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Francisco de Holanda. Gravuras

Francisco de Holanda (1517-1585), humanista, pintor, arquitecto e ensaísta, é uma das grandes figuras da história de Portugal. Com reputação europeia, discípulo de Miguel Ângelo, Francisco de Holanda foi pioneiro do maneirismo em Portugal. As imagens que seguem representam uma amostra das gravuras constantes no livro De Aetatibus Mundi Imagines (1543-1573), que pode ser visualizado no site da Biblioteca Digital Hispánica.

Grotesco maneirista: Christophe Jamnitzer

“Já no maneirismo, o mundo às avessas se manifesta com frequência na desorientação dos labirintos, de modo que, nesse ponto, o grotesco maneirista se aproxima do romântico, visto que se pauta pela confusão da perspectiva e falta de referência apresentados pelo olhar do indivíduo inserido em um mundo incerto, aberto ao hostil e cujos suportes parecem desmoronar” (Santos, Fabiano Rodrigo da Silva, Considerações sobre aspectos do grotesco na poesia de Bernardo Guimarães e Cruz e Sousa, São Paulo, Editora UNESP, 2009, p. 122).

O livro de gravuras (Neuw Grottessken Buch, 1610) do ourives alemão Christophe Jamnitzer (1563-1618) constitui um bom exemplo de grotesco maneirista. As linhas curvas desdobram-se instáveis, tensas, em movimento. A criatividade subjectiva exacerba-se numa artificialidade sofisticada. Os fenómenos mais desencontrados cruzam-se e abraçam-se, como ocorre no sonho e na loucura. E a ausência de enquadramento concorre para dispensar a perspectiva e suspender a gravidade.