A Suspensão da Espécie
Este anúncio da Durex lembra os filmes do James Bond (“Condom 007”) e dos gangsters (“Condoms Traffic”). Uma vez localizados, somos pronta e discretamente servidos. O SOS Condoms não surpreende. Foi precedido pelo pacote completo. O cliente localiza-se e recebe a contracepção mais os acessórios.
Vem a propósito a notícia recente de que existem, em Portugal, “empresas que obrigam mulheres a comprometer-se a não engravidar durante cinco anos”. Esta austeridade pode integrar a mesma galeria que os míticos direito à pernada e cintos de castidade. Abre-se e fecha-se. Virgindade, ontem, maternidade, hoje, a violência sobre as mulheres repete-se. Que fazer? Continuar a apelar aos nossos brandos costumes? As chagas de Ourique martirizam este País. Às vezes, penso se não somos mais medievais do que os medievais da Idade Média.
Marca: Durex. Título: SOS Condoms. Agência: Buzzman Middle East. Emirados Árabes Unidos, 2013.
Trabalho em férias
Cada vez se trabalha mais, cada vez se vale menos. Ainda bem que a lei prevê as férias:
“A finalidade das férias é «possibilitar a recuperação física e psíquica do trabalhador e assegurar-lhe condições mínimas de disponibilidade pessoal, de integração na vida familiar e de participação social e cultural», conforme estabelece o n.º 2 do artigo 171.º do RCTFP, o que justifica a imperatividade do respectivo regime, designadamente no que concerne à obrigatoriedade do seu gozo e à fixação da sua duração mínima.” (Despacho n.º 4932-A/2011).
E se as férias fossem trabalhadas? Por que carga de água? Por exemplo, por motivo de avaliação. Férias com urgência avaliativa… Nos últimos tempos, a avaliação avolumou-se mais do que o défice, o choque tecnológico, as indústrias criativas ou o empreendedorismo. A avaliação não é o submarino, a avaliação é o balão do país. Para que serve? Para fins que a gente não vê nem percebe. Talvez dê jeito para transformar um acto de potência em acto de direcção (Jean Baechler, Le pouvoir pur, Paris, Calmann Lévy, 1978) e levar a água, abençoada, ao moinho. Perversidades (Raymond Boudon, Effets Pervers et Ordre Sociale, Paris. P.U.F, 1977).
Nasci antes da guerra colonial. Não me lembro de tropeçar em tanta sede de poder e em tanta prepotência como nos últimos anos.
Quando se tem férias trabalhadas, sente-se uma espécie de “déconfiture”, como canta Isabelle Mayereau, desconhecidíssima mas imitadíssima, Chevalier des Arts et des Lettres, pelo Ministério da Cultura francês, em 2010. Une déconfiture, um descalabro… Valha-nos uma Quinoterapia.
Isabelle Mayereau. Déconfiture. Déconfiture. 1979
Déconfiture
Je sens comme une déconfiture
Un bout de gâteau dans le thé
Comme un immense, immense mur
Un chewing-gum trop mâché (x2)Tu sens comme une drôle d’aventure
Où tu vas te risquer
Comme un bleu trop violent d’azur
Comme un vieux jean usé (x2)Je sens comme une presque blessure
Comme un nuage dans le thé
Comme une pomme acide pas mûre
Comme un pétard mouillé (x2)Tu sens comme une éclaboussure
Comme un peu de rhum dans le thé
Comme un vent trop violent qui dure
De l’eau dans le canoë (x2)Je sens comme une déchirure
Un bout de citron dans le thé
En quelque sorte, une éraflure,
Des bleus presque violets (x2)Il reste de cette mésaventure
Un peu de sel dans le thé
Des ecchymoses, des courbatures,
Une envie de pleurer (x2)Paroles et Musique: Isabelle Mayereau 1979
Mais humano do que o humano
Há filmes que nos abalam os assentos: Laranja Mecânica, O Tambor, Blade Runner… As máquinas podem humanizar-se? Tenho muitas dúvidas. Os homens podem desumanizar-se? Tenho poucas dúvidas. Pareço um alambique a destilar trabalhos: gota a gota. Este, dedicado ao filme Blade Runner, é uma colheita bem refinada da disciplina de Sociologia e Semiótica da Arte, do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura. Para aceder, clicar na imagem ou neste endereço http://comartecultura.wordpress.com/?s=blade+runner.
Espremidela
Ao menos o emprego deste anúncio é no Japão; por cá sofria ainda um corte de 24% no vencimento.
Anunciante: Sanko kogyo : Employment agency. Título Sponge. Agência: Hakuhodo (tokyo). Japão, 2006


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