Raia do amor

Na próxima semana vou a Melgaço. Estou a precisar. Com esta perspetiva e as canções “Love is Not Enough” e “The Uncarved Block, do Tom Baxter, desfruto o entardecer. O compositor e cantor inglês Tom Baxter, pouco visualizado, justifica alguma curiosidade, em particular pela guitarra e pela gestão dos silêncios. Coloco apenas estas músicas para deixar a porta aberta à exploração.
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Sim, os silêncios…Magistral! E o dedilhar das cordas em suspensão, ânsia, urgência, melodia.
Quando ouvimos a parte instrumental de Love is Not Enough, sentimos o contrário. As primeiras notas, a espera, a expectativa do encontro a crescer dentro de nós, e depois, com toda a mestria, o turbilhão interior das notas em cadência de amor crescente…e quando as palavras chegam, salvam-nos? da esperança que não basta.
Em The Uncarved Block, a guitarra sobrepõe-se. Como se as palavras fossem um sussurro, como um rio que flui. Ele canta:
“Desvenda-me na página, sente os meus dedos flertando,
Tease me open on the page, feel my fingers flirt,
dei o meu melhor em uma noite como esta.
I put my best foot forward on a night like this.”
Adoro a letra, tão genuína quanto a guitarra que ele sustém.
“Devolve-me ao bloco não esculpido,
Return me to the uncarved block,
devolve-me a minha inocência
return me to my innocence
Devolve-me aos campos de cevada de ouro
Return me to the barley fields of gold”. (Minda, 07.05.2026)
