Aula imaterial 2. A arte da sociologia

Para o teletrabalho, socorro-me do computador e do Tendências do Imaginário. Representa um desafio ensinar Práticas de Investigação Social, do mestrado em Sociologia, à distância. Para iniciar, sugiro alguma bibliografia com sabor a revisões. Quem refaz caminho anda de novo.
Existem muitos manuais panorâmicos de métodos e técnicas de investigação sociológica. Bastante parecidos. Cinjo-me a textos em versão digital (pdf).
A primeira edição do livro de Claire Selltiz et alii, Metodos de Investigación em las Relaciones Sociales, data de 1959. Os anos cinquenta foram pródigos em manuais de métodos em Sociologia, produzidos, frequentemente, por equipas de sociólogos e psicólogos sociais experientes. Passou meio século? A sociologia existe há mais de um século. Um livro que resiste ao tempo oferece–se como uma promessa. Segue a parte de que disponho: o pdf do capítulo III: Selección y formulación de un problema de investigación.
“Small is beautiful”. Existem dois livros pequenos, sucintos, de alta qualidade e interesse: Os Métodos em Sociologia, de Raymond Boudon, e O Método em Sociologia, de Jean-Claude Combessie (São Paulo, Edições Loyola, 2004). Para o segundo, só encontrei digitalizações parciais.
Acrescento o meu relatório para provas de Agregação: Métodos e Técnicas de Investigação Social I (2004). Ler a partir da página 28.
A sugestão de leituras é ingrata. Não existem textos inocentes. Convém assumi-lo. O livro Como se faz uma tese, de Umberto Eco, parece extemporâneo. Em 1977, data da primeira edição, não havia Internet, nem sequer computadores pessoais. O livro está tecnicamente datado? O essencial, o que é decisivo, não começou hoje. Desdenhado ou não, o livro do Umberto Eco perdura. Porventura, a contracorrente. Está no vento a ritualização burocrática da investigação. Projectar e investigar é andar passo a passo no canteiro das ideias normalizadas. A inspiração e a originalidade escondem-se à sombra de um carvalho. O investigador já não é um sábio. Neste cenário, importa ler o Umberto Eco.
C. Wight Mills destaca-se entre os autores que cultivaram a arte de ser sociólogo. A Imaginação Sociológica é uma obra de viragem. Advoga boas práticas descomplicadas (ver, por exemplo, o apêndice “Do artesanato intelectual”) e aponta vícios tais como a “suprema teoria” e o “empirismo abstracto”. Mas, já no seu tempo, os contrários se atraíam: Talcott Parsons (supremo teórico), Paul Lazarsfeld (empirista abstracto) e Robert K. Merton (teoria do médio alcance) formaram um triunvirato que dominou a sociologia americana durante décadas. O namoro da suprema teoria e do empirismo abstracto continuam actuais. Quantas teses não se retalham entre uma parte de teoria suprema e outra de empirismo abstracto? Algumas lembram o Dom Quixote e o Sancho Pança.
É possível que a maioria não tenha ouvido falar de C. Wright Mills. Nos meus tempos de estudante, era leitura obrigatória no 1º ano. Em 1997, a Associação Internacional de Sociologia administrou um questionário aos membros pedindo que indicassem os cinco sociólogos que mais marcaram a sua actividade (https://www.isa-sociology.org/en/about-isa/history-of-isa/books-of-the-xx-century). Seguem os resultados:

Não descuidem a elaboração dos projectos de investigação e intervenção. Na medida das circunstâncias, estou à vossa disposição no Tendências do Imaginário (utilizar “comentários”, em cima à esquerda), na Blackboard, no correio electrónico ou noutro meio que se proporcionar.

Estágio de campo em Melgaço
Nos dias 5 e 6 de Maio, há Estágio de Campo em Melgaço, organizado pela Câmara Municipal de Melgaço e pelo Departamento de Sociologia da Universidade do Minho, com o apoio do NECSUM, Núcleo de Estudos dos Estudantes de Sociologia da Universidade do Minho. O que vamos fazer? Viajar, observar, interagir e reflectir. Vamos dar e receber. Os alunos do Mestrado em Sociologia e os finalistas da licenciatura em Sociologia são os principais parceiros desta iniciativa. Insistem que querem ver fotografias para ponderar a decisão e estragar a surpresa. Segue um ramalhete de imagens minimamente identificadas.
Sábado, de manhã, instalação na Pousada da Juventude, no Centro de Estágios de Melgaço.
Durante a manhã, trilho do rio Minho.
À tarde, visita ao Espaço Memória e Fronteira,
ao Museu do Cinema
e ao castelo e à torre de menagem.
As termas do Peso são um local propício a uma pausa, com um breve concerto de guitarra e canto, na Fonte Velha.
A tarde termina no miradouro de Arbo, na Galiza.
À noite, na Casa da Cultura, ocorre a apresentação do livro Volta a Portugal, com a participação do autor: Álvaro Domingues. A apresentação, a cargo de Albertino Gonçalves, será precedida por um momento de guitarra clássica interpretado por Francisco Berény.
Na manhã de domingo, espera-nos Castro Laboreiro, com a subida ao castelo e as cascatas do rio Laboreiro.
A tarde começa em Lamas de Mouro, sítio ideal para uma pausa e recreio.
Com o corpo e o espírito refrescados, é o momento para uma reunião, no auditório da Porta de Lamas, para uma avaliação do ano lectivo.
De regresso à Vila de Melgaço, um Alvarinho de Honra no Solar do Alvarinho oferecido pela Câmara Municipal: vinho alvarinho, presunto, chouriço e broa, tudo produtos locais.
E, para terminar, o regresso a Braga.
