A caminho do céu

“Sim, se alguém procura o infinito, basta fechar os olhos!” (Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, 1983).
A liquidez, a fragmentação e a hibridez caracterizam, pelos vistos, o homem contemporâneo. E a leveza? O Tendências do Imaginário dedica-lhe acima de uma trintena de artigos (ver A Civilização da Leveza: https://tendimag.com/2015/05/02/a-civilizacao-da-leveza/). O anúncio Flight, bem concebido e bem realizado, tem a marca Apple. A dança da campeã mundial de Indoor Skydiving, Inka Tiitto, lembra as levitações turbulentas das figuras negras de Goya (Leveza e turbulência na pintura de Goya: https://tendimag.com/2017/07/25/leveza-e-turbulencia-na-pintura-de-goya-2/). Uma passagem pelo céu, com ascensão, pico e queda, de um anjo sem asas, mas com relógio. Recordo, sobretudo, o anúncio Marry Me, da Siemens (2006). Apesar da qualidade do vídeo, não resisto a republicá-lo. As associações de ideias têm os seus mistérios.
Memórias com asas
Vivemos tempos em que a gravidade nos puxa para baixo. Ousemos levitar! Levitemos com os pés no ar, os braços abertos e o coração na cabeça.
A música é do francês Michel Colombier (Emmanuel, Wings, 1971) e as aguarelas do belga Jean-Michel Folon. Este blogue já lhes dedicou dois artigos: Chove na liberdade (http://tendimag.com/2012/12/13/chove-na-liberdade/) e Jean-Michel Folon (http://tendimag.com/2012/12/14/jean-michel-folon/). Repito-me. Deve ser da idade. Há quem fale em sabedoria ou em depuração. Neste caso, a equação é simples: mais esquecimento e menos criatividade.

