Tag Archive | Leonard Cohen

David Gilmour e Leonard Cohen

Leonard Cohen.

David Gilmour compôs em 2020 a canção Yes I Have Ghosts (vídeo 1) por ocasião do lançamento do áudio-livro A Theater For Dreams (2020) da esposa Polly Samson. É acompanhado pela filha Romany Gilmour (harpa e voz). Lembra Leonard Cohen. O suficiente para justificar uma pesquisa rápida. Há registo de David Gilmour a interpretar várias canções de Leonard Cohen, tais como So Long, Marianne, Fingerprints, Bird o the Wire, Hey, That’s No Way To Say Goodbye… E If It Be Your Will, cover gravado em família (vídeo 2). Não resisto a acrescentar o original de Leonard Cohen (vídeo 3). Um emigrante melgacense no Canadá ofereceu-me uma cassete de Leonard Cohen com esta canção. As coisas são relações sociais.

David Gilmour, com Romany Gilmour. Yes I Have Ghosts. Single, 2020.
David Gilmour, com Romany Gilmour. If It Be Your Will. Cover de Leonard Cohen. 2020.
Leonard Cohen. If it be your will. Various Positions. 1984. Ao vivo em 1988.

Infradotado

Leonard Cohen.

Um perito, uma opinião. Dois peritos, uma contradição. Três peritos, uma confusão (Anónimo).

Nunca me deparei com tantos peritos e especialistas como durante a epidemia. Infradotado, confesso que pouco ou nada aprendi. Valha-me o Leonard Cohen.

Leonard Cohen. Hey, That’s No Way To Say Goodbye (Live in London). Songs of Leonard Cohen. 1967.
Leonard Cohen. Sisters of mercy (Live in London). Songs of Leonard Cohen. 1967.

A quem tem o monopólio de me aturar!

Fastio civilizacional

Arena de Verona. Itália

Os anfiteatros romanos preservam, passados dois milénios, a sua função: acolher espectáculos. Os músicos pop/rock têm uma predilecção por estes espaços históricos monumentais: os Pink Floyd tocaram, sem público, no anfiteatro de Pompeia em 1971; os Dire Straits no anfiteatro de Nîmes em 1992; Paul McCartney no Coliseu de Roma em 2003; Leonard Cohen no anfiteatro de Pula em 2013; os Deep Purple no anfiteatro de Verona em 2014…

Retenho três interpretações ao vivo em que predominam os instrumentos acústicos.

  • Private Investigations (Love over gold, 1982) pelos Dire Straits, no anfiteatro de Nîmes em 1992. Sobressaem os sopros e as cordas. Mark Knofler toca guitarra clássica. Private investigations adequa-se ao cantar falado de Mark Knofler.
  • So Long, Marianne (Songs of Leonard Cohen, 1967) por Leonard Cohen, com 79 anos de idade, no anfiteatro de Pula em 2013.
  • Walk This Way (Aerosmith, Toys in the Attic, 1975) por Steven Tyler, no Coliseu de Roma, num espectáculo de Andrea Bocelli em 2017. Destaque para os violoncelos.

Música em anfiteatros do Império Romano

Três canções é muita música. Hoje, sobra o gosto e falta o apetite. O século XX inventou uma máquina para preservar os alimentos e adiar o consumo: a arca congeladora. Revolucionou a pesca e a agricultura. Estas canções ouvem-se ou não. Mais uma ou menos uma múmia na Internet. Os arquivos cobrem-se com uma espécie de tédio electrónico.

Dire Straits. Private Investigations. Love over gold. 1982. Ao vivo no anfiteatro de Nîmes em 1992.
Leonard Cohen. So Long, Marianne. Songs of Leonard Cohen. 1967. Ao vivo no anfiteatro de Pula em 2013.
Steven Tyler. Walk This Way (Aerosmith, Toys in the Attic, 1975). Ao vivo no espectáculo de Andrea Micelli no Coliseu de Roma em 2017.

Valsa

Sílvia Perez Cruz

Sílvia Pérez Cruz actua no Theatro Circo, em Braga, esta quinta à noite. A lotação está quase esgotada. Sílvia Pérez Cruz é uma grande voz. Diria mais! É uma grande voz que sabe cantar. “Pequeño Vals Vienés” baseia-se na música que Leonard Cohen compôs (Take This Waltz, 1986) para o poema Pequeño Vals Vienés, de Federico García Lorca. Os gostos tendem a cruzar-se. São as tais afinidades electivas… Ontem. Leonard Cohen, hoje, Sílvia Pérez Cruz. Dancemos, não de lado, mas de frente.

Sílvia Pérez Cruz e Raúl Fernández Miró. Pequeño Vals Vienés. Granada. 2014.

 

Páscoa

Leonard CohenEm dia tão santo, não vale pensar. O sentido brota por todo lado. Nas pedras do caminho e nos copos de vinho. Um pouco de Leonard Cohen? O meu cantor preferido para as noites de areia numa praia do Norte. Leonard Cohen marcou, ano após ano, toda uma geração. Desde 1967. A Páscoa é a festa mais social de todas as festas do ano. A consciência colectiva em estado hiperbólico. O indivíduo apaga-se. Uma folga na reflexividade.

Leonard Cohen. Famous Blue Raincoat. Songs of Love and Hate. 1971.

Leonard Cohen. If it be your will. Various Positions. 1985.

 

Online

Não sei como veio esta fotografia parar ao meu computador. Deve pertencer a alguém da minha terra. À procura de iluminuras com músicos, reencontrei-a numa pasta sem fundo. Amor é mesmo assim, à segunda vista. Não sei!… A vê-los assim tão próximos, tão parecidos, pendurados, em fim de voo, numa linha, ocorreu-me não sei o quê…  Cosmonautas ou coisa parecida a tilintar em rede invisível. Não! Nada a ver com Leonard Cohen: “Oh like a bird on the wire / Like a drunk in a midnight choir / I have tried in my way to be free” (Bird on the Wire, Songs from a Room, 1969).

OnlineOnline

Leonard Cohen. Bird on the Wire. 1979.

Palavra puxa palavra: canções de amor, ódio e melancolia

Num artigo recente, foi questão do hino “chant des partisans”, interpretado por Yves Montand. Pois, quem diz “chant des partisans” lembra-se logo da canção bilingue “The Partisan” (1969), de Leonard Cohen. Ambas deram azo a muitas montagens vídeo com imagens de guerra e resistência (ver, por exemplo, http://www.youtube.com/watch?v=S34cVkL6zCE). Optei, porém, por partilhar esta actuação ao vivo de 2008:

“The partisan” é uma “canção de amor e ódio”, para retomar o título do álbum de Leonard Cohen de 1971, mas é também uma canção com um profundo trago de melancolia. “Les Feuilles Mortes, de Yves Montand (ver http://www.youtube.com/watch?v=Xo1C6E7jbPw), distingue-se também como uma das canções francesas mais melancólicas. Quem fala de Yves Montand e de Leonard Cohen, de canções de amor, ódio e melancolia, também pode falar da chilena Violeta Parra, autora e intérprete de notáveis “canções de amor e ódio”, inspiradoras de vídeos ilustrados com imagens de repressão e revolta. É o caso de “Que dirá el Santo Padre?” (http://www.youtube.com/watch?v=PiFvvEBBntA). Concebeu, por outro lado, algumas das canções melancólicas com maior vocação universal. Por exemplo, “Gracias a la vida”. Suicidou-se em 1967.