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Chuva dissolvente

Habitat-1

Admiro a inteligência que serve o próximo, a perspicácia de quem resolve problemas. Este anúncio brasileiro aproxima-se da genialidade generosa. Avança com uma forma de reduzir a incidência das doenças associadas aos mosquitos: Dengue, Zica, Febre Amarela e Chicungunya. A Habitat Brasil cola cartazes nos locais onde a reprodução dos mosquitos é mais provável. Os cartazes são “pôsteres [de papel de arroz] educativos que se dissolvem na chuva e liberam um poderoso larvicida que mata as larvas do mosquito na água”. Mais engenhoso do que o ovo de Colombo, e muito mais útil.

Anunciante: Habitat para a Humanidade Brasil. Título: O Poster Dissolvente. Agência: BETC São Paulo. Direcção: Vilão. Brasil, Junho 2018.

Acrescento um zumbido clássico.

Nikolai Rimsky-Korsakov. The Flight of the Bumblebee. Berliner Philharmoniker.

Cabeças com semáforos

Quino. Mesmidade

Quino. Hombres de bolsillo.

 

Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ouvir os conselhos dos outros
E sempre a cair nos buracos
A desejar o que não tive
Agarrado ao que não tenho
Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céu E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
(Xutos e Pontapés)

Tanta gente inteligente com tanto semáforo na cabeça! Não gosto da expressão “estudar para burro”. Mas já me aconteceu mudar de opinião. Até os políticos mudam…

A Ana Barros enviou-me este artigo sobre A doença da “normalidade” na universidade . “Não sou o único”. O que reconforta. Pode aceder ao artigo carregando na imagem ou a partir do seguinte endereço: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/a-doenca-da-normalidade-na-universidade.html.

Normose

Anda tudo do avesso!

Acabei de dar uma entrevista a uma jornalista sobre a emigração portuguesa. Fiquei com uma sombra no pensamento: nos anos sessenta, os emigrantes partem com o regresso no horizonte; agora, despedem-se! Há famílias que, antes de partir, vendem tudo. Não deixam amarras. Quem fica também se despede: da crença de que a sociedade portuguesa é previsível, digna de confiança, onde se constrói o futuro, sem fazer rir os macacos do jardim zoológico. O que se destruiu não foi o sonho, destruiu-se o sentido de realidade.  Nem no tempo de Salazar e Caetano, os portugueses tiveram tamanha lavagem de princípios e convicções. Já não somos obreiros do futuro, mas fiadores do passado presente. Conheço duas canções, amargas, intituladas “sem eira, nem beira”. Uma circulava entre os emigrantes nos anos oitenta, a outra é esta dos Xutos e Pontapés.

Xutos e Pontapés. Sem eira, nem beira.