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Sociologia sem palavras 4. À americana (retoma)

Há Festa na Aldeia é o primeiro filme de Jacques Tati (1949). Com a festa, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. As pessoas mergulham numa metamorfose efémera. O carteiro é, neste filme, um caso extremo. Ludibriado por dois malandros, com a cumplicidade dos conterrâneos, o carteiro persegue a ilusão de ser carteiro à americana, num filme pautado pela diversidade de tempos e de ritmos sociais.

Sociologia sem palavras 4. À americana, 25.09.2014

Internet, Humor e Estilos de Vida

O anúncio brasileiro “Cineasta de cachorro” parodia, já 2013, o entusiasmo pela partilha online de vídeos domésticos. Internet e Humor aborda, também, a ocupação do tempo das pessoas, alvo de inquérito em França em 2010. Neste momento, está a ser administrado um segundo inquérito, que permitirá constatar as alterações, provavelmente significativas, sobretudo no que respeita à exposição à Internet.

Internet e Humor. Tendências do Imaginario, 17.08.2013

Fotografias e árvores

Lunch Atop a Skyscraper (1932). Rockefeller Center, New York

Entre os testemunhos do devir histórico e da passagem do tempo sobressaem as fotografias e… as árvores (ver, por exemplo, Registo Civil Vegetal e Limoeiro). Ilustram-no, por um lado, a Leica ao celebrar o seu centenário no anúncio do artigo Um século de fotografia e, por outro, a Mata Nacional do Bussaco no anúncio “A História de uma Árvore” lançado há menos de três semanas, em 28 de julho de 2026.

Um século de fotografia. Tendências do Imaginário, 13.08.2015
Fundação da Mata Nacional do Bussaco – A História da Árvore. Agência: Coming Soon. Portugal, julho 2026

Herança cultural e identidade de proximidade

Paul Gauguin. Arearea – Joyeusetés, 1892. Musée de Orsay

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Rafael – Os Querubins de Rafael. A Madona Sistina (detalhe], entre 1513 e 1514. Gemäldegalerie Alte Meister. Dresden

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004. [Recuperado]

Identidade e convívio (09.07.2026)

O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)

Castle Milk Stout – Inzalo Yelanga. Agência: Joe Public. Direção: Zee Ntuli. África do Sul, julho 2026

A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).

Sonhar sem cismar

Albrecht Dürer – Melancolia, 1514

“Com escassa mobilidade”, em junho de 2022, navegava na Internet e escrevia, escrevia, escrevia…. sentia e imaginava, também! De preferência, sem dar azo à melancolia.

Tempo de abraçar

O tempo já não é teu e meu. É alheio. Abraça, abraça, que o abraço, esse, este, ainda é nosso.
A canção “Le Temps” estreou em 1964, tinha Charles Aznavour 40 anos. Neste vídeo respeitante a uma interpretação de 1994, tinha 70 anos. Faleceu aos 94 anos no dia 1 outubro de 2018.

Charles Aznavour – Le Temps. Single, 1964. Ao vivo em 1994.

Le temps (Charles Aznavour)

Le temps qui va
Le temps qui sommeille
Le temps sans joie
Le temps des merveilles
Le temps d’un jour
Temps d’une seconde
Le temps qui court
Ou celui qui gronde

Le temps, le temps
Le temps et rien d’autre
Le tien, le mien
Celui qu’on veut nôtre
Le temps, le temps
Le temps et rien d’autre
Le tien, le mien
Celui qu’on veut nôtre

Le temps passé
Celui qui va naître
Le temps d’aimer
Et de disparaître
Le temps des pleurs
Le temps de la chance
Le temps qui meurt
Le temps des vacances

Le temps, le temps
Le temps et rien d’autre
Le tien, le mien
Celui qu’on veut nôtre
Le temps, le temps
Le temps et rien d’autre
Le tien, le mien
Celui qu’on veut nôtre

Le temps glorieux
Le temps d’avant-guerre
Le temps des jeux
Le temps des affaires
Le temps joyeux
Le temps des mensonges
Le temps frileux
Et le temps des songes

Le temps des crues
Le temps des folies
Le temps perdu
Le temps de la vie
Le temps qui vient
Jamais ne s’arrête
Et je sais bien
Que la vie est faite

