro, um dos maiores directores de anúncios, para fazer uma conciliação.
Produto: Chevrolet Chevy. Título: Stunt Anthem. Agência: Good, Silverstein & Partners. Direcção: Noam Murro. EUA, Fevereiro 2012.
O carro é um sonho que não deixa dormir. Noam Murro mostra como (carregar na imagem para aceder ao vídeo).
Chevrolet Chevy. Aliens, come on. Good, Silverstein & Partners. Noam Murro. EUA, Fevereiro 2012.
Nem o fim do mundo pára um carro. Perguntem a Noam Murro.
Marca: Chevrolet. Chevy Silverado. Título: 2012. Agência: Goodby Silverstein & Partners, USA. Direção: Noam Murro. USA, 2012.


















































