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Teño Morriña, teño saudade. Un canto a Galicia.

Eduardo Kingman (1913-1998) "El duelo".

Eduardo Kingman (1913-1998). “El duelo”.

Em conversa com um galego, afirmo:
– Não costumo seguir a moda.
Responde:
– É uma lástima! Os outros vão de carro e tu vais a pé.

A minha voz pede outras línguas. Sinto saudades da Galiza! Cresci junto à Galiza, e não o esqueço. Apraz-me republicar, com pequenos retoques, o artigo Um Canto a Galiza.

Faz tempo que não vou à aldeia. Criança, mal abria as janelas do quarto, a Galiza, como o Melro de Guerra Junqueiro, dava-me bons dias. Mais quatrocentos metros e nascia galego. Aprendi cedo, com a ferrugem dos anos, o que significa a interculturalidade. “Vendo-os assim tão pertinho / A Galiza mais o Minho / São como dois namorados / Que o rio traz separados / Quasi desde o nascimento… (João Verde, Ares da Raya, excerto). Gosto de poesia, de verdades sentimentais. João Verde escreve: “Que o rio traz separados”. O Minho não separa, une! Nas ruas de Melgaço, Monção, Valença, Cerveira e Caminha fala-se tanto português como galego. E come-se bacalhau!

Uma cantiga com a voz de Luz Casal, a gaita-de-foles de Carlos Nuñez e a poesia de Rosalía de Castro é uma Negra Sombra abençoada. Festiva é a interpretação ao vivo de Mar Adentro por Carlos Nuñez. E, para que não digam que não trago nada de novo, acrescento a canção tradicional galega Camariñas, interpretada por Luz Casal com Luar na Lubre.

Não há três sem quatro. O Álvaro Domingues sugeriu uma canção em galego interpretada por Teresa Salgueiro com a colaboração de Carlos Nuñez. Uma sugestão oportuna.

Luz Casal & Carlos Nuñez. Negra Sombra. Poema de Rosalía de Castro.

Carlos Nuñez. Mar Adentro. Ao vivo em Vigo.

Camariñas, canção tradicional galega interpetrada por Luz Casal & Luar na Lubre.

Teresa Salgueiro & Carlos Nunez. María Soliña. Teresa Salgueiro. Obrigado. 2005.

Saudades

braccelli-p-42

Braccelli, Giovanni Battista (1624). Bizzarie di Varie Figure. Livorno. p. 42.

“Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram! O que eu sinto quando penso no passado, que tive no tempo real, quando choro sobre o cadáver da vida da minha infância ida…, isso mesmo não atinge o fervor doloroso e trémulo com que choro sobre não serem reais as figuras humildes dos meus sonhos” (Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa. Lisboa, Ática, 1982).

“Insiste-se no sentimento de falta a propósito da saudade. Às vezes, o motivo também é o excesso, a imensa vontade de dar e não ter quem receba” (Albertino Gonçalves).

Andrea Bocelli. Con te Partiro. 2015.

Abraços

Esgotam-se as fontes de carinho. De tanto correr, secam. Convertem-se em cruzes. Um gesto, um olhar, uma palavra… Um abraço. Como são imateriais os abraços da saudade! Solos de alaúde sem cordas… Na Idade Média também conheciam o prazer do abraço. Tanto corpo contra tanto corpo! Seguem um solo de alaúde com cordas e três abraços medievais. Um lembra o Beijo de Klimt. Todos davam belos postais ilustrados.

Teledesejo

Max Klinger. Penelope. 1895.

Max Klinger. Penélope. 1895.

Penélope transformou o teledesejo em tapeçaria. Na Idade Média, os cavaleiros andantes queriam-se teledesejantes. A saudade é  teledesejo embalado no colo dos dias vazios. E, no entanto, os corpos movem-se. Mas o desejo voa!

Chris Peters. At Rest.

Chris Peters. At Rest.

José Afonso, Menina dos Olhos Tristes, 1969.