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Sexo com gelo

vigorsol 2Um casal, tango, um piano, sexo. Independentemente da fonte, a frescura glaciar das pastilhas elásticas Vigorsol é extrema. Um casal, tango, um piano, sexo, Vigorsol, dois corpos gelados.

Marca: Air Action Vigorsol. Título: “ICEMAN” (?). Direção: Alex Ronnberg. Produção: Sunny Midha. UK, 2004 ou 2009 (?).

 

Viagra para o Fiat 500

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Administrar Viagra a um Fiat 500 é desperdício. Mais falta faz no orçamento e nos bancos, que, como diz o silêncio, pouca tiveram a ver com a crise. Consta, sábia e politicamente, que a crise é da responsabilidade das famílias que vivem acima das possibilidades e das mordomias do funcionalismo público. Os funcionários públicos são um pau de dois bicos: causa e cura da crise; causa, pelas mordomias e gorduras, cura, com cortes e rescisões! Uma sangria inédita, graças a uma nova estirpe de sanguessugas, para equilíbrio das contas.

Concentremo-nos no anúncio. Associar sexo e automóvel é banal. Quase todo o anúncio é dedicado ao percurso atribulado da pílula de Viagra. De ressalto em ressalto, adquire velocidade num crescendo de nonsense. Um recurso humorística garantido.

Enfim, este anúncio da Fiat é uma boa publicidade ao Viagra. Para além das virtudes em termos de volume e potência, o anúncio, e a odisseia da pílula, inicia com um casal de idade e termina com um jovem garboso. Viagra, o elixir da juventude!

Marca: Fiat. Título: Blue pills. Agência: The Richards Group. USA, Outubro 2014.

Segredos da mente

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O mistério da mente humana assombra, frequentemente, as minhas travessias. Quando isso acontece, visiono duas ou três vezes o anúncio Head, da PlayStation 2, e sigo, revigorado, em frente. Nós somos todos videogamers. Carregar em HD.

Marca: Sony PlayStation 2. Título: Head. Agência: TBWA/Paris. Direção: Thomar Marqué. França, 2006.

O êxtase da batata frita

Hunky DorisA erótica dos alimentos vinga na publicidade. Por exemplo, neste Bath, da Hunky Dorys, acabado de sair. No tempo de Marcel Proust, uma simples madalena inspirava uma epifania. Cem anos depois, uma simples batata frita desencadeia um orgasmo. Apesar da exuberância sensual feminina envolvente, o cúmulo do prazer é o êxtase propiciado por uma batata frita.

Marca: Hunky Dorys. Título: Bath. Agência: McCannBlue (Dublin). Direção: Ritchie Smyth. Irlanda, Setembro 2014.

 

A dança do cabo de vassoura com a zarapilheira

O anúncio francês La Valse à Musette, da Spontex, suscitou polémica por altura do lançamento em 1998 (vídeo 1). É verdade que estamos perante uma paródia, que requer uma leitura de segundo grau. Também é verdade que, apesar da associação do homem ao cabo de uma vassoura, a imagem da mulher resulta sobremodo ridicularizada: uma zarapilheira descartável mergulhada nos estereótipos e preconceitos habituais.

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Marca: Spontex. Título: La Valse Musette. Agência: Ogilvy and Mather. Direção: Etienne Chatiliez. França, 1998.

Choveram protestos. Até se questionou a autorização por parte do Conseil Supérieur de l’Audiovisuel (http://www.csa.fr/Espace-Presse/Communiques-de-presse/Confirmation-du-visa-du-film-publicitaire-La-Valse-musette). Três anos mais tarde, o anúncio ter-se-ia deparado com mais obstáculos. Em 2001, as agências de publicidade francesas assinaram um código de boa conduta, publicado pela Autorité de Régulation Professionnelle de la Publicité (http://www.arpp-pub.org/IMG/pdf/Image_de_la_Personne_Humaine.pdf). Entre as onze medidas previstas, constam as seguintes:

– “Quando a publicidade recorre à nudez, convém zelar para que a sua representação não possa ser considerada degradante ou alienante”;
– “A publicidade não deve reduzir a pessoa humana, e em particular a mulher, à função de objecto”.

