Continuar a andar

Acabei um texto, “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, para um jornal e estou a acabar a revisão de outro, “A melancolia académica na viragem do milénio”, para o prefácio de um livro. Andavam atravessados a desviar-me. Para já, retomo o meu andar. Devagar, não obstante o futuro não esperar.
Marca: Johnnie Walker. Título: Human (The Android). Agência: BBH London. Direção: Dante Ariola. Reino Unido, 2006.
Bons e Simpáticos
Ser bons e simpáticos não basta, pois não? No presente tal como no passado e, provavelmente, no futuro.
Libera
“O mundo pula e avança / Como bola colorida / Entre as mãos de uma criança” (António Gedeão).
Reincidências

Tenho hesitado em colocar algumas músicas do álbum homónimo dos Deep Purple (1969). Menos célebre que os seguintes Deep Purple in Rock (1970) ou Machine Head (1972), não desmerece. Com trejeitos de rock sinfónico, aproxima-se da sonoridade, então corrente, de bandas como os Moody Blues ou os Pink Floyd. Algumas faixas surpreendem.
Os Deep Purple marcaram os anos setenta. Como não me movem as circunstâncias, nem encaro a idade ou a história como aperfeiçoamento, os anos setenta não possuem, à partida, nem menos nem mais valor que os 2020. Uma vez embarcado na máquina do tempo, tanto me seduzem progressos como regressos. Não me importo, portanto, de reincidir. Hoje, proporcionou-se começar o dia com a canção “Lalena” dos Deep Purple (um cover do original de Donovan).
Tempo para tudo

Ter todo o tempo do mundo pode ser bom!
Ter tempo para tudo talvez não seja pior! Até para tentar tempos alheios. Se os Slow Show lembram Roger Waters, os Elbow lembram Peter Gabriel.
Rendimentos marginais. The Slow Show

A virtude da errância, de errar perdidamente, reside em poder acertar no imprevisto, acrescentar, por ventura, um pouco de prazer ao prazer. Os Slow Show lembram-me, com ou sem razão, Roger Waters.
Cinco Zero 7

Após uma semana complicada muito fica por fazer. Mas apetece-me ouvir música: muita, sedosa, original e rara. A exposição Vertigens do Barroco, no mosteiro de Tibães, em 2007, incluía dois ecrãs: um grande, com anúncios, na “sala das emoções confortáveis”, e outro, maior, com vídeos musicais, um dos quais pertencia aos Zero 7 (Futures, 2006). Se não conhece este grupo britânico, invejo-lhe o prazer da descoberta..
Mãos

Numa apresentação dedicada às esculturas tumulares, releva-se o papel das mãos. Afirmam-se cruciais na comunicação, nomeadamente de disposições e emoções humanas. A arte privilegia-as. Recorde-se, por exemplo, Albrecht Dürer ou Auguste Rodin. O anúncio Christmas Nailed, da Tk maxx, confirma esta importância.
(En)canto
Há quem não aprecie os Pink Floyd, embora o grupo tenha passado por fases e criado canções para quase todos os gostos. No que me respeita, representam uma banda presente em momentos marcantes, inaugurais. Juntos pela última vez durante o Live 8, no Hyde Park, em 2005, abriram o pequeno concerto com Speak to me / Breath. Um (en)canto biográfico.
Egoísmo elegante

Na adolescência, quando regressava de férias a casa, a minha priminha corria a meu encontro e perguntava: “O que é que me trouxeste?” Respondia-lhe invariavelmente: “Um nada muito bonito”. Devia ter registado a patente. Para o Natal de 2013, a cadeia de lojas britânica Harvey Nichols concebeu uma coleção de prendas insignificantes com marca de luxo: palitos, elásticos, clips, devidamente etiquetados e embalados. O mote era simples e atraente: Sorry I Spent It On Myself, ou seja, não há nada como investir o máximo no próprio e deixar o resto para os outros, incluindo os mais íntimos. Antes de pensar duas vezes, pense primeiro em si! Escusado será acrescentar que a campanha foi premiada e bem-sucedida.
