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Dvein: Imaginar a Moda

Dorna. Purity.

“Formed in Barcelona in 2007, Dvein is a collaborative collective that pushes the limits of live action and CGI storytelling, helmed by creative directors Teo Guillem and Carlos Pardo. With a background in fine art and design, the collective merges the physical with the digital world to craft sleek visual effects infused with their own distinctive, organic aesthetic. With an experimental, design-driven culture at its core, Dvein combine live action with animation to pursue a unique visual language in all their work across cinema, broadcast, music video, art and installation” (http://www.dvein.com/info/about).

Admiro o trabalho, extenso, dos Dvein. O que mais impressiona é a construção, tecnicamente apurada, de objectos e imagens disformes em compulsiva mutação. Omar Calabrese diria “monstruosidades”.

Estes três vídeos são dedicados à moda.

O primeiro, Factory, para Jean Paul Gaultier, estreado em Janeiro de 2016, comporta uma negociação entre estilos: dos Dvein e de Jean Paul Gaultier. Inovar na tradição, eis a questão.

Marca: Jean Paul Gaultier. Título; Factory. Agência: Melle nöi. Direcção: Dvein. França, Janeiro 2026.

O segundo, o anúncio Purity, para a Dorna, presta-se mais ao jeito dos Dvein, mormente a apetência pela estetização de fluídos.

Marca: Dorna. Título: Purity. Agência: Ogilvy Frankfurt. Direcção: Dvein. 2015.

O terceiro vídeo regista uma projecção de hologramas durante um desfile da Diesel (Liquid Space). O final com a imagem a entrar na garrafa é genial.

Dvein. Diesel’s Liquid Space fashion show. Florença. 2007.

Regressaremos noutros artigos à obra dos Dvein.

Moda, sexo e violência

Moda, sexo e violência. Depois da Benetton e da Agent Provocateur, a Coach. Nem o Pai Natal escapa. A moda não se coíbe de maltratar os símbolos. Não fosse a moda o “império do efémero” avesso à tradição, a modos como uma tradição de mudança (Gilles Lipovetsky).

Marca: Coach. Título: A Holiday Film by Coach. Agência: Droga5. Estados Unidos, Novembro 2015.

A arte do design

m & S

Às vezes, sabe bem um anúncio que é simplesmente um anúncio. Por sinal, um bom anúncio.

Marca: Marks & Spencer. Título: The Art of. Agência: RKCR/Y&R London. Direcção: Sam Brown at Rogue. Reino Unido, Setembro 2015.

Saltos altos

Joana Vasconcelos. Cinderela.

Joana Vasconcelos. Cinderela.

Não sei se somos um país de sobressaltos. Mas somos um país de saltos altos. A começar pela Cinderela de Joana Vasconcelos. Os sapatos altos assumem, ao longo da história, diversas funções: rituais; higiénicas (protecção contra a lama e as imundícies das ruas); dramatúrgicas (expressão do estatuto social das personagens); publicitárias (adereço distintivo das prostitutas no Império Romano); de controlo (dificuldade de locomoção a quem se quer por perto); e corporais (compensação da natureza).

Don Rodrigo de Moura Telles. Arcebispo de Braga.

Don Rodrigo de Moura Telles. Arcebispo de Braga.

Nos séculos XVI e XVII, reis, rainhas, nobres e pessoas abastadas calçaram sapatos de saltos altos. Don Rodrigo de Moura Telles (1644-1728), ilustre arcebispos de Braga, é um bom exemplo. De baixa estatura, os sapatos de salto alto, de que existe um exemplar no Tesouro-Museu da Sé de Braga, ajudavam o arcebispo a aceder à mesa das celebrações. Durante séculos, o salto alto foi associado à nobreza. Era alto e altivo. Curiosamente, após a Revolução Francesa, os saltos altos quase desapareceram.

Tesouro-Museu da Sé de Braga. Sapatos Litúrgicos do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, séc. XVIII, fotografia de Manuel Correia

Sapatos Litúrgicos do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, séc. XVIII.

Enquanto moda, os saltos altos são cíclicos. Como a barba. Não deixam, porém, de se enquadrar na calibragem dos corpos iniciada na Idade Média: alto, direito, liso, fechado, leve e frontal. O salto alto contemporâneo não é altivo. Eleva, endireita, pula e avança. Não me recordo de um momento de moda com saltos tão altos. A princípio, parecia-me que as pessoas andavam com chapéus nos pés. Mas depressa me afeiçoei. Moda que perdura é a de as pessoas andarem sem nada na cabeça.

Para uma breve história do sapato de salto: História do Sapato de Salto.

A moda, o videojogo e a publicidade

Cimode

Quando um anúncio mistura os mundos da moda e do videojogo o que acontece? Um fashion game? Uma passerelle virtual? Antes de mais, acontece publicidade.
A propósito de moda e publicidade, fui convidado para moderar algumas sessões paralelas no 2º CIMODE, 2º International Fashion and Design Congress, nos dias 5, 6 e 7 de Novembro, na cidade de Milão. Hesito…

Marca H & M. Título: Alexander Wang X. Agência: Strange Cargo / H & M Redroom. Direção: Tell No One. USA, Outubro 2014.

