Às voltas. O Ouroboros

A propósito da folia, música e dança de origem portuguesa (ver A folia portuguesa), comentou-se que continuava a inspirar novas versões, aludindo a Rita Ribeiro a um grupo célebre, sem, contudo, se lembrar do nome. Tão pouco consigo adivinhar.
Posteriormente, acudiu-me que a Rita talvez estivesse a pensar nos britânicos Penguin Cafe Orchestra. Por acaso, dias antes, ao escutar o álbum Ummagumma (1969), dos Pink Floyd ,tinha-me ocorrido que a música “The Narrow Way, Part I” prenunciava um pouco o estilo dos Penguin, cujo primeiro álbum, Music from the Penguin Cafe, foi lançado em 1976.
Às voltas com a noção de circularidade na teoria do imaginário do Gilbert Durand, a música Perpetuum Mobile, dos Penguin, acabou, também, por ressoar nos meus ouvidos.
Enfim, penso ilustrar, numa próxima comunicação, a referida noção de circularidade com a gravura do M. C. Escher “Um Encontro” (1944), que, por sinal, é capa do livro da Rita As lições dos aprendizes (2001)…

Tantas voltas que a serpente, o Ouroboros, dá! Até acaba por morder a própria cauda, renovando o ciclo.
A festa da Bugiada e Mouriscada de S. João de Sobrado
Sobrará, ainda em férias, alguma disponibilidade para dar uma vista de olhos a um documentário extenso?
Fiz parte da equipa do projeto Festivity, coordenado pela Rita Ribeiro, que concretizou, em 2023, um livro e, em 2024, um documentário, ambos dedicados à festa da Bugiada e Mouriscada, que ocorre na véspera do S. João, na freguesia de Sobrado, concelho de Valongo. Trata-se de uma festa grandiosa e incrível, ímpar do ponto de vista estético e da adesão popular.
Seguem o documentário Bugiada e Mouriscada de Sobrado: a festa e quem a faz e o capítulo “Os serviços da tarde na Festa de S. João de Sobrado: A bênção escatológica num mundo às avessas”, do livro São João de Sobrado. A festa da Bugiada e Mouriscada.
Homenagem (29.11.2022)

Depois da homenagem, resta o registo com quase três horas de duração. Recomendava-se a montagem do vídeo com cortes, colagens, focagens e legendas, mas o software habitual teimou em encadear erros e abalar a paciência. É verdade que o original pesava mais de 25 GB. Segue, portanto, o registo integral, bruto, da câmara de filmar, apenas convertido a um formato vinte vezes menos pesado (1,36 GB).

Torna-se assim possível visionar a sessão a modos como sentado no lugar fixo da câmara, com a vantagem de saltar ou rever esta ou aquela passagem. Infelizmente, o som podia ser melhor, designadamente nas intervenções com recurso ao microfone. Foi esquecimento não colocar o microfone da câmara de filmar na mesa. Tal como uma fotografia de um filme perde nitidez, a gravação através de uma câmara de filmar de um som emitido por colunas perde qualidade porque as ondas são distintas.

Agradeço a iniciativa do Departamento de Sociologia, da Câmara de Melgaço e do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, a disponibilidade do Museu de Arqueologia Diogo de Sousa, as intervenções de Alexandra Lima, Carlos Veiga, Manoel Baptista, Madalena Oliveira, Moisés Martins e Álvaro Domingues, a interpretação do Francisco Berény Domingues, a presença do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e a dedicação da Rita Ribeiro, do Joaquim Costa e da Alice Matos.
Anexo o vídeo com quase toda a sessão. A parte em falta, com as primeiras danças do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e a receção por parte da direção do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, está disponível no seguinte link: https://tendimag.com/2022/12/05/grupo-etnografico-da-casa-do-povo-de-melgaco-inicio-da-homenagem/.
Índice
Abertura:
Joaquim Costa (Departamento de Sociologia) – 00:.0:40
Carlos Veiga (Departamento de Sociologia) – 00:05:10
Manoel Baptista (Câmara de Melgaço) – 00:18:33
Madalena Oliveira (Centro de Estudos Comunicação e Sociedade) – 27:24
Apresentação:
Moisés de Lemos Martins (Universidade do Minho) – 00:37:38
Moderação:
Alice Matos (Departamento de Sociologia) – 01:06:36
Lição “O Olhar de Deus na Cruz: o Cristo Estrábico“:
Albertino Gonçalves – 01:08:30
Momento musical:
Francisco Berény Domingues (Guitarra) – 01:49:09
Testemunho:
Álvaro Domingues (Universidade do Porto) – 02:02:52
Oferta:
Daniel Noversa (Doutoramento em Estudos Culturais) – 02:14:28
Apresentação do livro Sociologia Indisciplinada
Rita Ribeiro (Departamento de Sociologia) – 02:16:22
Dança (2ª parte):
Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço – 02:22:24
(re)encontro

O Departamento de Sociologia da Universidade do Minho, a Câmara de Melgaço e o Centro de Ciências em Comunicação entenderam por bem dedicar-me um momento de convívio na próxima terça, dia 29 de novembro, às 17:30, no museu D. Diogo de Sousa, em Braga. Suspeito que será mais uma festa do que uma cerimónia, menos fim de percurso e mais uma nova fase: “o primeiro dia do resto da vida”. Estou, em boa hora, aposentado, mas não arrumado. Intervêm Carlos Veiga, Manoel Batista, Madalena Oliveira e, em particular, Moisés de Lemos Martins, Álvaro Domingues, Rita Ribeiro, o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e Francisco Berény Domingues. Alice Matos e António Joaquim Costa aceitaram moderar. Pelo meio, ensaiarei corresponder com um pequeno arremedo de aula para enganar saudades. Após a apresentação do livro Sociologia Indisciplinada, será servido um alvarinho de honra, com roscas de Melgaço.


Venha! Se é antigo aluno, traga, propiciando-se, um docinho para saborear o reencontro: um charuto, de Arcos de Valdevez; uma queijada, de Barcelos; uma sameirinha ou uma tíbia, de Braga; um miguelito, de Cabeceiras de Basto; um caminhense ou cerveirense, de Caminha ou Cerveira; uma passarinha ou um sardão, de Guimarães; uma fatia de bucho doce, de Melgaço; um biscoito de milho, de Paredes de Coura; um magalhães, de Ponte da Barca; uma castanhola, de Ponte de Lima; uma rocha do pilar, da Póvoa de Lanhoso; um beneditino, de Terras do Bouro; um sidónio ou uma bola de Berlim, de Viana do Castelo; uma broinha de amor, de Vila Verde… Com alvarinho, tudo cai bem!
