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Vacas transparentes

Anchor transparênciaO leite faz mal? Cálcio a mais, lactase a menos, e um toque de osteoporose… A novíssima paranóia! Valham-nos os nutricionistas (vídeo 2). Precavidos, viveremos para sempre, até morrer. Se não fosse a Internet, o que seria de nós? Tem resposta para tudo. Anjo ou demónio?Vou mas é informar-me acerca do vinho e da água. Serão também uma ameaça?

Piscina de vinho para  celebrar a  nova colheita do Beaujolais Nouveau.

Piscina de vinho no Japão

Cleópatra embelezava-se com banhos de leite e os japoneses rejuvenescem com banhos de vinho. Segundo a Anchor, as vacas não se querem transparentes. O leite, tal como a água, dá-se bem no escuro.

Marca: Anchor. Título: If milk was meant to see the light, cows would be see-through. Agência: Colenso BBDO/Proximity New Zealand. Direcção: Damon Duncan. Nova Zelândia, 2003.

Denise Carreiro. Consumo do leite.

Slots

League Against Cancer. Smoke. Eslováquia, 2010

League Against Cancer. Smoke. Eslováquia, 2010

Este anúncio ilustra, de um modo agradável, como são aplicados os donativos recolhidos pela League Against Cancer, do Perú. Um anúncio equilibrado, de arqueiro que não quer falhar o alvo.

Anunciante: League Against Cancer. Título: Slots. Agência: Young & Rubicam, Lima. Direção: Gonzalo Iglesias. Perú, Setembro 2013.

Há experiências desconfortáveis. Por exemplo, o déjà vu, uma sensação vertiginosa de reviver um momento passado. Além de um déjà vu, pode-se conceber o prévu, um ápice presente que pertence ao futuro, fenómeno em voga no cinema. Em português: já visto e previsto. Atendendo, agora, ao espaço, surge o cá visto, a sensação de viver aqui o que acontece alhures, fenómeno acelerado pela globalização. Pois, neste cantinho abençoado, o anúncio da League Against Cancer, provoca uma dupla sensação de cá visto e previsto. Neste país contemplado pelas pitonisas contemporâneas com um “rating dois níveis abaixo do patamar de ‘lixo'”, os cidadãos, cobaias de um novo esperanto político, desfazem-se das misérias nas ranhuras dos slots, ou porquinhos, do Estado.  Um sorvedouro fadado a crescer e a multiplicar-se. Não se trata, porém, de um já visto. De tal aperto e de tal cerco, não acode memória real ou fictícia.Trata-se de um híbrido, uma espécie de cá previsto. Não é o Adamastor, nem o Encoberto, nem Saturno, mas o Endividado a secar os peitos da nação.

Francisco de Goya. Saturno devorando a su hijo (1819-1823)

Francisco de Goya. Saturno devorando a su hijo (1819-1823)