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A mobilização das identidades locais. O caso da aldeia da Varziela de Castro Laboreiro

Acaba de ser publicado na revista Trabalhos de Antropologia e Etnologia (2025, volume 65, pp. 379-398) o artigo “Varziela – Do comunitarismo agro-pastoril às redes sociais”, da autoria de Álvaro Domingues.

Chegou a estar previsto integrar este estudo na revista Boletim Cultural nº 11, da Câmara Municipal de Melgaço, lançada em janeiro de 2025, mas não se proporcionou.

Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, no caso vertente um projeto de aproveitamento turístico por um influencer de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.

Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, neste caso, a propósito de um projeto, promovido por um influencer, de aproveitamento turístico de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.

Para aceder ao artigo através do link respeitante à globalidade da revista, carregar na imagem com a capa ou no seguinte endereço: https://revistataeonline.weebly.com/uacuteltimo-volume.html

Acrescento um vídeo com o projeto de aproveitamento turístico da aldeia da Varziela programado pelo  influencer João Amorim.

Comprei MEIA ALDEIA por 100 000 € – O projeto. Follow the Sun. Colocado em 17.03.2024

A Alma das Flores Secas

Dans mon jardin secret
Dans mon imaginaire
La vie est plus légère
On fait ce qu’il nous plaît

Tudo me lembra alguma coisa. As memórias, como flores secas no livro da vida, aguardam uma gota, eventualmente um esboço de lágrima, que lhes proporcione seiva. Tudo me lembra alguma coisa, não porque tenha uma biografia recheada. Rodeado mais por imagens do que por demónios, aproximo-me de um eremita que pasma solenemente e se expõe cada vez menos, despojando-se de atavios e venturas que lega aos insaciáveis. Mas existiram, mesmo assim, picos, momentos marcantes.

Pianista, compositora e cantora, Nara Noïan nasceu na Arménia e fez carreira em França. À semelhança de outras celebridades, como o também “arménio” Charles Aznavour, o “argelino” Enrico Macias ou o “grego” Georges Moustaki, entrega-se à “canção francesa” (e.g. “Dans mon jardin secret”) sem esquecer as raízes (e.g. “Mon Arménie”).

Nara Noïan – Dans mon jardin secret. Les Regrets Inutiles, 2015 (Clip Officiel, 2016).
Nara Noïan – Mon Arménie. Single, 2015

Mas a música que pretendo relevar é, sobretudo por causa do título, “Doucha – Soul”.

Nara Noïan & Vardan Hovanissian – Doucha – Soul. Nara Noïan. Cristal, 2014

Entre 1976 e 1982, estudei em Paris. Trabalhava, a tempo parcial, às sextas, sábados e durante as férias, num banco português. Amealhava o suficiente para escapadas mais ou menos longas. Só, bagagem ligeira, com roteiros e agendas flexíveis, explorava novas terras e gentes. O tempo dedicado a cada destino dependia do prazer da estadia.

Naquele tempo, se me perguntassem para que viera ao mundo, a resposta seria “para dar e receber amor”, mais prosaicamente, para namoriscar. Nem para estudar, nem para trabalhar, nem para viajar, nem sequer para defender a Pátria. Um impenitente colecionador de afrodites.

O que me atraía num lugar não eram tanto os monumentos, as paisagens e os lazeres, mas as pessoas, especialmente as mulheres.

Com 18 anos, parti em agosto rumo à Itália e à Jugoslávia e regressei no final de outubro. Atardei-me duas semanas em Veneza graças a uma jovem professora de biologia, uma semana na ilha de Hvar com uma turista francesa e mais de uma semana em Tuzla por artes de uma estudante de medicina.

Tuzla foi uma experiência única. À meia-noite, bati, sem aviso prévio, à porta de um colega do curso de Sociologia. No dia seguinte, parecia que toda a gente me conhecia. Nos cafés, ao pagar a conta, já estava paga por algum curioso que desejava satisfazer a curiosidade. Fui, inclusivamente, convidado para dar uma palestra sobre o 25 de Abril, em francês, numa universidade local.

A interação com Snježana (em bósnio: branca como a neve) era sui generis. A comunicação resultava difícil: falava sobretudo alemão, que eu não dominava [embora tenha frequentado um curso no edifício da Universidade de Filosofia, mas o que me movia não era a aprendizagem da língua; retive apenas algumas expressões de utilidade indiscutível tais como “Du bist sehr schön  [ou hübsche]” (Tu és muito bonita). Em suma, a salvação era a linguagem gestual.

