Purgatório eterno
Eis o homem! Põe a culpa no sapato quando o culpado é o pé (Samuel Beckett. À espera de Godot. 1953).

Vou dedicar os próximos dias ao compositor polaco Zbigniew Preisner. Comecemos pelo céu (Ciel, Opéra Egyptien) para passar em seguida ao inferno (Enfer, La Double Vie de Véronique). Para assistir a um “purgatório eterno”, aconselho À Espera de Godot, de Samuel Beckett, em cena no Theatro Circo, quinta 15 e sexta 16, às 21:30. Entre as peças de teatro que mais me marcaram.
À Espera de Godot – um título que se tornou proverbial em todo o mundo. Talvez nenhuma outra peça do séc. XX tenha conhecido um alcance tão expressivo, tão global. É legítimo afirmar que, na noite em que estreou esta “tragicomédia em dois atos”, Samuel Beckett alterou por completo não apenas a literatura dramática, mas a própria condição teatral. Numa estrada, junto a uma árvore, duas criaturas sem eira nem beira, saídas de um vaudeville ou do cinema mudo, entretêm-se com jogos e picardias, rindo e chorando, discutindo tudo: um par de botas, os Evangelhos, o suicídio… Aguardam por alguém que não chega, que nunca chega: Godot, personagem-mistério que Beckett sempre se recusou a identificar com Deus, porque, mais do que aquilo que esperamos, lhe interessava realçar o que acontece enquanto esperamos (https://www.theatrocirco.com/pt/agendaebilheteira/programacultural/1332).
Morrer de riso

Na Idade Média, a morte ri: nos triunfos da morte, nas danças macabras ou no assédio às donzelas. Morre-se de riso? Consta que existe uma hilaridade fatal: as vítimas morrem, literalmente, de excesso de riso. O filósofo grego Crisipo de Solis morreu a ver o seu cavalo comer figos; no século XV, o rei Martim I de Aragão morreu com um ataque de riso; mais recentemente, em 2003, Damnoen Saen-um, um vendedor de sorvetes tailandês, morreu de riso enquanto dormia (ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilaridade_fatal).
No palco, só, Bourvil recorda uma anedota fatal que um amigo lhe contou. Quem ouvir a anedota morre. Oito minutos quase sem palavras, mas sempre a comunicar. É obra e talento.
Encontro de Sociologia no mosteiro de Tibães
O Encontro de Sociologia traz-me afastado da música e do blogue. Mas é uma iniciativa compensadora. Seguem o cartaz, o texto de divulgação, o programa e a imagem do íman que será oferecido durante o Encontro.
O Encontro de Sociologia congrega todos os alunos dos cursos de Sociologia da Universidade do Minho (licenciatura, mestrados e doutoramento), bem como os docentes e os funcionários do Departamento de Sociologia. O Encontro decorre no dia 18 de Abril, durante a tarde, no Mosteiro de Tibães. Para a deslocação entre a Universidade e o Mosteiro, haverá dois autocarros que partem às 13 horas junto à pastelaria Montalegrense e regressam às 19 horas. O Encontro inclui visita guiada ao Mosteiro, um dos mais belos exemplares da arte barroca em Portugal, uma conferência e um espetáculo com música, teatro e vídeo protagonizado por estudantes de Sociologia.
Contamos com a presença de todos!
A Direção do Departamento de Sociologia
Programa
14h00 | Visita guiada ao Mosteiro
16h00 | Sessão de Abertura
Rui Vieira de Castro, Reitor da Universidade do Minho,
Helena Sousa, Presidente do Instituto de Ciências Sociais
Albertino Gonçalves, Diretor do Departamento de Sociologia
Maria de Lurdes Rufino, Coordenadora do Mosteiro de Tibães
Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM
Conferência “Vigilância, segurança e crime: desafios para a Sociologia”
por Helena Machado, Departamento de Sociologia da Universidade do Minho.
17h00 | Espetáculo de Música, Teatro e Vídeo pelos alunos dos cursos do Departamento de Sociologia
Moderação: José Cunha Machado, Diretor adjunto do Departamento de Sociologia & Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM.
19h00 | Encerramento.

Imagem do íman alusivo ao Encontro de Sociologia.
A tentação surrealista: António Pedro
Para variar, já fez sol em Moledo do Minho. Nada como um cigarro! Em frente, do outro lado da rua, a casa de António Pedro. Nascido em 1909, “o gigante esquecido” (Vasco Rosa, Jornal Observador, 17 de Agosto de 2016) é uma figura incontornável da arte portuguesa do século XX. De muitos modos e feitios. Foi pintor, escultor, escritor, poeta, dramaturgo, encenador, jornalista, radialista, galerista… Passou a infância em Moledo do Minho, estudou na Galiza, em Coimbra e em Lisboa. Entre 1934 e 1935, viveu em Paris, tendo frequentado o Instituto de Arte e Tecnologia da Universidade da Sorbonne. Junto com 25 artistas dos movimentos surrealista e Dada, entre os quais Joan Miró, Hans Harp, Sonia Delauney, Marcel Duchamp, Wassily Kandisnky e Francis Picabia, assinou, em 1936, o Manifeste Dimensioniste (carregar para aceder ao pdf). Em 1941, expõe a sua obra no Brasil. Entre 1944 e 1945, foi cronista e crítico de arte na BBC, em Londres.

