Tag Archive | Yo-Yo Ma

Mio Violino Caro: Itzhak Perlman

Americano, nascido em Telavive em 1945, maestro, professor e cantor, Itzhak Perlman é uma referência incontornável do violino dos séculos XX e XXI. Destaca-se, entre outros aspetos, pelos lugares onde atuou e pelos prémios e galardões que conquistou. Ouvimo-lo em filmes tais como A Lista de Schindler, Fantasia 2000, África Minha ou Memórias de uma Gueixa. Uma poliomielite aos quatro anos deixou-lhe sequelas ao nível da motricidade. Toca habitualmente sentado.

Selecionei as músicas seguintes não tanto pela qualidade intrínseca da interpretação mas, no caso da primeira, pelo compositor, Camille Saint-Saëns, e das duas últimas pelos parceiros que o acompanham: Yo-Yo Ma e Daniel Barenboim, virtuosos do violoncelo e do piano.

Saint-Saëns. Introduction et Rondo Capriccioso, Op. 28. Violino: Itzhak Perlman. Ao vivo no Ed Sullivan Show, Abril d1964
Antonín Dvořák. Humoresque nº 7, Op. 101. Violino: Itzhak Perlman; violoncelo: Yo-Yo Ma. Dvořák in Prague: A Celebration, dezembro 1993
Beethoven: Triple Concerto in C Major, Op.56: II.Largo. Violino: Itzhak Perlman; violoncelo: Yo-Yo Ma; piano: Daniel Barenboim. Acompanhamento: Berliner Philharmonike.

Humoresco

Antonin Dvorak

Em regime mais solar do que lunar, com o social a sobrepor-se cada vez mais ao digital, partilho uma música bem disposta, um humoresco, “curta peça de humor e humor”. Dvorak, com Yo-Yo Ma, no violoncelo, e Itzhak Perlman, no violino.

Yo-Yo Ma & Itzhak Perlman. Humoresque No. 7 in G-flat Major, Op. 101, de Antonin Dvorak. Com a Boston Symphony Orchestra, dirigida por Seiji Ozawa.

“Japanese conductor, American orchestra, Chinese cellist, Israeli violinist, Czech composer”.

Canção de embalar

Johannes Brahms (1833-1897)

Dorme, dorme, dorme e sonha também / Conta as estrelas a caminho de Belém.

Yo-Yo Ma, Kathryn Stott – Johannes Brahms Lullaby / Wiegenlied, Op. 49, No. 4 (Arr. for Cello and Piano).

A morte saiu à rua

Triunfo e Dança da Morte. Clusone. Dornai. Séc. XV.

Triunfo e Dança da Morte. Clusone. Dornai. Séc. XV.

Os gatos têm sete vidas, mas os homens têm mais mortes. A publicidade aposta no tópico da morte. Regressa o espantalho esquelético que a todos abraça sem pudor. Uma morte louca, sinistra, próxima, digital, embalsamada no tempo.

António Sampaio. Espantalho crucificado.

António Sampaio. Espantalho crucificado.

A morte é o nosso fantasma de estimação. Somos uma sociedade mortífera, não porque se mate ou morra mais, mas porque andamos com a sombra da morte na ponta do nariz. É certo que a Idade Moderna esconjurou a morte do quotidiano, mas ela nem por isso deixa de nos dar a mão e de nos guiar como nos frisos das igrejas medievais. Na vida como no ecrã, a morte, essa assombrosa sedutora, dança, dança nos videojogos, nos anime, nos filmes, nas séries televisivas, nos telejornais, nos nossos muitos medos.

George Grosz. Exequias. Dedicado a Oskar Panizza, 1918.

George Grosz. Exequias. Dedicado a Oskar Panizza, 1918.

O anúncio The man who died the most on movies surpreende com uma avalanche de sequências de mortes. Espera-se que, graças ao cómico, a catarse aconteça: rir da morte. Mas quem costuma rir não é o homem, mas a morte, a “morte risonha”. O nosso riso desbota até ficar amarelo. A morte sai à rua, como nos quadros de James Ensor, Otto Dix ou George Grosz. A morte adora um pé de dança. Dêmos-lhe música: “A morte saiu à rua”, de José Afonso (1972) e “The Untouchables: Death Theme”, do álbum Yo-Yo Ma plays Ennio Morricone (2004).

Anunciante: French Health Department AD. Título: The man who died the most on movies. Agência: DDB, Paris. Direcção: Alexandre Hervé. França, Junho 2015.

José Afonso. A morte saiu à rua. 1972.

“The Untouchables: Death Theme”, do álbum Yo-Yo Ma plays Ennio Morricone (2004).