Garantira-lhe que permaneceria em Tuzla o tempo que me aprouvesse. Quando anunciei o regresso a Paris, não parava de dizer “laž” [láj], mentira. Retorquia, contristado, “nema laž” (nenhuma mentira). As aulas tinham iniciado havia três semanas e estava a ficar sem dinheiro…

Snježana costumava chamar-me “dusha”, palavra, essa sim, que me intrigava. O amigo hospedeiro acabou por me esclarecer: alma, coração, ente querido. Como o título da música de Nara Noïan! Tudo me lembra alguma coisa. Até uma simples palavra de outros mundos.

O colecionador de namoricos resume-se agora a um (re)contador de estórias. Resgatar folhas secas para colorir um jardim que nem sequer cuida de (p)reservar.

Há quase meio século. Fotografado por Álvaro Domingues

Nevão

A neve brilha em todos os ecrãs. Também pode brilhar no Tendências do Imaginário. A reportagem da Altominho.tv dedicada ao “primeiro nevão do ano” nas freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro de tão bela merece um pequeno recanto.

Queda de neve deixa pontos mais altos de Melgaço pintados de branco | Altominho TV. 18.01.2023

Há dias aludi à música “fresca” do trompetista norueguês Nils Petter Molvaer, pioneiro na fusão de Jazz com música electrónica. Algo estranha, parece-me condizer com o vídeo da Altominho.tv.

Nils Petter Molvaer – Nearly Invisible Stitches. Stitches. 2021

De sapatilhas em Melgaço

Melgaço

ZXM, Zapatillas pxr el mundo, um canal do YouTube dedicado à viagem, ao lazer e ao turismo, visitou Melgaço. Este vídeo de 21 minutos em espanhol foi um dos resultados.

Zapatillas por el mundo. Melgaço, Norte de Portugal. Colocado em 03/10/2022

Quem são os Zapatillas por el Mundo?

Albert y Ana
Pues si… somos Zapatillas por el mundo.
Para los que aún no nos conozcáis nuestros nombres son Ana y Albert un par de aventureros que un dÍa decidieron viajar juntos por el mundo y por la vida.
Tras algunos viajes juntos y casi 20 años dedicados al mundo del marketing y de la comunicación, un día decidimos contarle al mundo lo que nuestros ojos veían y creamos nuestro canal de YOUTUBE, desde entonces, la cámara siempre nos acompaña para captar momentos en formato vídeo para después contar las experiencias, las historias de aquellos lugares que visitamos.
Hoy, viajamos arropados por ti que a través de la pantalla nos acompañas día a día. Y es que una de las cosas que más nos gusta, es poder inspirarte, a viajar, conocer nuevos destinos y lugares, vivir nuevas experiencias… y todo esto de una forma amena y muy cercana, mostrándote toda la información que necesitas para emprender este viaje que tienes entre ceja y ceja ((https://zapatillasporelmundo.com/nosotros/).

A Ponte dos Suspiros

Ponte dos Suspiros. Veneza

Impressiona a quantidade e a diversidade de discos que adquiri em Paris. Em livros, discos e viagens gastava quase todo o meu salário do Banco Pinto & Sotto Mayor. Somando o convívio emigrante, a universidade e os amores, a pouco mais se resume o currículo entre os 16 e os 23 anos, 1976 e 1982. Resistente à plena integração, nunca resolvi plenamente o regresso a Portugal. Oscilo como o asno de Buridan, atravessado numa “ponte de suspiros”.

Em Veneza. 1978

Jovem, viajava quase sempre só, pouca bagagem, travelers cheques da American Express na carteira e destino mal definido. A ausência de companhia tem uma vantagem: abrimo-nos mais aos outros e os outros abrem-se mais a nós. Em finais de agosto de 1978, terminado o trabalho no banco, parti rumo à Jugoslávia. Veneza era ponto de paragem. Chegado, não consegui hotel. Tudo lotado. Não costumava reservar hotéis. Não sabia os dias de chegada nem de partida. Consoante se proporcionava. Por exemplo, demorara mais tempo do que previsto na Suíça. Retomo caminho rumo a Trieste. Veneza ficaria para o regresso. No comboio, conheci duas jovens. Convidaram-me a pernoitar em Portogruaro, a umas dezenas de km de Veneza. Decorria um festival jazz. Deixei-me hospedar durante quase duas semanas. Conheci Veneza como poucos. Uma das jovens, professora de biologia, foi uma excelente guia. Prossegui para a Jugoslávia, com duas semanas de atraso. Regressei a Paris no fim de outubro, tinham começado as aulas há quase um mês. Assim era naquele tempo.

Hoje, deparei com o LP Bridge of Sighs, estreado em 1974. Guitarra potente, desenvolta e expressiva, com remanescências de Jimi Hendrix, interpretada por um antigo membro dos Procol Harum: Robin Trower. Viro o disco e toca outra música, talvez apenas apreciada por alguns amigos, os nostálgicos dos anos setenta.

