O valor do papel
O enredo [de INSIGHT] consiste na história do encontro entre uma mendiga idosa e solitária, com uma história de vida trágica, e uma menina alegre. O encontro revela vários aspetos do mundo interior da mendiga, insights sobre a sua vida e sobre o poder da esperança e do otimismo.
O filme convida os espectadores a um processo íntimo de compreensão da sociedade em que vivemos. Mostra como é importante estender a mão generosa às pessoas “transparentes”, que nos tocam, especialmente hoje, quando a tecnologia nos torna mais autocentrados e menos conscientes do que nos rodeia. Cumpre-nos lembrar que a conexão interpessoal entre os seres humanos é insubstituível – ela pode iluminar os recantos mais sombrios do coração de uma pessoa e, assim, melhorar significativamente a sua vida.
Como ilustra a curta-metragem de animação INSIGHT, uma simples folha de papel pode oferecer-se como uma mediação fulcral nas relações humanas. Dobrada ou escrita, dádiva ou contra dádiva.

Sempre cultivei alguma devoção pelo papel. É certo que o digital o está a ultrapassar, numa espécie de viragem civilizacional, viragem que me suscita cada vez mais reservas, menos pelas potencialidades de universalidade, democracia e liberdade e mais pelas realidades de concentração, oligarquia e controlo.
Imagem: Jacques-Louis David. La Mort de Marat,1793
O naufrágio da modernidade

Nada como uma boa ideia, de preferência simples e com impacto. Muito impacto. Mesmo que seja num ventre mole. Muito mole. A iniciativa Bihar, uma escultura hiper-realista de uma menina a afundar-se na ria de Bilbao, promovida pela instituição financeira BBK (Bilbao Bizkaia Kutxa), conseguiu uma gigantesca notoriedade gratuita no horário nobre da comunicação social ao nível planetário. Antecipando o futuro, em particular a ameaça das alterações climáticas, a campanha nos media, Leão de Prata em Cannes, desdobra-se num anúncio (2:15) e numa curta-metragem (17:01).
Voar ou levitar?
Este anúncio da Dell aposta na continuidade (quase sobreposição) da realidade, do sonho e do ecrã. Ajudem! No fim do anúncio, a menina no ecrã voa ou levita?
Marca: Dell. Título: Annie, The girl who could fly. Agência: Y & R New York. Direção: Peter Thwaites. EUA, Agosto 2012.
Foi você que pediu uma coisa estranha?
O estranho anda à solta. Num anúncio, um coelho oferece-nos, impávido e sereno, meio lugar na sanita. Noutro, uma menina, zombie, assombra-nos com uma mensagem de operadora de telemóveis: “Missing Our Deals Will Haunt You” . O pior é que este pandemónio, que nos perturba sem razão, não vai parar com o Halloween. Não havia necessidade de um coelho intrusivo. Já temos o emplastro, a pantera cor-de-rosa e o Mr. Bean. Tão pouco faz falta uma aberração infantil. Já temos a Alice, o Oskar do Tambor e a possessa do Exorcista. Tanto caos, tanto abismo, tanta estranheza desconcertam-nos. E não há amuleto, alho ou água que nos valha!
Anunciante: Animest Creepy Animation Night . Título: Creepy bunny. Agência: Ogilvy Group. Direcção: Hypno. Roménia, Outubro 2011.
Anunciante: Phones 4u. Título: Little girl. Agência: Adam & Eve, London. Direcção: Garth Jennings. U.K., Outubro 2011.
