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Prazer submerso

H&M

Descabidos, ranhosos, mesquinhos. Uma cacofonia de palpites desconexos. O génio de prever o passado. É o novo maná.

O “desvio à norma” é uma tradição na publicidade, por exemplo em termos de etnicidade, género e ou estética. O anúncio Enjoy the silence, da H&M, convoca uma mulher, que se regera num mar de silêncio. Um caso notável de estetização.

Marca: H&M. Título: Enjoy the silence. Agência: Forsman & Bodenfors. Direção: Amber grace Johnson. Internacional, Maio 2021.

A música do silêncio

Building Instrument. 2013.

Building Instrument. 2013.

As palavras são um milagre e uma poluição. Como o plástico e o monóxido de carbono. O silêncio apraz-se nos países nórdicos. Não sei se é verdade, mas, aqui, a verdade não é critério. Quero também acreditar que a música embala o silêncio. É o caso do trio norueguês Building Instrument (https://tendimag.com/2014/03/28/a-musica-que-veio-do-frio/). Os pastores de rebanhos recorrema aos números para avaliar o desempenho das ovelhas. No que respeita a visualizações na Internet, a notoriedade dos Building Instrument ínfima.

Building Instrument. Bergen Jazzforum. 08 Fevereiro 2013.

Building Instrument. Fall. Kem Som Kan å Leve (2016).

Os três macacos e a violência conjugal

Os três esqueletosFalo pela tua boca e alimento-me do teu medo. “Não ouvir o mal, não falar do mal e não ver o mal”. Os monstros crescem à sombra do silêncio, da cegueira e da surdez. A censura dos sentidos é uma ferida na humanidade.

Partilhamos causas sociais na Internet, incomodamo-nos com os famosos, ignoramos os próximos… Um barco sem âncora nem remos.

A não assistência a pessoa em perigo é punível se, sem perigo grave para si ou para terceiro, se abstiver voluntariamente de prestar ou providenciar ajuda a uma pessoa exposta a perigo grave, independentemente do facto de a situação dessa pessoa ter sido observada por si ou lhe ter sido descrita por aqueles que solicitaram a sua intervenção.
Em caso de não assistência a pessoa em perigo, incorre numa pena de prisão de oito dias a cinco anos e numa multa de 251 a 10 000 EUR, ou apenas numa destas penas. (https://e-justice.europa.eu/content_rights_of_defendants_in_criminal_proceedings_-169-LU-maximizeMS-en.do?clang=pt&idSubpage=5).

protection-femmes-anti-violence-conjugale-violences-conjugales-osez-en-parler

Anunciante: Protection Femmes. Título: Violences conjugales… Osez en parler. Agência: Ben’s Communication. Direcção: Malek ben gaid Hassine. França, 2016.

Silêncio

Estou cansado de falar e não tenho paciência para ouvir. Ler? Ler é acrescentar ao barulho das folhas o barulho das letras, até bocejar. Chegou a hora de embalar, de mansinho, o silêncio.
Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

Bahr Loubnan

Anunciante: Bahr Loubnan. Título: Moment of Silence. Agência: H&c Leo Burnett. Líbano, 2005.

Acordar o silêncio

BullyingTenho andado ocupado a falar. Quinta, sobre o público dos eventos da Capital Europeia da Cultura, no Centro Cultural Vila Flor, sábado sobre as funções e os públicos dos museus, na Casa do Professor, sexta sobre o bullying, no Agrupamento de Escolas de Briteiros. Assim como há impressoras, também há papagaios multifunções. . É engraçado como o acto de falar tem um lado pré-capitalista que o aproxima da economia dos caçadores-recolectores: não se leva nada e com nada se fica, a não ser a leveza dos tesouros simbólicos. Importa falar, mesmo quando as palavras não são de ouro. Em Briteiros, chegou-se à conclusão que o silêncio é um obstáculo e a comunicação, uma solução. Encontrei hoje, por coincidência, este anúncio a sugerir o mesmo: quando o silêncio, seja lá de quem for, é cúmplice, importa dar o alarme.

Anunciante: CKNW Orphans’ Fund. Título: Car Alarm. Agência: Taxi, Vancouver, Canada. Direção: Curtis Wehrfritz. Canadá, Janeiro 2013.