Grotescamente

Ecce Homo. Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia de Borjia. Zaragoza. Espanha.

Ecce Homo. Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia de Borja. Zaragoza. Espanha.

Vermibus é um artista de Berlim. Em Dissolving Europe, retira as imagens de outdoors, desfigura-as com dissolvente e recoloca-as, deformadas, no mesmo local. Assim sucedeu em Paris, Barcelona, Amsterdão, Viena, Londres e Berlim. Os cartazes apresentam modelos famosos, que irradiam beleza, classe e estilo. Vermibus torna-os irreconhecíveis. Estamos confrontados com um conto de fadas invertido. O belo dá lugar ao disforme e ao grotesco, lembrando a estética de Francis Bacon, bem como a técnica de restauro da espanhola Cecilia Giménez.

Vermibus. Dissolving Europe. 2013.

Perfume, Comunicação e Personalidade

Pascal está de folga. É a vez de outro autor trágico: Georg Simmel. Este excerto sobre o perfume é revelador do seu estilo de pensamento assente na aproximação paradoxal de contrários.

Georg Simmel

Georg Simmel

“O perfume artificial desempenha um papel sociológico ao promover, no domínio do odor, uma síntese estranha de teleologia simultaneamente egoísta e social. O perfume logra pelo intermédio do nariz os mesmos efeitos que os outros adereços conseguem pelo intermédio dos olhos. Acrescenta à personalidade algo completamente impessoal, algo que vem do exterior mas que se lhe incorpora tão bem que dela parece se desprender. Aumenta a esfera da pessoa causando uma impressão semelhante aos fogos do diamante e aos reflexos do ouro. Quem se aproxima mergulha nesta atmosfera; fica de algum modo preso na esfera da personalidade. Tal como as peças de vestuário, o perfume encobre a personalidade realçando-a” (Simmel, Georg, 1981, Sociologie et Epistémologie, Paris, PUF, p. 237-238).

Marca: Yves Saint-Laurent – Opium. Título: La droguée du parfum. Direcção: David Lynch. França, 1990.

Na publicidade, a erotização não se limita aos alimentos. A sensualidade dos perfumes também é proverbial. Existem imensos exemplos. Optámos por uma dupla de luxo: o estilista Yves Saint-Laurent e o realizador David Lynch, unidos na campanha do perfume Opium.

Marca: Yves Saint-Laurent – Opium. Título: Natalia Vodianova. Direcção: David Lynch. França, 1999.

Atendendo à quebra obsessiva da natalidade, não seria oportuno promover, a exemplo dos automóveis de luxo, um concurso de perfumes? Volto a bater no ceguinho. Não tenho emenda. O aumento da natalidade não é uma boa causa? Cheguei a uma velhice do Restelo crónica. A justeza das causas pouco me apoquenta, interessa-me, isso sim, a generosidade dos resultados. A força das causas não compensa a fraqueza dos meios. À grandeza das causas, prefiro as pequenas obras, menos dadas a deploráveis consequências.

Da lisura do ser

ModaLisboa-Vision-feature-aGosto de vanguardas. Sobretudo, na moda. As vanguardas pastoreiam as tendências com cajado inspirado. Um simples gesto e logram efeitos assombrosos.
As estrias, as rugas e os pelos são excrescências incómodas em vias de extinção ou alisamento. Serão os seios, ao contrário das bocas, a próxima irregularidade dispensável?
Um belo anúncio, com uma excelente sequência de imagens.

Marca: Moda Lisboa/Lisboa Fashion Week. Título: Vision. Agência: Y&R Lisbon. Direção: Miguel Coimbra. Portugal, Março 2014.

Alice no País das Mercadorias

Marks & Spencer. BelieveA publicidade inspira-se onde lhe apraz. Há, porém, domínios e temas particularmente prezados. Por exemplo, os contos: a Bela Adormecida, A Lebre e a Tartaruga, Cinderela, o Principezinho… Todos encantam a vida e o mundo! Estas figuras fantásticas são adotadas e adaptadas pela publicidade em função da imagem de marca, da campanha, dos objetivos e do público-alvo. O anúncio Believe in Magic and Sparkle, da Marks & Spencer, convoca, pelo menos, quatro contos: Alice no País das Maravilhas (a cerimónia do chá), O Capuchinho Vermelho (a fuga na floresta), Aladino (o voo no tapete) e o Feiticeiro de Oz (a estrada dos tijolos amarelos).

Marca: Marks & Spencer. Título: Believe in Magic and Sparkle. Agência: Rainey Kelly Campbell Roalfe/Y&R. Direção: Johan Renck . UK, Novembro 2013.

O Futuro da Carne

Prada. The Future of FleshA publicidade pode ser arte? Sem precisar de ser agradável? A moda confirma-se como segmento de anúncios de alta costura.

Marca: Prada. Título: The Future of Flesh. Agência: Logan & Sons. Direção: Luke Gilford. Outubro 2013.