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Mergulho

Swatch. Mad about the sea. com.unico.Italy. Leberato Maraia. Itália, Junho 2013

A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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Felicidades. Condições e Momentos

A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.

Para visualizar o vídeo no YouTube, carregar na imagem seguinte ou aceder ao endereço https://www.youtube.com/watch?v=AVNGu2bk-ns

Felicidades Condições e momentos. Pela turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, 20.03.2026

O meu carro é barroco

A pretexto das aulas de Sociologia da Arte e do Imaginário, tenho refeito, aumentado e melhorado, alguns materiais de apoio. É o caso do vídeo O Meu Carro É Barroco que contempla os anúncios a automóveis mencionados no texto “Dobras e fragmentos: a turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis”, publicado em 2009, no livro Vertigens. Para uma sociologia da perversidade (Coimbra: Grácio Editor, p. 47-63). Após tantos anos, resulta possível a leitura do texto acompanhada pelo visionamento dos anúncios. Graças às novas ferramentas, com maior nitidez e resolução. Porventura, um regalo para a vista, o ouvido e a mente.

My Car Is Baroque, by Albertino Gonçalves. 1st edition: 2007. Expanded edition: January 22, 2026

Super Bock, Super Bom

A Ana Paula enviou-me o link do anúncio “Sabor Autêntico”, da Super Bock, filmado em Guimarães. Em boa hora: por um lado, tenta-me reanimar a ligação com os vimaranenses; por outro, inicio na próxima quinta, 8 de janeiro, uma série de 5 aulas dedicadas à publicidade na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário. Aproveito ainda para prestar tributo à Super Bock com um belo ramalhete de anúncios.

Super Bock – Sabor autêntico. 2001
Super Bock Green -Anjos. 2006 (?)
Super Bock – Momentos. Realizador: José Pedro. Ministério dos Filmes, 2008
Super Bock – Leva a amizade a sério. O Escritório, 2015 (?)
Super Bock – 90 anos a fazer amigos. Agência: O Escritório. Direcção: José Pedro Sousa. Portugal, Março de 2017
Super Bock – Pelas amizades que não querem ser outra coisa, 2024

Quão Real É O Real? O Universo Da Neurotopia

How Real Is Real? Confusion, Disinformation, Communication é o título de um livro de Paul Watzlawick publicado em 1975. “Quão real é o real?” Não sei. Desconheço qualquer original da canção seguinte, com “voz de Charles Aznavour”. Parece, no entanto, ser real no vídeo musical que segue. Um “tributo”! Quão real é o real? Não sei, mas parece-me teimar em ser real o desejo.

“Plongez dans Les Couloirs du Temps, une chanson réaliste et poétique où l’amour d’une vie renaît au détour d’un souvenir. Entre nostalgie et espoir, cette ballade cinématographique mêle accordéon, guitare et piano, pour offrir une émotion intense et intemporelle. Laissez-vous emporter dans ce voyage musical où chaque note résonne comme un écho du passé. (…) Bienvenue dans l’univers de Neurotopia. Plonge chaque jour à 18h dans un monde où l’imaginaire numérique prend vie à travers la musique. Des créations générées par IA, entre émotions, rêves et explorations sonores.” (https://www.youtube.com/watch?v=DrxmBCVYTww)

Ainda não sei qual é a sorte que nos assiste, mas já existe quem se preste a visar os nossos desejos e o nosso imaginário. Estamos amalgamados na “hiper-realidade”, num (ir)real mais real do que a realidade.

Neurotopia – Les Couloirs du Temps, Echoes of Love – A Tribute to Aznavour. Colocado em 16.08.2025

Balanço da Espada, da Cruz e do Cálice

Bem-disposta e algo intimista, a conversa sobre “a espada, a cruz e o cálice nas imagens de Cristo e da Virgem Maria” já pertence ao passado. Mobilizou uma vintena de pessoas. Data e hora pouco oportunas. De qualquer modo, a conversa teve a audiência merecida.  Por sinal, suficiente. Com fraco espírito missionário, não cuido de espalhar a palavra. Pouco importa o tamanho da audiência, o que conta é a qualidade da comunicação.

Durante 150 minutos, com um intervalo de 15, foram projetados 93 diapositivos e 160 imagens. As ideias propostas, algumas originais e sustentadas em anos de investigação pessoal, justificam prudente reserva.

A Sala das Cavalariças do Mosteiro de Tibães é um aconchego. Motivados, saímos exaustos, mas satisfeitos. Uma experiência única, que ganha em não ser repetida.

Segue uma galeria com uma seleção de 20 imagens (desordenadas). Um oitavo do conjunto.

Desaparafusado

Jacopo Tintoretto. Paraíso. 1588. Palácio Ducal, Veneza

Se por te beijar tivesse que ir depois para o inferno, eu faria isso. Assim poderei me gabar aos demónios de ter estado no paraíso sem nunca entrar (atribuído a William Shakespeare).

Por que resulta tão raro encontrar imagens do Paraíso que me atraiam irresistivelmente? Que me entusiasmem ao ponto de desejar ir passar lá umas férias. Será assim tão complicado representar o cenário da nossa maior aspiração: a beatitude, a felicidade eterna e suprema? Devo ter falta de parafusos ou uma entorse nas dobradiças.