Spontex 2

Marca: Spontex. Título: Test. Agência: Jung von Matt. Alemanha, 1998.

À partida, a Spontex, a agência Ogilvy e a realizadora Etienne Chatiliez nada têm contra as mulheres. Elas compõem, aliás, o público-alvo da campanha. No anúncio Test, publicado no mesmo ano na Alemanha (vídeo 2), a Spontex volta a não ter nada, agora, contra os homens, apenas os reduz a uma esponja imprestável. Para completar o castiçal, em 2000, um anúncio espanhol da Spontex, Vaisselle Érotique (vídeo 3), reduz um casal a um par de luvas excitadas.Com ou sem requinte, a Spontex está convencida que o sexo vende. E não é um caso isolado.

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Marca: Spontex. Título: Vaisselle érotique. Agência: Tandem Company Guasch DDB. Espanha, 2000.

A censura e a autocensura existem. Em nome do sagrado, da ordem, da raça, da pátria, dos bons costumes, da protecção dos cidadãos… Outrora, o lápis era azul, agora, o cursor é cor-de-rosa, vermelho, verde… A censura anda por aí! Padroeira das conveniências, tribunal do espírito, jardineira dos valores, alambique da mesquinhez, escudo dos débeis. A censura existe! O sexo, também.

Jogo à portuguesa

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Nos últimos quatro séculos, o que mudou na representação do sexo? Por que motivo a televisão portuguesa dispensa a suposta potência de Paulo Futre e os iconoclastas protestantes toleraram as obscenidades de Hans Sebald Beham?

Marca: Libidium Fast. Título: Paulo Futre. Agência: ExcentricGrey, Lisbon. Portugal, Julho 2014.

A Profilaxia da Luxúria (Para maiores de 18 anos)

07 Nude woman lying asleep on a bed. After Sebald Beham. 1553.

Nude woman lying asleep on a bed. After Sebald Beham. 1553.

Hans Sebald Beham (1500-1550) é um gravurista alemão. Com o irmão, Barthel Beham, e o primo, Georg Pencz, foi considerado herege, “pintor sem Deus”, e expulso, em 1525, da cidade de Nuremberga pelos luteranos. O motivo residia na sua simpatia por Thomas Müntzer, o discípulo mais indigesto de Martinho Lutero. Hans Sebald Beham volta a ser expulso da cidade, em 1528, acusado de plágio de um desenho inédito de Albrecht Dürer.

02 Hans Sebald Beham. Death and the Indecent Pair. 1529

02 Hans Sebald Beham. Death and the Indecent Pair. 1529

As gravuras de Hans Beham são ousadas em matéria de sexualidade. Mas a prática não era rara. Por exemplo, as ilustrações do Romance da Rosa ultrapassavam-nas em fantasia e evidência. Configuram um apelo a Sodoma e a Gomorra? Hans Sebald Beham era religioso, cristão temente de Deus. Gravou dezenas de imagens de santos. Não existiam ateus no tempo de François Rabelais (Lucien Febvre). Ainda menos entre os seguidores de Thomas Müntzer, “teólogo da revolução” (Ernst Bloch).

03 Hans Sebald Beham. Morte e Três Mulheres Nuas. 1540.

03 Hans Sebald Beham. Morte e Três Mulheres Nuas. 1540.

Estas imagens querem-se profilácticas. Não seduzem, esconjuram! Mostram o mal, para o evitar. Quanto mais chocantes, mais eficazes. Caso contrário, como explicar a profusão de diabos nas iluminuras medievais? A profilaxia pela imagem precedeu a catequese pela imagem. “Para maior glória de Deus”. Os desígnios do Senhor são insondáveis…

04 Hans Sebald Beham. O Bobo no Banho de Mulheres. 1541

04 Hans Sebald Beham. O Bobo no Banho de Mulheres. 1541

Nas gravuras de Hans Sebald Beham, o corpo nu não vale pelo nu mas pela carne pecadora, irredutível ao nu estético e depurado da antiguidade clássica e do renascimento italiano.