Du temps des uns
Et du temps des autres
Le tien, le mien
Peut devenir nôtre
Le temps des uns
Et le temps des autres
Le tien, le mien
Peut devenir nôtre
Le temps

Le temps des uns
Et le temps des autres
Le tien, le mien
Peut devenir nôtre
Le temps des uns
Et le temps des autres
Le tien, le mien
Peut devenir nôtre
Le temps

Le temps, le temps, le temps

O tempo que falta

Je l’aime tant, le temps qui reste… (Serge Reggiani, Le temps qui reste, 2002)

Je n’ ai pas peur de la route / Faudra voir, faut qu’on y goûte (Noir Désir, Le vent nous portera, des Visages, des Figures, 2001)

Quarenta alunos da Academia Sénior de Braga deslocaram-se a Melgaço a semana passada. Visitaram o Espaço Memória e Fronteira, o Solar do Alvarinho, as Termas, a Torre de Menagem e o Museu do Cinema. Tive o prazer de fazer de guia. Foi um bom momento. Como se diz, um momento bem passado. Sobra ainda o tempo que falta. Para viver, naturalmente!

Serge Reggiani. Le temps qui reste. Autour de Serge Reggiani, 2002
Mea Culpa Jazz. Le vent nous portera (cover de Noir Désir). 2017

Tempo para tudo

Ter todo o tempo do mundo pode ser bom!

Rui Veloso. Todo o tempo do mundo. Avenidas. 1998

Ter tempo para tudo talvez não seja pior! Até para tentar tempos alheios. Se os Slow Show lembram Roger Waters, os Elbow lembram Peter Gabriel.

Elbow. Starlings. The Seldom Seen Kid. 2008
Elbow. Grounds for Divorce. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017
Elbow. One Day Like This. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017

Dor de pedra

Fonte da fotografia: SRM University, Ramapuram Campus. Índia.

A homenagem acabou. Depois da vaidade a vanitas.

Os anjos são eternos. Por isso não lhes cresce a barba. Contudo, nos cemitérios, o tempo, o abandono e a natureza dão vida e corpo à dor eterna da pedra: cobrindo-a com pele oxidada e pelos de musgo.

Para acompanhar a presente galeria com fotografias de esculturas tumulares “embelhecidas” (para escrever à Mia Couto), acrescento as músicas By the Sea, Depart e Eternity Theme, da compositora grega Eleni Karaindrou.

Eleni Karaindrou. By The Sea / Depart / Eternity Theme. Eternity and a Day. Versão: Uzun. Concerto em Istambul, 2012.

Galeria de fotografias: esculturas tumulares expostas ao tempo e à natureza

Dono do tempo?

“Agora não é mais dono do seu tempo?” Pergunta uma amiga. Na realidade, ando ocupado. Talvez para fugir do vazio, vou-me deixando ocupar. Os meus colegas e amigos também andam ocupados, mas com coisas importantes: meetings, calls, papers, media, projects, reports, classrooms, contracts, bureaucracies, protocols, platforms, virtualities, travels, budgets, referees, metrics, contests, prices, rankings, positions & propositions. As minhas ocupações resumem-se a minudências invisíveis: revejo e traduzo textos alheios, presto-me a ser organizador sombra ou suplente de última hora, preparo aulas e encontros na aldeia, entrego-me a investigações vadias, intermitentes e gratuitas, edito e reescrevo livros que nunca têm fim, cuido da saúde que bem precisa e convivo cada vez mais com os amigos. Vale-me isso e a música, minha musa e companhia. E insisto em pingar pensamentos e sentimentos neste blogue. É certo que, reformado, a maioria destas atividades, decididas ou aceites, são livres. Mas uma vez iniciadas deixam de o ser. Devoram recursos e tempo. Regressando à pergunta inicial: neste momento, sou menos dono do meu tempo, mas provisoriamente. Trata-se de uma perda a que não me resigno, que não sei se prefiro à riqueza de ter todo o tempo do mundo.

Franz Schubert. Serenade. 1826. Camille Thomas and Beatrice Berrut. Live at Palais des Beaux-Arts in Brussels on June 5, 2011
Vanessa-Mae. A Poet’s Quest (For a Distant Paradise). Vanessa-Mae Storm. 1997