Imagem: Giovanni di Paolo. Paraíso. 1445. The MET

Gilbert Bécaud – Charlie t’iras pas au paradis. Single, 1972
Gilbert Bécaud – Charlie t’iras pas au paradis. 1972. Remasterisé en 2016

Danças Submersas. Bailado em Regime Noturno

“Being an artist is like a journey to build something and I feel like I’m not building things, I’m just been driven by whatever comes to me (…) When I dance, when I move under water, I really feel that I become one, one with the water (…) I love the smell of the forest, I love the sound of the forest, it’s really beautiful, I feel part of it, part of the system (…) But what hidden in the under world is something that is really personal, it’s opening to your imaginary.” (Dancing Through the Waters with Julie Gautier, 2023)

Segundo alguns estudiosos do imaginário, nomeadamente Carl G. Jung, Gaston Bachelard e Gilbert Durand, podem-se associar e contrapor símbolos elementares. Associar, por exemplo, o sol, a luz, o ar, o elevado, a ascensão, a árvore, o seco, o duro, o direito, o exterior, o convexo, o fálico, o masculino, a espada ou a separação, remetendo-os para o “regime diurno do imaginário” (Gilbert Durand); e contrapô-los à lua, à sombra, à água, ao baixo, ao mergulho, à floresta, ao húmido, ao mole, ao sinuoso, ao interior, ao côncavo, ao uterino, ao feminino, ao cálice ou à (con)fusão, que remetem para o “regime noturno do imaginário”.

Seguem cinco bailados subaquáticos protagonizados pela francesa Julie Gautier, natural da Ilha da Reunião. Cinco, nem mais nem menos. Até podiam ser seis, mas o mais visualizado, AMA (2018), já está colocado no Tendências do Imaginário (Mergulho e ascensão da mulher. Coreografia subaquática). Todos nos convidam, portanto, a mergulhar profundamente no regime noturno do imaginário.

Carlos Hof – “Adore” (Julie Gautier Visualiser). Por Marriott Bonvoy, 2019
Narcisse (feat. Julie Gautier). Por Julie Gautier & Behind The Mask, abril 2022
NARCOSE by Julie Gautier with Guillaume Néry, janeiro 2023
Carte Blanche (Directed by Julie Gautier). Paris Haute Couture week, January 23rd, 2023
BAKELITE by Julie Gautier | #SickOfPlastic campaign. Produced by @imagine2050_ and Magali Payen. Directed by  @juliegautierofficial, 07/11/2023

Entre o Céu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Vídeo da conversa

Costumo falar baixo e para dentro, como quem confidencia ou conversa, de improviso, consigo mesmo. Este defeito comporta algumas vantagens: induz silêncio e desafia a atenção. Presta-se, ainda, a saborear as palavras (com a boca cheia, aprecia-se menos a comida). Motivar-me é caminho andado para cativar a audiência, que, com boa vontade, acaba por assimilar a comunicação. Mas cansa-se de tanto se concentrar e esforçar por adivinhar a mensagem. O recurso cirúrgico a silêncios e gracejos oferece pouco alívio.

A situação agrava-se quando se passa da receção ao vivo para o registo filmado. Percebe-se ainda menos. Nem sequer o microfone compensa. Não me incomoda, mas ignoro-o. Com a acústica e a reverberação a complicar, o resultado é desanimador.

Que fazer? Autodisciplinar-me? Burro velho não toma andadura… Resta o apoio técnico: um microfone na lapela com gravação direta, enquanto a Inteligência Artificial não fizer milagres. O efeito positivo da mera gravação direta pode ser comprovado no registo da conversa “Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo” (https://youtu.be/1LM9SLzHzIA).

Há cerca de uma dúzia de anos, empreendi, com o meu filho mais velho, o João, um estudo breve dedicado a seis festas de Cabeceiras de Basto: São Bartolomeu de Cavez; São Sebastião; São Tiago; Santa Senhorinha; São Miguel; e Nossa Senhora do Remédios (ver pdf em anexo). A autarquia voltou a convidar-me, há meses, para uma tertúlia com base nos resultados então obtidos.

Não gosto de me repetir, o que me obriga a contornar os temas sugeridos. As festas serão o pretexto e o alvo, mas não o foco, o conteúdo. Numa divagação solta, sem pruridos académicos, será questão de “imaginar poeticamente imaginários”, com as festas como ponto de partida e de chegada de um roteiro fragmentado e disperso, orientado, principalmente, por um desígnio: inovar e interessar.

Já não discursava de pé fazia anos. Abusei da mobilidade, e a qualidade da transmissão ressentiu-se. O vídeo com a comunicação acusa a perda [importa aumentar o volume do som]. Como complemento, recomendo o artigo O abraço ao divino: a experiência pessoal e social da festa (Tendências do Imaginário, 17.07.2022).

Seguem:

  • O vídeo com a receção (animação e apresentação) – ca. 13 minutos;
  • O vídeo com a comunicação propriamente dita – ca. 97 minutos;
  • O texto correspondente ao capítulo: Gonçalves, Albertino & Gonçalves, João. Entre o céu e a terra: festas e romarias de Cabeceiras de Basto. In Cabeceiras de Basto. História e património, 188-201. Cabeceiras de Basto. Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, 2013
Entre o Ceu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Receção e apresentação. Casa do Tempo, 13 set. 2024
Entre o Céu e a Terra. Festas e Romarias de Cabeceiras de Basto. Comunicação. Por Albertino Gonçalves. Casa do Tempo, 13 set. 2024