Ao ver o Robin Trower, com 76 anos, a tocar com tanta agilidade, apetece retomar a aprendizagem adolescente da guitarra. Tenho a Fender Stratocaster do meu filho, basta comprar uma acústica. Só preciso de um mestre. Infelizmente, o primeiro, o John, está demasiado longe, no Canadá (ver https://www.youtube.com/watch?v=xH6EaTuavJk e https://www.youtube.com/watch?v=W0qsuGpJHqI).

Robin Trower. Bridge of Sighs. Bridge of Sighs. 1974. Ao vivo: Tops of the Pops BBC, 1974.
Robin Trower. Daydream. Twice Removed from Yesterday. 1973. Ao vivo, 2013.
Robin Trower. Birdsong (Official Video). No More Worlds to Conquer. 2022

Melgaço: Destino turístico sustentável

Melgaço. Peneda-Gerês. Paisagem. Fonte – Município de Melgaço.

“Melgaço recebeu o selo Prata da EarthCheck – órgão acreditado pelo Global Sustainable Tourism Council – GSTC para certificar destinos turísticos, tornando-se assim destino turístico sustentável certificado.”

Melgaço + sustentável. Melgaço: destino turístico sustentável certificado | Certified sustainable tourist destination. Município de Melgaço / Discover Melgaço. IPDT Tourism Consultancy. Junho 2022.

A Suíça Portuguesa

Cascata de Pântano de Pontes, em Castro Laboreiro. (Rui Manuel Fonseca.Global Imagens)

No one upstages the Grand Tour of Switzerland, da Switzerland.com, é um belíssimo e apelativo anúncio. Mas à dupla Anne Hathaway e Roger Federer falta ainda explorar Melgaço. Recordo que à terra onde comecei costumava chamar-se “Suíça portuguesa”.

Marca: Myswitzerland.com. Título: No one upstages the Grand Tour of Switzerland. Agência: Wirz / BBDO. Direção: Bryan Buckley. Suíça, abril 2022.

Para aceder ao vídeo Melgaço é um destino de natureza por excelência!, carregar na seguinte imagem (não se esqueça de ligar o som):

Melgaço é um destino de natureza por excelência! – Município de Melgaço, Discover Melgaço.

Causas

As causas suscitam-me reservas. Em seu nome, agride-se, condena-se, conspira-se, manipula-se, reinventa-se, censura-se e engana-se… Convictamente! Prefiro a ilusão da universalidade. Dispenso meios e objetivos certos e certeiros.  Quando me quero aproximar do alvo, aponto ao lado, como nas barracas de tiro.

Marca: Guides Tao. Título: Hate To Project. Agência: TBWA (Paris). França, outubro 2021.

Bifes de presunto

Presunto fumado entre o Minho e Trás-os-Montes.

Em boa hora deparei na página da Alto Minho TV com um breve documentário sobre os “Bifes de presunto, o prato típico de Castro Laboreiro”, que contempla o contexto, a tradição, o modo e a atualidade. Não saboreio bifes de presunto desde a minha tenra juventude, mas desenvolvi uma receita alternativa, das poucas que, contanto raramente, cozinho.

Bifes de presunto, o prato típico de Castro Laboreiro. Alto Minho TV. 2020.

Receita alternativa.

Acompanhamento:

– Partem-se as batatas, descascadas, às rodelas não muito finas;

– Fritam-se numa sertã com uma quantidade generosa de óleo ou azeite, controlando a intensidade do lume de modo que não tostem demasiado e adquiram um aspeto mais cozido do que frito;

– Alcançado este ponto, cobrem-se as batatas com rodelas de cebola e abafa-se o conjunto tapando toda a sertã com um testo;

– Uma vez levemente “cozida” a cebola, rega-se com vinagre, e volta-se a abafar o conjunto. Aguarda-se quanto baste.

O acompanhamento está pronto.

Alternativa ao presunto:

– Estendem-se fatias de fiambre numa sertã com óleo (serve o de fritar as batatas);

– Estrela-se um ovo a cavalo de cada fatia.

Os ovos estrelados a cavalo de fiambre acompanhados por batatas fritas com cebola e vinagre estão prontos a servir. Uma bomba gastronómica. Bom apetite!

Pornografia alimentar

Achile Talon.

Bocadas, umas grotescas, outras delicadas. Um prazer glutão ao ritmo do hino da alegria. Quase uma orgia num autocarro. Um banquete rodoviário. A gula em movimento.

Marca: Turismocity. Título: Taste Buds. Agência: Dhélet VMLY&R, Buenos Aires. Direção: Ivan Vescovo. Argentina, maio 2021.