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Extravagâncias surrealistas da idade avançada

Ao Moisés

“É preciso chegar a velho de boa hora para permanecer velho mais tempo” (atribuído a Catão, o Velho, 234 – 149 a.C.; provérbio milenar bastante atual)

André Masson. Don Quixote and the Chariot of Death. 1935. The Cleveland Museum of Art

“65 anos de estar vivo”! Que quereis que vos diga? Está-me a saber bem a velhice! Mais do que as quatro décadas de atividade profissional e a meia dúzia de anos tóxicos que a antecedeu. Enquanto for possível, houver “saúde, dinheiro e amor” suficientes, entregar-me-ei ao que quero e não ao que os outros requerem. A velhice, além dos netos, tem proveitos e potencialidades apreciáveis. Mais árvore que ruína, encaro-a como um tempo, uma oportunidade, de libertação e esperança. Quem diria?! Efeitos do sol de Moledo, provavelmente…

Afeiçoo-me à velhice tal como adotei a morte como interlocutora (ando a adiar desde 2017 a edição do livro A morte na arte, porventura, para não terminar o namoro). Assim, escutar músicas dedicadas ao envelhecimento releva menos do exorcismo ou da lamentação e mais do encanto ou da celebração. Obtuso? Talvez se assevere um sentimento mais partilhado do que se pressupõe.

Octavio Ocampo. Visions of Quixote. 1989

De qualquer modo, esta espécie de “proclamação” traduz um estado de alma prenhe de visões quixotescas acalentadas por um aniversariante mimado… Não sendo a vida constante, outros seguirão. Tão certo como, agora, estas cinco velhas e belas canções castelhanas.

Violeta Parra – Volver a los 17. De 1962. Las últimas composiciones, 1966
Fagner (c/ Mercedes Sosa)  – Años. Traduzir-se. 1981
Piero – Mi Viejo. Mi Viejo, 1969
 Inés Cuello y Quinteto Leopoldo Federico – Volver (de Carlos Gardel). Segundo Festival Internacional de Tango del Teatro Colsubsidio (Bogotá), 2024
María Cristina Plata – Caballo viejo (de Simón Díaz). ANCIENNE POSTE des Planches, Montreux, setembro 2018

Palavra puxa palavra: canções de amor, ódio e melancolia

Num artigo recente, foi questão do hino “chant des partisans”, interpretado por Yves Montand. Pois, quem diz “chant des partisans” lembra-se logo da canção bilingue “The Partisan” (1969), de Leonard Cohen. Ambas deram azo a muitas montagens vídeo com imagens de guerra e resistência (ver, por exemplo, http://www.youtube.com/watch?v=S34cVkL6zCE). Optei, porém, por partilhar esta actuação ao vivo de 2008:

“The partisan” é uma “canção de amor e ódio”, para retomar o título do álbum de Leonard Cohen de 1971, mas é também uma canção com um profundo trago de melancolia. “Les Feuilles Mortes, de Yves Montand (ver http://www.youtube.com/watch?v=Xo1C6E7jbPw), distingue-se também como uma das canções francesas mais melancólicas. Quem fala de Yves Montand e de Leonard Cohen, de canções de amor, ódio e melancolia, também pode falar da chilena Violeta Parra, autora e intérprete de notáveis “canções de amor e ódio”, inspiradoras de vídeos ilustrados com imagens de repressão e revolta. É o caso de “Que dirá el Santo Padre?” (http://www.youtube.com/watch?v=PiFvvEBBntA). Concebeu, por outro lado, algumas das canções melancólicas com maior vocação universal. Por exemplo, “Gracias a la vida”. Suicidou-se em 1967.