Portinari e o burro montado às avessas
Estou a ler teses, relatórios e trabalhos práticos. “Não há coisa mais gostosa no mundo”, diria Sancho Pança! Quero acreditar que quanto mais um professor é “experiente” mais tende a aprender com os alunos. Entre outras razões, porque lhes dá a oportunidade.
Hoje, aprendi com o trabalho de uma aluna dedicado ao pintor Cândido Portinari e ao estilista Ronaldo Fraga. No trabalho, aparece em duas pinturas de Portinari o motivo do burro montado às avessas (ver figuras 1 e 2). A aluna não o relevou. Não vinha a propósito. Mas há quem ande às voltas com a figura do burro montado às avessas. Atente-se nos seguintes artigos:
Máscaras – Bugiada e James Ensor: https://tendimag.com/2015/03/26/mascaras-bugiada-e-james-ensor/
O burro e a violência doméstica: https://tendimag.com/2015/03/29/o-burro-e-a-violencia-domestica/
Sileno, o vinho e o burro: https://tendimag.com/2015/03/28/sileno-o-vinho-e-o-burro/
Tolos e burros: https://tendimag.com/2015/02/19/tolos-e-burros/.
“Cândido Torquato Portinari, um dos doze filhos de uma família humilde de imigrantes italianos, nasceu em 30 de dezembro de 1903 em Brodowski, interior de São Paulo. É um dos mais importantes ícones da arte moderna brasileira com quase 5 mil obras (…)
Em 1929, Portinari instala-se em Paris, conhece movimentos artísticos como o expressionismo e surrealismo. Mesmo como bolsista não mantém uma boa produtividade criativa mas vive um momento decisivo para a definição do seu estilo. A distância da terra natal despertou no pintor saudosismo e admiração por sua origem o que será uma das características mais fortes de sua obra. O que pode ser observado na carta enviada à Rosalita Almeida:
“Daqui fiquei vendo melhor a minha terra – fiquei vendo Brodowski como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada… Vou pintar o Palaninho, vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor. Quando comecei a pintar senti que devia fazer a minha gente e cheguei a fazer o “baile na roça”. Depois desviaram-me e comecei a tatear e a pintar tudo de cor – fiz um montão de retratos. Eu nunca tinha vontade de trabalhar e toda gente me chamava preguiçoso. Eu não tinha vontade de pintar porque me botaram dentro de uma sala cheia de tapetes, com gente vestida à última moda… […] Uso sapatos de verniz, calça larga e colarinho baixo e discuto Wilde, mas no fundo eu ando vestido como o Palaninho e não compreendo Wilde”.Retorna ao Brasil em 1931, e inicia sua participação no movimento modernista brasileiro (…) Portinari, em 1932, apresenta sua primeira exposição com em torno de 60 obras inspirada na sua memória de infância. Naquele momento confirma o desejo que tinha de formatar uma arte genuinamente brasileira, retratar nos quadros sentimentos e memória da sua origem.
Nesta fase, é um artista que retrata com cores terrosos, contrastes entre a paisagem e a figura humana, traços borrados as vivências e paisagens da terra onde nasceu. É o estilo revelado em suas obras após o retorno da Europa. Cenas da sua infância simples e interiorana, como o Circo, o Futebol e a Festa em Brodowski” (Da Costa, Patrícia Pereira Cardoso, 2017, Análise Cândido Portinari X Ronaldo Fraga, Trabalho para a disciplina Sociologia e Semiótica da Arte, Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, Universidade do Minho, p. 5 a 7).
Nos anos trinta, Cândido Portinari produziu uma série de quadros envolvendo o ambiente do Circo. Em alguns destes quadros, sobressai a figura do burro montado às avessas, símbolo, pelo menos desde a Antiguidade, de desordem, caos e inversão do mundo. Nos circos de Cândido Portinari, os burros são montados por palhaços ou arlequins; na Antiguidade, pelo bêbedo Sileno, na Idade Média, por um falso arcebispos eleito para rir e nas Bugiadas de Sobrado, por um camponês mascarado. Tudo figuras da desrazão transitória e marginal.
Se convocarmos a gravura de Goya, Tu que no puedes (Figura 6), insinua-se uma dúvida incómoda: o que vale mais, montar burros às avessas ou carregá-los às costas, como tantos carregamos?
