Vacinas e chaves

Resulta cada vez mais difícil discernir o que provém da Inteligência Artificial. Na verdade, a “extensão do humano” não para! Antes, acelera. Que não se frature ou estampe. Por enquanto, o “demasiado humano”, as emoções e o delírio continuam de vento em popa, com as bombas a abafar cada vez mais as palmas.

O desenvolvimento da lA incentiva a busca de redutos e vacinas. A World oferece-se como uma plataforma que visa “criar provas de personalidade à escala global, proteger a identidade humana e expandir o acesso a um ecossistema que preserva a privacidade”.
Rostos gerados com recurso à IA a partir de obras de Otto Dix
Segue o anúncio “Human And You Know It”, da World, que retoma a canção tradicional “If you’re happy and you know it”.
Estrela d’Alva

A Estrela d’Alva está particularmente brilhante. A privacidade e a liberdade parecem em quarto minguante. Mais exposição e controlo e menos expressão e tolerância. Em nome de direitos, negócios, costumes e ideais. Sopram ventos de sonolência confortável. Dorme meu menino, mas cuida da Estrela d’Alva. Não a deixes murchar!
Pescoços de borracha. A curiosa arte de espreitar

Hoje, vi apenas dois anúncios. Convergem num mesmo trejeito ou propensão: da Tailândia ao Perú, o que está a dar é espreitar, espreitar aquilo que os outros possuem, fazem e sentem (vídeos 1 e 2). A privacidade e a intimidade resumem-se, quando muito, a nomes de perfumes que desmaiam no ar do tempo. A continuar deste jeito o ser humano conhecerá uma nova alteração darwiniana: pescoços de borracha (Rubberneckers, “curiosos”; vídeo 3).
Rubbernecker (Murray Head)
He is a rubbernecker
A human double-decker
Another trouble-checkerHanging around the scene of the crime
He’s got nothing to say tho’ he’ll get in the way
Cos that’s how he likes to spend his time
RubberneckerHe is a rubbernecker
A watch in any weather
He gets sadistic pleasure
Knowing he’s O.K., and free of blame
He saw it all happen, but he don’t know why
He’s glad he was there all the same.
RubberneckerOh god it’s hard to see ourselves when we’re to blame
For watching someone else do what we cannot do
For shame, for fear or pride, as long as we can hide.
RubberneckerHe is a rubbernecker
A human double-decker
Another trouble-checkerThe ever silent witness on the side
He likes to stand and stare and sniff the atmosphere
Don’t ask him for support he’s a watchman not a guide.
Rubbernecker
Risoterapia. O consumo do riso

A cidade de Braga vai acolher, no dia 17 de janeiro, na Avenida Central, a partir das 11h00, uma sessão de risoterapia. A iniciativa, organizada pelo grupo de formadores ‘E na Prática?’, conta com o apoio do Município de Braga e pretende assinalar o Dia Internacional do Riso, que se celebra a 18 de janeiro (https://ominho.pt/braga-recebe-mega-sessao-de-risoterapia/).
Nada escapa ao riso. Nada? Nada o diminui? Talvez o Dia Internacional do Riso, a 18 de Janeiro. Quem abençoa, submete. Não é oportuno comemorar o riso? Sem dúvida, para quem gosta de embrulhar o riso com discursos, cercas e palmas de conveniência. O riso dispensa a atenção. Quanto mais solto e vigoroso, melhor.
Está na moda a risoterapia. Pelos vistos, o riso precede a fala. No bebé e na espécie humana, na ontogénese e na filogénese. Nascemos para rir! Precisamos, pelos vistos, de aprender a rir. A gargalhar, por exemplo. Aprender, sobretudo, a estimular o diafragma, acelerar os pulmões, contrair o abdómen e contorcer a face. Não se aprende, dizem os sábios, sem palavras. Neste caso, conceitos como endorfinas, neurónios e sinapses afirmam-se relevantes. Mais do que aprender a rir, precisamos de aproveitar o riso, torná-lo funcional. O riso tem virtudes que não devemos desperdiçar: deprime os ansiosos; excita os deprimidos; emagrece e rejuvenesce. Limpa por dentro e lava por fora.
Urge aprender a rir. Rir como a mulher do anúncio Inside Joke, da Apple, que vê para dentro (privado) e ri para fora (público). Acrescento um vídeo com uma lição de risoterapia, do Instituto Mongeral Aegon. Estou servido, vou eleger o anúncio da Apple como aula prática e a lição do Instituto Mongeral Aegon, como aula teórica.
P.S. Importa rir com moderação. O excesso de riso pode provocar hérnias e doenças graves. O riso constitui, de longa data, tema da publicidade. No anúncio Armchair (2005), da Paramount Comedy, o protagonista “morre a rir” (https://tendimag.com/2014/08/21/morrer-a-rir/).
