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Azul

Man Ray. Le violon d’Ingres. 1924.

Acontece-me pasmar a ver anúncios da viragem do milénio. Muita criatividade e menos técnica. Esta equação deve ser uma ilusão, mas merecia um estudo. Os anúncios que seguem, ambos do Greenpeace, lembram Hieronymus Bosch e o surrealismo. Nos oceanos, há crude para todos. Naquele tempo (1990 e 2000), pouco se falava do plástico.

Hoje, fui nomeado cidadão de honra do concelho de Melgaço, minha terra natal. Ainda estou emocionado.

Anunciante: Greenpeace. Título: La Poire. Internacional, 1990.
Anunciante: Greenpeace. Título: Oil. Agência: Giovanni FCB. Brasil, 2000.

Balada marítima. Dormir com as ondas

“Dorme menino
Que aí vem o papão
Comer meninos
Que não dormem, não
(Balada popular, excerto)

No inverno, o mar continua a molhar a areia. Frente à praia, há quem dispense sair do carro. Ajusta-se o assento e toca a dormir. Uma soneca balnear. Junto ao paredão, proliferam os adeptos do sonho ao ar livre. O murmúrio das ondas embala e a humidade do ar descongestiona. Não é mas parece uma nova religião. Perdoem-me, mas vem-me à memória a rumba de Los Payos, Maria Isabel.

Los Payos. Maria Isabel. Vídeo original. 1969.

A estética do surf

Surf Blue Moon

O teaser View From A Blue Moon, de John Florence & Blake Vincent Kueny, é uma preciosidade estética: um hino ao surf. Filmadas em locais como Nova Zelândia, Brasil ou Hawaii, as imagens são fantásticas, pautadas por detalhes cirúrgicos: o carro que levanta voo numa lomba; a velocidade dos tubarões; a visão inesperada das favelas; a barreira masculina sob a água; o corvo marinho (?) na cabeça do surfista… Mas o pormenor digno de maior menção afigura-se-me radicar na citação do som do clássico Good Things Come To Those Who Wait, da Guinness (1999).

Título: View From A Blue Moon. Agência: ArtOfficial Agency CPH. Direcção: John Florence & Blake Vincent Kueny. Produção: Brain Farm. Efeitos sonoros: Martin Dirkov. Suécia, 2015.

 

Silêncio

Estou cansado de falar e não tenho paciência para ouvir. Ler? Ler é acrescentar ao barulho das folhas o barulho das letras, até bocejar. Chegou a hora de embalar, de mansinho, o silêncio.
Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

Bahr Loubnan

Anunciante: Bahr Loubnan. Título: Moment of Silence. Agência: H&c Leo Burnett. Líbano, 2005.

Descida

SteilagerEste anúncio da Steinlager Pure é um consolo: concentração depurada; combinação invulgar da acção, do ritmo e da imagem; originalidade, ajustamento e envolvimento do acompanhamento sonoro. Apetece ver o fundo da garrafa.

Marca: Steinlager Pure. Título: Born to Defy. Agência: DDB New Zealand. Direcção: Adam Stevens. Nova Zelândia, Julho 2014.

Imaginário Salgado

O mar e a floresta são viveiros de sonhos. São espaços vizinhos, lugares de inquietação e travessia. Este anúncio, Mad about the sea, da Swatch, submerge-nos em águas invisíveis, a transbordar de desejo.

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Marca: Swatch. Título: Mad about the sea. Agência: com.unico.Italy. Direção: Leberato Maraia. Itália, Junho 2013.

Beyond the Sea é uma canção famosa interpretada por Bobby Darin,  Frank Sinatra e, recentemente, Robbie Williams. Acontece, e não é caso único, que o original é francês. Salomonicamente, seguem Beyond the Sea, com um excerto de The Little Nemo e voz de Robbie Williams, e La Mer, com interpretação de Charles Trénet. Com esta e outras adaptações, pergunto-me quanta fama norte-americana não é colhida na Europa.

Porque existe um “mar português”, existem canções como a Garça Perdida, de Dulce Pontes. Dando o braço ao disparate, pergunto: se esta canção em português fosse um projecto de investigação, passava nos concursos nacionais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia? Há quem dobre a língua. Há quem dobre tudo para dobrar os outros. Dava jeito um acordo ortográfico com os anglo-saxões. O actual é um bom estorvo à concentração na escrita.

“Só vei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar…”

Pietà de areia

Eis-nos perante um anúncio de sensibilização com música repetitiva e sem palavras. Como se parte do silêncio fosse essencial para valorizar a proximidade e o tacto. Este anúncio, uma versão da pietà, corrobora a conclusão do trabalho de um aluno (mais um): “Na altura, como agora, o poder emocional deste quadro bíblico manifestava-se de forma verdadeiramente assinalável. Explorando ao limite a relação umbilical de amor existente entre uma mãe e seu filho. No caso evidenciado mormente por se tratar de um instante de sofrimento, compaixão e protecção. Talvez por isso seja a imagem de Pietà tão explorada nas mais diversas expressões artísticas. Da pintura à escultura, do cinema à publicidade, da música à fotografia, ou mesmo em performances de rua, Pietà continua a ser tema de criação” (para aceder carregar aqui: http://comartecultura.wordpress.com/2012/05/20/pieta/).

Anunciante: National Drowning Prevention Week. Título: Sand Sculpture. Agência:  TAXI Vancouver taxi.ca. Canadá, Julho de 2012.