Obliteração
Milagres?
Em terras americanas pode mesmo acontecer tudo? Como nos filmes da Filmakademie Baden-Wuerttemberg?…
Para aceder a outros exemplos de filmes da Filmakademie Baden-Wuerttemberg, pode consultar os seguintes artigos do Tendências do Imaginário:
Jogos e brincadeiras (30.10.2012)
Perdidos e achados (10.01.2013)
Humor estranho (31.10.2013)
Aspirações (25.08.2015)
ABC da morte (01.11.2016)
Limites da fidelidade (06.08.2018)
Eros e Thanatos (26.09.2018)
O prazer dos mortos (30.11.2018)
Lágrimas do Paraíso (29.11.2018)
Conto de Natal (23.12.2019)
Pilhas de salvação (15.05.2021)
Concha crepuscular
Imagino os anos noventa como uma concha com bastantes pérolas raras, mas de pouco aconchego para a geração vindoura. Mergulhou-a em águas paradoxais e paroxísticas, com a herança por desventura mais complicada desde a Segunda Guerra.

Os Mazzy Star eclodiram nos anos noventa. As suas canções ainda reverberam, sem, contudo, viralizar. Um rio subterrâneo em território sombrio e confuso. Em suma, desconchavado. Em vez de nos ufanar com as riquezas e conquistas que conseguimos, creio revelar-se mais oportuno assumir os desafios e as misérias que criámos e não enfrentámos. Um legado de tanta potência e vulnerabilidade numa vertigem de ansiedade e melancolia.
Os Mazzy Star são uma banda norte-americana de rock alternativo, fundada em 1989, composta, principalmente, pelo guitarrista David Roback e pela vocalista Hope Sandoval. Particularmente ativa até 1997, lançou três álbuns durante esse período: She Hangs Brightly (1990); So Tonight That I Might See (1993); e Among My Swan (1996). O quarto álbum, Seasons Of Your Day, foi editado em 2013, um ano antes de a banda se dissolver. “Fade Into You” (1993), “Into Dust” (1993), “Blue Light” (1993), “Flowers in December” (1996) e “Look On Down The Bridge” (1996) constam entre as canções mais caraterísticas e de maior sucesso.
Lobo
Enquanto a curiosidade não paga, creio, taxa de entrada nos Estados Unidos, aproveite-se para visitar tão contrastado mosaico, alternando arqueologia e prospeção, relíquias escavadas na memória e revelações mais ou menos recentes.

Lobo (Roland Kent LaVoie), nascido na Flórida em 1943, compositor e cantor, alcançou enorme sucesso nos anos setenta, com várias canções no topo de vendas nos Estados Unidos e na Europa. Nos anos noventa, o centro de gravidade da sua atividade deslocou-se para o continente asiático. Em 2022, com cerca de 80 anos, continuava ativo.
Alguns jovens da minha idade lembrar-se-ão, talvez, de canções tais como “I’d Love You To Want Me”, “Don’t Expect Me To Be Your Friend” ou “How Can I Tell Her”, do álbum Of a Simple Man, estreado em 1972. Por essa altura, não parava de riscar o 45 rotações com “I’d Love You To Want Me”. A estas canções, acrescento “Faithful” de uma fase “asiática” mais tardia (anos noventa).
Uma vez que o Lobo sofreu um apagão no Ocidente, pedia um feedback, um esboço de sinal [um (des)gosto ou emoji] a quem dele se recorde.
Bang Bang Boom Boom. Beth Hart

Uma voz, três interpretações.
Catavento

Para que lado sopram os ventos além Atlântico? Será que se reorientam para o grotesco, eventualmente brutesco? Com ou sem burrasca (italiano)?
Imagem: Claude Monet. Tempête sur les Côtes de Belle-Île. 1886
Cantoria animal na publicidade 4
No anúncio “Push It”, da Doritos, os animais não cantam muito, mas ensaiam um passo de dança.
O Rei Vai Transparente

Vídeos que convocam a nudez, estilizada ou não, como os seguintes são cada vez mais raros na publicidade e na comunicação social. Migraram para as redes sociais e páginas especializadas da Internet. Trata-se de uma mudança de mentalidade e de sensibilidade, de uma contradança acelerada a que o homem eletrónico nos habituou.
Neste contexto e com esta dinâmica, não admira que estes três anúncios sejam difíceis de encontrar, sobretudo La Poire, de 1990, e Anti Dioxine, de 1997. Para exibir o primeiro, recorri ao arquivo pessoal; o fabuloso arquivo da Culturepub valeu-me no segundo. Procurei e procurei, principalmente o Antidoxine, cujo acesso, em dois tempos, não é amigável: primeiro, carrega-se na imagem do artigo; em seguida, abre-se o vídeo na Culturepub. Nem sequer no arquivo da Greenpeace International o encontrei. O que se compreende. Diferente dos demais, Anti Dioxine não mostra, como diria um tio, as “partes pudibundas”. Sugere algo pior. Dá asas à imaginação. Ora, os neurónios em voo não são de fiar.

Andam deveras zelosos os guardiões da ética. E muito atarefados, também. A amplitude e as subtilezas do mal não param de alastrar. Neste cenário adverso, toda a ajuda é pouca!
Há quatro ou cinco séculos, as famílias respeitáveis retocavam ou amputavam as pinturas e as esculturas para furtar as crianças a semelhantes obscenidades. Hoje, os bebés mergulham, porventura demasiado cedo, nos ecrãs e folheiam histórias duvidosas. Até a literatura infantil requer pente fino. A começar pelos títulos. Proponho, por exemplo, a alteração de O Rei Vai Nu, de Hans Christian Andersen, para “O Rei Vai Transparente”. Assim, toda aquela multidão não “vê” o rei nu mas transparente! Esta solução possui, aliás, a virtude de se coadunar com o linguajar e as preocupações atuais.
Enfim, o único intuito com que partilho estes vídeos indecorosos é de ordem meramente profilática, em jeito de vacina ou para homeopatia. Não se brinca com estas coisas!
Nascimento da Primavera

Para celebrar o início da primavera e o aniversário do Fernando, entusiasta da guitarra, quatro músicas compostas por Andrew York.
“Sem a música, a vida seria um erro” (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, 1889). Há quem diga que é uma prenda da vida. Como todas as dádivas, subsiste a opção de a desdenhar.