A relatividade da avaliação
Diz-se que Vincent Van Gogh nunca vendeu um quadro em vida. Diz-se, também, que vendeu um único quadro: A Vinha Vermelha (Figura 0), datado de 1888, por 400 francos. Van Gogh consta, hoje, entre os pintores mais caros. Os quadros que Van Gogh não conseguiu vender no final do século XIX batem recordes um século mais tarde (ver Galeria de Imagens); por outro lado, a única obra que vendeu não figura entre as mais reputadas. A arbitrariedade e a avaliação andam de braço dado.
Segue uma galeria de imagens com algumas das obras mais caras de Van Gogh. A informação sobre o preço e a data de venda foi retirada da página Quora: https://www.quora.com/How-much-is-a-Vincent-Van-Gogh-painting-worth-in-2015-Are-some-worth-more-than-others.
Galeria de quadro de Vincent Van Gogh com preços de venda.
- 01. Vincent Van Gogh. Cottage with Trees. 1885. Sold for $960,000 in 2015.
- 02. Van Gogh. Landscape with Stormy Sky. 1888, Sold for $50 million in 2015.
- 03. Van Gogh. Les Alyscamps. 1888 Sold for $66.3 million in 2015.
- 04. Van Gogh. Portrait of Dr. Gachet. 1890. Sold for $82.5 million in 1990.
- 05. Van Gogh. A Wheatfield with Cypresses, 1889, Sold for $57 million in 1993.
- 06. Van Gogh. Irises. 1889. Sold for $53.9 million in 1987.
- 07. Van Gogh. Portrait of Joseph Roulin. 1888.Sold for $58 million, in 1989.
- 08. Van Gogh. Vase with Fifteen Sunflowers. 1888. Sold for $39.7 million in 1987.
A tentação surrealista: António Pedro
Para variar, já fez sol em Moledo do Minho. Nada como um cigarro! Em frente, do outro lado da rua, a casa de António Pedro. Nascido em 1909, “o gigante esquecido” (Vasco Rosa, Jornal Observador, 17 de Agosto de 2016) é uma figura incontornável da arte portuguesa do século XX. De muitos modos e feitios. Foi pintor, escultor, escritor, poeta, dramaturgo, encenador, jornalista, radialista, galerista… Passou a infância em Moledo do Minho, estudou na Galiza, em Coimbra e em Lisboa. Entre 1934 e 1935, viveu em Paris, tendo frequentado o Instituto de Arte e Tecnologia da Universidade da Sorbonne. Junto com 25 artistas dos movimentos surrealista e Dada, entre os quais Joan Miró, Hans Harp, Sonia Delauney, Marcel Duchamp, Wassily Kandisnky e Francis Picabia, assinou, em 1936, o Manifeste Dimensioniste (carregar para aceder ao pdf). Em 1941, expõe a sua obra no Brasil. Entre 1944 e 1945, foi cronista e crítico de arte na BBC, em Londres.

02. António Pedro, Refoulement, 1936.
Em 1933, cria a Galeria UP, a primeira a acolher em Portugal uma exposição de Helena Vieira da Silva (1935). Em 1940, participa, com dezasseis pinturas, na realização da primeira exposição surrealista em Portugal, na Casa Repe em Lisboa. Em 1947, integra o Grupo Surrealista de Lisboa.

04. António Pedro. O anjo da guarda. 1939.
Homem de teatro, foi director do Teatro Apolo, em Lisboa. Foi fundador e director, entre 1953 e 1962, do Teatro Experimental do Porto. Entre vários textos dramáticos, escreveu a Comédie en un acte. Viveu os últimos anos em Moledo do Minho onde faleceu no dia 17 de Agosto de 1966. Para uma apresentação mais detalhada e circunstanciada, sugiro o artigo “António Pedro Pintor”, de José-Augusto França, publicado na revista Portuguese Cultural Studies 5, Spring 2013 , bem como o vídeo António Pedro Presente! I apresentado, também, por José-Augusto França e publicado pela Companhia de Dança de Lisboa (ver vídeo 1).

05. António Pedro. Ilha do Cão. 1940. Ver vídeo 2.
Pesquisar imagens da arte portuguesa manifesta-se, muitas vezes, frustrante. Poucas estão acessíveis na Internet e com fraca resolução. Às vezes, só com a ajuda de uma lupa. Não sei se é por causa dos direitos, se é por causa dos tortos. Aposto nos tortos, mais precisamente, na aristocracia dos direitos e na irresponsabilidade dos tortos. No que respeita à obra de António Pedro, fiz o que pude, nem sempre bem. Vale a dezena de vídeos publicados pela Companhia de Dança de Lisboa.
