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Capuchinho Vermelho nas Redes Sociais

O lobo estende o tapete vermelho. Aquilo que resta do Capuchinho Vermelho (Charles de Leusse, Respire, 2004).

“É proibido proibir” era uma das palavras de ordem de Maio de 1968. Hoje, sobram poucas dúvidas, porventura, apenas de grau: “É permitido proibir” ou “proibido permitir”? Apontam nesse sentido os artigos Capuchinho vermelho na era digital (21.07.2012) e É proibido proibir (21.07.2015).

Não vem a propósito, mas entre a floresta musgosa da imagem anterior e o labirinto viscoso dos artigos seguintes, aproveito para introduzir os 10 CC no Tendências do Imaginário.

10 CC – I’m Not In Love. Single / The Original Soundtrack, 1975

Lobo

Enquanto a curiosidade não paga, creio, taxa de entrada nos Estados Unidos, aproveite-se para visitar tão contrastado mosaico, alternando arqueologia e prospeção, relíquias escavadas na memória e revelações mais ou menos recentes.

Lobo (Roland Kent LaVoie), nascido na Flórida em 1943, compositor e cantor, alcançou enorme sucesso nos anos setenta, com várias canções no topo de vendas nos Estados Unidos e na Europa. Nos anos noventa, o centro de gravidade da sua atividade deslocou-se para o continente asiático. Em 2022, com cerca de 80 anos, continuava ativo.

Alguns jovens da minha idade lembrar-se-ão, talvez, de canções tais como “I’d Love You To Want Me”, “Don’t Expect Me To Be Your Friend” ou “How Can I Tell Her”, do álbum Of a Simple Man, estreado em 1972. Por essa altura, não parava de riscar o 45 rotações com “I’d Love You To Want Me”. A estas canções, acrescento “Faithful” de uma fase “asiática” mais tardia (anos noventa).

Uma vez que o Lobo sofreu um apagão no Ocidente, pedia um feedback, um esboço de sinal [um (des)gosto ou emoji] a quem dele se recorde.

Lobo – I’d Love You To Want Me. Of a Simple Man, 1972
Lobo – Don’t Expect Me To Be Your Friend. Of a Simple Man, 1972
Lobo – How Can I Tell Her. Of a Simple Man, 1972
Lobo – Faithful. Asian Moon, 1994. 2004 Remaster

Vermelho que te quero vermelho

Capuchinho 3

O poder dos símbolos é espantoso. Põem-nos o cérebro a salivar. Tanto permanecem iguais como se renovam, para sua maior eficácia e nossa maior confusão. Pense-se no Capuchinho Vermelho.

Bela e curiosa. Vermelha! Nem azul, nem verde: vermelha. Vermelha há mais de trezentos anos. Não esperou por nós, nem por Bruno Bettelheim, para saber que o capuchinho era vermelho. Vermelho cor de sangue. O sentido, a chave, desta conversa não está neste artigo, nem nos anteriores, mas no próximo. É um novo estilo inspirado nos romances de cordel.

Marca: Green & Blacks. Título: Dark, but different. Agência: Mcgarrybowen London. Direcção: Dorian & Daniel. Reino Unido, Outubro 2017.

Salvo pelos lobos

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Tendências do Imaginário deixou escapar este anúncio de Bruno Aveillan. Imperdoável. A fotografia e o ritmo de Bruno Aveillan desprendem uma aura quase sagrada. Neste It’s in our nature, da cadeia de hotéis Shangri-La, um jovem perde-se na neve. Exausto, adormece. Morte certa. Uma alcateia de lobos aproxima-se. O lobo é um animal temível, infernal. Mas as bocas devoradoras mantêm-se fechadas. Os lobos rodeiam o jovem formando uma espécie de abrigo contra a adversidade. Por entre tanta maldade mítica, o lobo esconde uma centelha de bondade. Lembra-se da loba de Rómulo e Remo? E de Mogli, a criança selvagem criada por uma alcateia de lobos? Existem muitas histórias semelhantes. Sobra um canto para os lobos nos nossos mitos de estimação. Os lobos compuseram um abrigo. Shangri-La é um abrigo, “pronto a receber um estranho como membro da casa”.

Marca: Shangri-La. Título: Wolves. Agência: Ogilvy & Mather Hong Kong. Direcção: Bruno Aveillan. Hong Kong, 2010.

Sonhos de fadas

Capucinho Vermelho

 

 

Com sintomas de gripe e uma inflamação no pensamento, não apetece comunicar. Apenas mimalhar sonhos, visitados por princesas de trapos e anúncios a condizer.

 

Marca: Channel. Título: Le loup. Agência: BBDO. Direcção: Luc Besson. França, 1998.

A Sombra do Lobo

Isabelle Anglade. Le Petit Chaperon Rouge.

Isabelle Anglade. Le Petit Chaperon Rouge.

 

 

 

 

“Demasiado ruído ensurdece-nos, demasiada luz ofusca-nos” (Blaise Pascal)

A avaliação alastrou que nem um incêndio de verão. Como vinga tal fenómeno num país mais dado à ética da convicção do que à ética da responsabilidade (Max Weber)? Num país de confrarias e amigos de amigos (Jeremy Boissevain)? Mestre no jogo das aparências (Georges Balandier)? Quando não existe uma cultura de avaliação, o que a substitui? Quais são as funções latentes da avaliação (Robert K. Merton)? Qual é o objectivo? E o uso? Transparência, ideologia ou ideologia da transparência? Predomina a racionalização ou a justificação (Luc Boltanski)? Suporte ou álibi? Mais ou menos poder ao poder?

Gustave Doré. Le Petit Chaperon Rouge

Gustave Doré. Le Petit Chaperon Rouge

Capuchinho vermelho na era digital

Dantes, o capuchinho vermelho perdia-se na floresta; agora, expõe-se nas redes sociais. Já não é uma donzela campestre, mas uma “noiva electrónica”. Nem sequer os prazeres são os mesmos. No tempo de Perrault, colhia flores para meter na boca do lobo. Agora, é só posicionar o cursor, abrir o ficheiro e fazer downloads e uploads.

Anunciante: Facemoods‘ Online Safety Kit. Título: Little Red Riding Mood. EUA, 2011.

Asas de Ícaro

Segundo a agência australiana The Monkeys, este anúncio para o UBank aborda com humor as grandes questões da vida. Pelos vistos, as quedas são os melhores momentos para refazer contas à vida. E os bancos são os oráculos e o purgatório do nosso tempo, sempre dispostos a exceder-se em generosidade e a proteger-nos de lobos e abismos. Primeiro, a queda, depois, a salvação. À semelhança do caçador do conto do Capuchinho Vermelho, um bom banco não caça, resgata as criaturas carenciadas. Empresta-lhes umas belas asas de Ícaro para sobrevoar as chamas do pesadelo!

Anunciante: UBank. Título: Since Today. Agência: The Monkeys, Australia. Direção: Christopher Riggert. Austrália, Março 2012.

FriendSheep: O lobo que gostava de ovelhas

Os lobos gostam sempre de ovelhas. A questão é saber de que jeito. Esta muito premiada curta-metragem de animação foi realizada pelos alunos (ano de 2010) da PrimerFrame, Escuela de Animación, sedeada em Valência, Espanha. Segue a curta-metragem FriendSheep e o respectivo Making Of.