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Envelhecimento

“Tudo o que era sólido e estável é abalado, tudo o que era sagrado é profano, e os homens são finalmente obrigados a encarar as suas condições de existência e as suas relações recíprocas com olhos desencantados” (Marx, Karl & Engels, Friedrich, 1848, Manifeste du Parti Communiste, trad. por Laura Lafargue, Paris, V. Giard & E. Brière, Libraires-éditeurs, 1897, minha tradução).

Kate Transue. The Old Man. 2012.

Kate Transue. The Old Man. 2012.

O tempo passa inexoravelmente. Tudo envelhece: os ossos, a vista, os ouvidos, os dentes, os rins, o coração, os pulmões, os músculos, a pele, os cabelos, a memória…  Atormentamo-nos com desejos de ontem e recursos de amanhã. Até que um dia, sem dar conta, sentamo-nos num banco do jardim da velhice, a sentir a vida acontecer enquanto acontece. Como nunca.

O apelo do objecto técnico

René Magritte. Ceci nést pas une pipe. 1928-29.

“O apelo do objecto técnico” é o título de um livro de José Neves (2007), que lembra outro livro: “o sex appeal do inorgânico”, de Mario Perniola (1994). Recorda, por último, a célebre mesa de Karl Marx que, uma vez mercadoria, se transforma “numa coisa ao mesmo tempo palpável e impalpável. Não se limita a ter os pés no chão; face a todas as outras mercadorias, apresenta-se, por assim dizer, de cabeça para baixo, e da sua cabeça de madeira saem caprichos mais fantásticos do que se ela começasse a dançar” (Karl Marx, 1867, O Capital, Volume 1, Parte I, Capítulo I, Secção 4). É óbvio que o berbequim de que vamos falar não possui a complexidade nem do objecto técnico, de José Neves, nem do inorgânico, de Mario Perniola, nem da mercadoria, de Karl Marx. Não obstante, do berbequim do anúncio da Byggmakker “saem caprichos fantásticos” e, se não dança, movimenta-se sedutor. Dança na nossa cabeça, com música sensual.

Marca: Byggmakker. Título: Drill. Agência: DDB (Oslo). Direção: Jens Lien. Noruega, 2006.

O sex appeal do berbequim afasta o homem da mulher e encanta-o com os seus movimentos mecânicos. Temos dedicado vários artigos à erótica dos alimentos. Chegou a vez da erótica das ferramentas. É curioso o que vai na cabeça dos publicitários. Melhor, o que eles pensam que vai na nossa…