Está fresco em Moledo. Apago o cigarro. António Pedro fumava. As andorinhas continuam a voar em bando à volta da sua casa.
António Pedro: Galeria de Imagens
Vídeo 1. ANTÓNIO PEDRO – 1909 / 1966 – Presente! ( I ). Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 2. António Pedro – Óleos sobre tela, 1936 / 1946. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 3. António Pedro – Óleos sobre Tela – 1944, 1939 e 1936. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 4. “Tríptico solto de Moledo” 1943 – António Pedro. Companhia de Dança de Lisboa.
Vídeo 5. ” Paz Inquieta “- 1940 – António Pedro. Companhia de Dança de Lisboa.
Deste lado da lua
Roberto Chichorro é um pintor moçambicano radicado, a partir dos anos oitenta, em Portugal.
Nos seus quadros, aluados, a vida não adormece, prolonga-se pela noite dentro, morna e mágica.
Lembra Marc Chagall, mas em versão mais colorida e mais voluptuosa.
Álvaro Lobato de Faria caracteriza bem a pintura de Chichorro no seguinte texto: http://defesesfinearts.com/2011/01/mac-lisboa-agua-de-cheiro-po-de-arroz-em-tempo-de-beija-flor-e-papagaio-de-papel/, que passo a citar:
“Chichorro não representa. Cria mundos. Abre-nos frestas de portas. E acorda em nós o desejo de espreitar. Vermos sem sermos vistos. Sermos de novo meninos, em noite escura de insónia ou de bicho papão, à procura de um mundo de luz e cor que não é nosso, para espantar o medo. / O nosso reino de fantasia, denso e subtil, realista e fantástico, onde os homens ensinam os bichos e os bichos aprendem a ser homens, na festa das cores da vida. / Aqui tudo se passa à noite. Nunca amanhece. Mas não existe tristeza, só nostalgia…” (Álvaro Lobato Faria).
A página Movimento Arte Contemporânea contém cerca de uma centena de imagens de quadros de Roberto Chichorro. Segue um pequeno documentário e uma galeria de imagens.
Exposições Roberto Chichorro no Porto e Lamego @ Canal 180.
Galeria com imagens de quadros de Roberto Chichorro.
- 01. Roberto Chichorro., Janela com gato emulher devermelho. 2010.
- 02. Roberto Chichorro. Acordes em Azul com Flores. 2008.
- 03. Roberto Chichorro. Festa circense. 2013.
- 04. Roberto Chichorro. Festa em Noite Suburbana. 2010.
- 05. Roberto Chichorro. Memórias de Cabra Cega. 2009.
- 06. Roberto Chichorro. Noivamento com beija-flor em noite de muitos sonhos.
- 07. Roberto Chichorro. Namoro Embandeirado por Pássaros. 2011.
- 08. Roberto Chichorro. Oferendas. 2009.
- 09. Roberto Chichorro. Regresso Musicado. 2008.
- 10. Roberto Chichorro. Sapato cor de rosa para dia de casamento. 2008.
- 11. Roberto Chichorro. Sonho de Columbina. 2010.
- 12. Roberto Chichorro. Venda de Sonhos. 2009.
- 13. Roberto Chichorro. Guitarrista.
- 14. Roberto Chichorro. Rodar de Pião.
- 15. Roberto Chichorro. Sem título. 1999.
- 16. Roberto Chichorro. Sonho circense com lágrimas. 2006.
- 17. Roberto Chichorro.
- 18. Roberto Chichorro.
Aproximar
O excesso de álcool é amigo do sono. O “artista”, consumidor moderado, pinta os corpos dos amigos adormecidos. As pinturas, graffiti sobre pele, adaptam-se ao corpo com humor. O anúncio Be the artist, not the canvas, da Steinlager, aborda, assim, com boa disposição, um comportamento socialmente indesejado: o alcoolismo. Não precisa de indispor a tela, nem o artista, nem o público. As pinturas não estigmatizam, convocam e tribalizam. Aqui, o lúdico dispensa diabolizações e maniqueísmos. Quem bebe em excesso é envolvido numa homeopatia sem catarse, que chama sem afastar e convence sem anular. Uma opção rara na publicidade de consciencialização. Curiosamente, este é um anúncio a uma marca de cerveja. Leão de Ouro em Cannes!
