Lobo
Enquanto a curiosidade não paga, creio, taxa de entrada nos Estados Unidos, aproveite-se para visitar tão contrastado mosaico, alternando arqueologia e prospeção, relíquias escavadas na memória e revelações mais ou menos recentes.

Lobo (Roland Kent LaVoie), nascido na Flórida em 1943, compositor e cantor, alcançou enorme sucesso nos anos setenta, com várias canções no topo de vendas nos Estados Unidos e na Europa. Nos anos noventa, o centro de gravidade da sua atividade deslocou-se para o continente asiático. Em 2022, com cerca de 80 anos, continuava ativo.
Alguns jovens da minha idade lembrar-se-ão, talvez, de canções tais como “I’d Love You To Want Me”, “Don’t Expect Me To Be Your Friend” ou “How Can I Tell Her”, do álbum Of a Simple Man, estreado em 1972. Por essa altura, não parava de riscar o 45 rotações com “I’d Love You To Want Me”. A estas canções, acrescento “Faithful” de uma fase “asiática” mais tardia (anos noventa).
Uma vez que o Lobo sofreu um apagão no Ocidente, pedia um feedback, um esboço de sinal [um (des)gosto ou emoji] a quem dele se recorde.
Vermelho que te quero vermelho
O poder dos símbolos é espantoso. Põem-nos o cérebro a salivar. Tanto permanecem iguais como se renovam, para sua maior eficácia e nossa maior confusão. Pense-se no Capuchinho Vermelho.
Bela e curiosa. Vermelha! Nem azul, nem verde: vermelha. Vermelha há mais de trezentos anos. Não esperou por nós, nem por Bruno Bettelheim, para saber que o capuchinho era vermelho. Vermelho cor de sangue. O sentido, a chave, desta conversa não está neste artigo, nem nos anteriores, mas no próximo. É um novo estilo inspirado nos romances de cordel.
Marca: Green & Blacks. Título: Dark, but different. Agência: Mcgarrybowen London. Direcção: Dorian & Daniel. Reino Unido, Outubro 2017.
Salvo pelos lobos
Tendências do Imaginário deixou escapar este anúncio de Bruno Aveillan. Imperdoável. A fotografia e o ritmo de Bruno Aveillan desprendem uma aura quase sagrada. Neste It’s in our nature, da cadeia de hotéis Shangri-La, um jovem perde-se na neve. Exausto, adormece. Morte certa. Uma alcateia de lobos aproxima-se. O lobo é um animal temível, infernal. Mas as bocas devoradoras mantêm-se fechadas. Os lobos rodeiam o jovem formando uma espécie de abrigo contra a adversidade. Por entre tanta maldade mítica, o lobo esconde uma centelha de bondade. Lembra-se da loba de Rómulo e Remo? E de Mogli, a criança selvagem criada por uma alcateia de lobos? Existem muitas histórias semelhantes. Sobra um canto para os lobos nos nossos mitos de estimação. Os lobos compuseram um abrigo. Shangri-La é um abrigo, “pronto a receber um estranho como membro da casa”.
Marca: Shangri-La. Título: Wolves. Agência: Ogilvy & Mather Hong Kong. Direcção: Bruno Aveillan. Hong Kong, 2010.
A Sombra do Lobo
“Demasiado ruído ensurdece-nos, demasiada luz ofusca-nos” (Blaise Pascal)
A avaliação alastrou que nem um incêndio de verão. Como vinga tal fenómeno num país mais dado à ética da convicção do que à ética da responsabilidade (Max Weber)? Num país de confrarias e amigos de amigos (Jeremy Boissevain)? Mestre no jogo das aparências (Georges Balandier)? Quando não existe uma cultura de avaliação, o que a substitui? Quais são as funções latentes da avaliação (Robert K. Merton)? Qual é o objectivo? E o uso? Transparência, ideologia ou ideologia da transparência? Predomina a racionalização ou a justificação (Luc Boltanski)? Suporte ou álibi? Mais ou menos poder ao poder?
Capuchinho vermelho na era digital
Dantes, o capuchinho vermelho perdia-se na floresta; agora, expõe-se nas redes sociais. Já não é uma donzela campestre, mas uma “noiva electrónica”. Nem sequer os prazeres são os mesmos. No tempo de Perrault, colhia flores para meter na boca do lobo. Agora, é só posicionar o cursor, abrir o ficheiro e fazer downloads e uploads.
Anunciante: Facemoods‘ Online Safety Kit. Título: Little Red Riding Mood. EUA, 2011.
Asas de Ícaro
Segundo a agência australiana The Monkeys, este anúncio para o UBank aborda com humor as grandes questões da vida. Pelos vistos, as quedas são os melhores momentos para refazer contas à vida. E os bancos são os oráculos e o purgatório do nosso tempo, sempre dispostos a exceder-se em generosidade e a proteger-nos de lobos e abismos. Primeiro, a queda, depois, a salvação. À semelhança do caçador do conto do Capuchinho Vermelho, um bom banco não caça, resgata as criaturas carenciadas. Empresta-lhes umas belas asas de Ícaro para sobrevoar as chamas do pesadelo!
Anunciante: UBank. Título: Since Today. Agência: The Monkeys, Australia. Direção: Christopher Riggert. Austrália, Março 2012.
FriendSheep: O lobo que gostava de ovelhas
Os lobos gostam sempre de ovelhas. A questão é saber de que jeito. Esta muito premiada curta-metragem de animação foi realizada pelos alunos (ano de 2010) da PrimerFrame, Escuela de Animación, sedeada em Valência, Espanha. Segue a curta-metragem FriendSheep e o respectivo Making Of.





