Cento e cinquenta mil velas
O blogue Tendências do Imaginário ultrapassou as 150 000 visualizações. Mais de mil artigos em trinta meses. As visualizações cresceram, paulatinamente, rondando, nas últimas semanas, cerca de 300 por dia. Não é bom, nem é mau, é o que se arranjou. Tendências do Imaginário é um blogue com vocação universal em língua portuguesa. O contrário de um blogue paroquial em língua estrangeira. Esta vocação universal é, de algum modo, indiciada pela proveniência geográfica das visualizações. Como se pode observar na figura 1, nos últimos 365 dias, as visualizações provêm de quase todo o globo, com particular incidência nos países lusófonos (Portugal e Brasil) e nos países com forte emigração portuguesa (França, Estados Unidos da América e Alemanha). Três em cada dez (29,3%) visualizações provêm de Portugal. Entristece-me que este blogue seja improdutivo, sem efeitos na economia do País, nem na minha. Antes pelo contrário! Muito embora… Neste momento, uma pesquisa por imagens no Google acerca da Domus Aurea, de Roma, revela que nas primeiras quarenta e quatro imagens oito são deste blogue. Terá isso efeito algum económico? E educativo? Não sei! Só perguntando aos produtores de produtivos.
À semelhança da dama do anúncio da Ferrero Rocher, apetece-me colocar algo, algo especial. Algo, ao mesmo tempo, diferente e igual. A chave para estes oxímoros costuma descansar na memória. O primeiro vídeo, um anúncio da BASF, data de finais dos anos setenta. Uma vez visto, fica a piscar no cérebro como um boneco teimoso. O segundo, The Piano, foi a primeira curta-metragem colocada no blogue Tendências do Imaginário (em 03/09/2011). Marca um estilo.
Marca: BASF. Título: Play it again John! Direção: Tony Williams. Nova Zelândia, 1979.
Música: Jean Sheppard, Dear John. Letra:
Dear John, Oh how I hate to write.
Dear John, Oh how I miss you so, tonight.
But my love for you has gone,
So I’m sending you this song.
Tonight I’m with another.
You’ll like him John,
He’s your brother.
So adieu to you forever.
Dear John.
Aidan Gibbons: The Piano. Música de Yann Tiersen.
Notas coloridas: música e animação
Bom 2016!
Nesta animação de Aidan Gibbons, com música de Yann Tiersen (“Comptine d’un autre été: l’après midi” ; Amélie, 2001), o piano e o pincel rivalizam na criação de um momento de melancolia.
A combinação da música e da animação conheceu o seu marco mais influente no filme musical animado “Fantasia” (1940), que contou com a colaboração de Salvador Dali. Dele faz parte esta Dança das Horas, de Amilcare Ponchielli, transformada numa espécie de bailado bestial.
Carregar nas imagens para aceder aos respectivos vídeos.

No caso de Fantasia, a iniciativa coube à animação. Mas também ocorre o inverso. Em 1960, The Beatles lançam o filme animado, psicadélico q.b., “Yellow Submarine”. O vídeo seguinte diz respeito à canção “Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band”.

Muitos grupos rock/pop recorreram a esta solução. Os Pink Floyd utilizavam a animação tanto nos vídeos musicais como nos espectáculos. Segue a animação criada por Gerald Scarfe para servir de fundo à música “Welcome to the machine” durante a digressão “In the Flesh” de 1977.

Extrema é a combinação da música e da animação por parte da banda Gorillaz, criada em 1998 por Damon Albarn, dos Blur, e por Jamie Hewlett, co-criador da banda desenhada “Tank girl”. A imagem pública da banda resume-se praticamente a estes vídeos musicais animados. Segue-se um dos seus vídeos mais “expressivos”: “Feel Good Inc.” (2005).

A combinação da música e da animação espalhou-se em praticamente tudo o que é multimédia, nomeadamente no cinema (a rave do Shrek 1 é inesquecível), nos anime, nos videojogos e, claro, na publicidade.