Marca: Steinlager. Título: Be the artist, not the canvas. Agência: DDB New Zealand. Direcção: Pippa Lekner. Austrália, Outubro 2013.
Com um brilho nos olhos
Eu não gosto de fazer nada, mas não me importava de ter feito este anúncio. E sugerir a cada um dos milhões de espectadores: tu não és cinzento, mereces um Golf! E deixá-lo com um brilho nos olhos, daqueles que iluminam o ego. Este anúncio não precisava do prémio em Cannes para se impor como uma excelente peça de comunicação.
Marca: Golf. Título: La Galerie d’art. Agência: DDB. Direcção: Xavier Giannoli. França, 1999
O Riso na Pintura: Sécs. XV a XIX.
Na arte ocidental, o riso é um hóspede esporádico. É rara a figura que ri e, sobretudo, que gargalhe. Segundo os sábios sisudos, “o riso é a trombeta da loucura”, o oposto da razão: “Tenho a certeza que, desde que pude fazer pleno uso da minha razão, nunca mais ninguém me ouviu rir” (Philip Chesterfield, Letters to his Son. Letter XXXII, 1748). Como diz o provérbio, “muito riso, pouco siso”. Há, porém, quem, como Erasmo de Roterdão, partilhe uma visão positiva e corrosiva do riso: “Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe” (Vladimir Nabokov, Strong Opinions, 1962, p. 53: http://pt.scribd.com/doc/163217619/Vladimir-Nabokov-Strong-Opinions). Excetuando um ou outro pintor flamengo, a paleta dos artistas é sóbria: furtam-se a estampar o riso nas suas telas. Em pose para a eternidade, ninguém quer adoptar a aparência da insanidade ou da inconveniência. A não ser um extravagante como Rembrandt, antes de perder a vontade de rir (Figura 1). A maior parte das figuras joviais são loucos, bobos e bêbados (figuras 3 a 12); crianças e namorados, ambos abençoados pela inconsciência (figuras 14 a 22) e pessoas marginais (mulheres de boa vida e “minorias étnicas”). Neste elenco, ainda sobra espaço para o grego Demócrito, sistematizador da teoria atomista, conhecido como o “filósofo que ri”, por gracejar a torto e a direito e defender que o riso faculta sabedoria (figuras 30 a 32). Na arte, além destas, há outras figuras que riem, por fora e por dentro, por exemplo, a morte, o diabo, Baco, Dionísio, os faunos, os sátiros… Mas isto já é outro humor.
O riso na arte é tema mais que estudado. Mas soube-me bem descobri-lo. O russo Alexandre Herzen sugeria, em meados do século XIX, que “seria extremamente interessante escrever a história do riso” (citado por Jacques Le Goff, Rire au Moyen Âge: http://ccrh.revues.org/2918). Jacques Le Goff concentrou-se na história do riso na Idade Média; Mikhail Bakhtin propôs uma história do riso no Ocidente (L’oeuvre de François Rabelais et la culture populaire au Moyen Âge et sous la Renaissance, Gallimard, Paris, 1970). Umberto Eco dirigiu várias histórias temáticas, mas ao riso consagrou um romance: O Nome da Rosa. John Morreall, fundador da International Society for Humour Studies adverte que é preciso tomar o riso a sério (Taking Laughter Seriously, Suny Press, New York, 1983).
As gargalhadas são sonoras. Com gargalhadas também se fazia música na Idade Média:
Clemencic Consort. Cavalgade. La Fête de l’Âne
Para terminar esta espécie de panteão do riso, um aforismo de François Rabelais: “É melhor escrever sobre risos que sobre lágrimas, pois o riso é o apanágio do homem” (Gargantua, Pocket, 1992, p. 33). Que o riso é próprio do homem, não duvido. Admito, contudo, a existência de seres humanos sem cócegas na inteligência que dispensam o privilégio. Guardo mais reservas quanto ao ser “melhor escrever sobre risos que sobre lágrimas”. Nos tempos que correm, convém dar força às lágrimas. Se as lágrimas não gelam o riso, pelo menos, salgam-no!
- Fig 01. Rembrandt. Laughing self potrait. 1628.