05 Hans Sebald Beham. Three women in the bath-house. 1548.

05 Hans Sebald Beham. Three women in the bath-house. 1548.

 

 

Máquinas desejadas

Old Spice. Soccer 2

Mais um cheirinho a  Old Spice. Regressa a aposta num protagonista biomecanóide. Uma figura com séculos,  mas, hoje, particularmente infestante. À dita pós-modernidade associam-se duas multiplicidades: a do ser múltiplo e a do ser multiplicado. O ser multiplicado é o maná das identidades líquidas e fragmentadas: uma dúzia (pós-moderna) a agarrar o presente e apenas uma (moderna) a pagar impostos!
Comparando com o artigo anterior (http://tendimag.com/2014/07/25/pos-modernidade-vitoriana/), suspeita-se que, na pós-modernidade modernamente assistida, o que está em voga não é a carne (censurada), mas a máquina (desejada). A tragédia grega tem o coro, Pinóquio, o Grilo Falante e eu, o Demónio Céptico, demónio que me anda a tentar: “a pós-modernidade é, antes de mais, o pós-modernismo, e o pós-modernismo, um movimento intelectual profético, a grande narrativa contemporânea”.

Marca: Old Spice. Título: Soccer. Agência: Wieden+Kennedy USA. USA, Julho 2014.

Pós-modernidade vitoriana

Quem diria que a pós-modernidade era vitoriana!

A sociedade vitoriana “estava cheia de moralismos e disciplina, com preconceitos rígidos e proibições severas . Os valores vitorianos podiam classificar-se como ‘puritanos’” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_vitoriana).

O sexo era encarado como animalesco, e assim era tratado, com hipocrisia: a prostituição alastrava nas ruas de Londres: 1 200 prostitutas e 63 bordéis só em Whitechapel, um dos bairros mais pobres do East End de Londres.

Alexandria Morgan

Alexandria Morgan

Passado um século, no anúncio da TomTom, a modelo norte-americana Alexandria Morgan “runs strapless”. A empresa  inventou um dispositivo (em forma de relógio com GPS), chamado Runner Cardio, com um medidor de pulsações que substitui as bandas para o peito. É certo que, ao visionar o anúncio, o espectador fica suspenso do bailado dos peitos. É raro encontrar-se linguagem corporal tão comunicativa. E os responsáveis, o que podem fazer? O mais avisado é censurar, ou seja, proibir. Banned forever! O diácono remédios é capaz de explicar. A bitola da censura aperta-se. O mal não está em ver, mas em imaginar. Velai por nós. Que fazer com a Madonna? E com a Lady Gaga? E com a Bjork? E com Miley Cyrus? São mamas artísticas? E as da Alexandria são apenas carnais…

Viver na pós-modernidade é um privilégio: poder financeiro ostensivo, narrativa sem falhas da tecnocracia, censura indiscreta… Sempre que leio os teóricos fico extasiado. Tanto milhão de anos para chegar aqui! Um dia destes, quando crescer, também hei-de ser pós-moderno.

Marca: TomTom. Título: Alexandria Morgan run strapless. Agência: DDB/Tribal Worldwide. Julho 2014.

Better than sex

Menir do Outeiro. Reguengos de Monsaraz

Menir do Outeiro. Reguengos de Monsaraz

Um anúncio como já não estava à espera: embalado em sexo, com ou sem cosméticos. Bem feito.

Marca: Better then sex, Título: Duty to please your beauty. Agência: Standard Time. Direcção:  Elliot Dillman / Bankrupt Films. USA, Junho 2014.