02. António Pedro, Refoulement, 1936.
Em 1933, cria a Galeria UP, a primeira a acolher em Portugal uma exposição de Helena Vieira da Silva (1935). Em 1940, participa, com dezasseis pinturas, na realização da primeira exposição surrealista em Portugal, na Casa Repe em Lisboa. Em 1947, integra o Grupo Surrealista de Lisboa.

04. António Pedro. O anjo da guarda. 1939.
Homem de teatro, foi director do Teatro Apolo, em Lisboa. Foi fundador e director, entre 1953 e 1962, do Teatro Experimental do Porto. Entre vários textos dramáticos, escreveu a Comédie en un acte. Viveu os últimos anos em Moledo do Minho onde faleceu no dia 17 de Agosto de 1966. Para uma apresentação mais detalhada e circunstanciada, sugiro o artigo “António Pedro Pintor”, de José-Augusto França, publicado na revista Portuguese Cultural Studies 5, Spring 2013 , bem como o vídeo António Pedro Presente! I apresentado, também, por José-Augusto França e publicado pela Companhia de Dança de Lisboa (ver vídeo 1).

05. António Pedro. Ilha do Cão. 1940. Ver vídeo 2.
Pesquisar imagens da arte portuguesa manifesta-se, muitas vezes, frustrante. Poucas estão acessíveis na Internet e com fraca resolução. Às vezes, só com a ajuda de uma lupa. Não sei se é por causa dos direitos, se é por causa dos tortos. Aposto nos tortos, mais precisamente, na aristocracia dos direitos e na irresponsabilidade dos tortos. No que respeita à obra de António Pedro, fiz o que pude, nem sempre bem. Vale a dezena de vídeos publicados pela Companhia de Dança de Lisboa.
Está fresco em Moledo. Apago o cigarro. António Pedro fumava. As andorinhas continuam a voar em bando à volta da sua casa.
António Pedro: Galeria de Imagens
Vídeo 1. ANTÓNIO PEDRO – 1909 / 1966 – Presente! ( I ). Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 2. António Pedro – Óleos sobre tela, 1936 / 1946. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 3. António Pedro – Óleos sobre Tela – 1944, 1939 e 1936. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 4. “Tríptico solto de Moledo” 1943 – António Pedro. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 5. ” Paz Inquieta “- 1940 – António Pedro. Companhia de Dança de Lisboa.
Olhares sobre o Teatro
O Simpósio Olhares sobre o Teatro tem lugar quarta-feira, dia 8, no Auditório do Instituto de Educação. Organizado pelo curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura e pela Farfalla Borealis, o Simpósio culmina com a apresentação de uma peça teatral, Labirinto de Amor e Morte, com actriz Marta Carvalho.
FAFE CIDADE DAS ARTES – Convite
Fafe Cidade das Artes é uma iniciativa que visa “projetar o município de Fafe como exemplo de Cidade das Artes, do Teatro, da Dança, da Música, da Literatura, da Cultura”. Aposta na criação de oficinas de formação teatral, de residências artísticas temporárias e de intercâmbios com criadores de todo o mundo, nomeadamente do Brasil.
O projeto Fafe Cidade das Artes será apresentado, e discutido, com a participação de alguns dos seus promotores, no dia 23 de Abril, às 18 horas, na Sala de Atos do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho. Haverá ainda oportunidade para uma conversa com o encenador Marcelo Bones e a atriz Ângela Mourão, do teatro brasileiro Andante, bem como com o encenador Moncho Rodriguez e a atriz Marta Carvalho, a propósito do espetáculo teatral “Labirinto de Amor e Morte”.
Não quer vir? Tem lugar reservado.
Labirinto de amor e morte – foto de Manuel Meira
Mascarada
A máscara encobre, protege, liberta, excede e absorbe. Segundo Stanislavski, a personagem tende a tomar conta da pessoa. Pele da pele, a máscara (in)veste a carne, os ossos e o que resta do espírito.
Estas vinte máscaras antigas celtas, gregas e romanas, provenientes do arco sobreendividado que se estende da Grécia até à Irlanda, passando por Portugal, talvez ajudem a variar da careta de bom aluno.
- 01. Máscara celta
- 02. Máscara dionisíaca grega
- 03. Máscara funerária grega, ca. 1600-1500 AC
- 04. Máscaras trágicas do teagro grego
- 05. Máscara grega, ca. 336-100 AC
- 06. Máscara de teatro grega, séc I AC
- 07. Máscara grega de teatro.
- 08. Máscara de teatro representando um camponês. Grécia
- 09. Máscara de teatro, séc III AC
- 10. Máscara de sátiro romana, séc II DC
- 11. Retrato romano em forma de máscara de teatro, séc I DC
- 12. Máscara romana
- 13. Máscaras da Sicília, 100-300 AC
- 14. Máscaras da Sicília, 100-300 AC
- 15. Máscara em pedra do Coliseu de Roma
- 16. Máscara militar romana, séc. III DC
- 17. Máscara militar romana
- 18. Máscara militar romana, sécs. I a III DC
- 19. Mosaico romano com máscaras, séc. II DC.
- 20. Ficoroni, Francesco de. Dissertatio de Larvis Scenicis, et Figuris Comicis Antiquorum Romanorum…, 2ª ed., Roma, 1754

