- Fig 02. Rembrandt. Portrait de Saskia Riant Portrait of Laughing Saskia. 1633.
- Fig 03. Anónimo. Laughing jester. Séc- XV.
- Fig 04. Quentin Massys. An Allegory of Folly. Início do séc. XVI.
- Fig 05. Frans Hals. Malle Babbe. 1633.
- Fig 06. Frans Hals. Malle Babbe. 1633
- Fig 07. Diego Velazquez. Portrait of Juan Calabazas (Calabacillas). 1637–9.
- Fig 08. Francisco de Goya. Tio Paquete. 1820
- Fig 09. Francisco de Goya. Mujeres riendo, 1819-1823
- Fig 10. Hans von Aachen. Self-Portrait with a Glass of Wine.1596
- Fig 11. Frans Hals. Young Man and Woman in a inn, 1623
- Fig 12. Gerrit Van Honthorst. The Happy Violinist with a Glass of Wine, 1624
- Fig 13. Vincenzo Campi, Les mangeurs de ricotta. 1580.
- Fig 14. Frans Hals.Two laughing boys with mug of beer. circa 1626-1627
- Fig 15. Frans Hals. The Rommel Pot Player, c.1618-1622
- Fig 16. Jusepe de Ribera. Le pied bot. 1642.
- Fig 17. Frans Hals. Laughing boy. 1625
- Fig 18. Frans Hals. Laughing Child. 1625
- Fig 19. Hans von Aachen. Joking Couple. first half of 17th century
- Fig 20. Hans von Aachen. A couple at a guesthouse. Ca. 1596.
- Fig 21. Hendrick Terbrugghen. Unequal Couple. c.1623
- Fig 22. Hendrick Terbrugghen.The Concert. 1626-1627.
- Fig 23. Gerrit van Honthorst, Smiling Girl, a Courtesan, Holding an Obscene Image.1625
- Fig 24. Hendrick ter Brugghen. Bacchante with an Ape. 1627
- Fig 25. Frans Hals. Gypsy Girl. 1628-30
- Fig 26. Niccolo Frangipane (ca.1560-1609). Dipinto veneto del XVI secolo raffigurante personaggi umoristici.
- Fig 27. Gerrit van Honthorst. De koppelaarster. C. 1625.
- Fig 28. Frans Hals. The Mulatto. 1627
- Fig 29. Frans Hals. Laughing man with crock known as peeckhaeringh. 1620-30.
- Fig 30. Hendrick ter Brugghen. Democritus. 1628.
- Fig 31. Charles-Antoine Coypel, Democritus. 1692
- Fig 32. Johannes Moreelse. Democritus. 1630
PS: Surgiu, nos últimos anos, um novo tipo de riso: o riso internauta. Carrega-se numa tecla e está pronto a enviar para os “amigos” das redes sociais. Uma simpatia viral!
Bobos
Para além da leveza, ando a pesquisar outro assunto ainda menos sério. Nestas andanças, deparei com dois retratos de bobos, um mais encantador do que outro.

Anónimo. The Laughing Jester. Art Museum of Sweden, Stockholm. Séc. XV
No retrato mais antigo, de autor anónimo do séc. XV, o bobo ostenta um traje colorido com as tradicionais orelhas de burro e um bastão esculpido. Uma mão cobre parte do rosto, aludindo, porventura, à missão de mostrar as duas faces da realidade.

Quentin Massys. An Allegory of Folly. Início do séc. XVI.
O segundo retrato é da autoria de Quentin Massys (1466-1530), um dos pintores mais surpreendentes da história da arte. Apresenta um louco com os respetivos símbolos: um galo na cabeça e a pedra da loucura na testa. Digno de atenção é o remate do bastão com uma figura humana, bastante realista, a mostrar o rabo.
Nus tranquilos
Os corpos nus da pintura renascentista exprimem serenidade. Repousam, ou esperam, tranquilos. É a sensação que predomina nestes trinta e seis nus femininos. Carregar em HD no canto superior do vídeo.



































































































































