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Pró-actividade

Wall Street

No artigo O Eclipse da Velhice, o anúncio da Ariel, Ariel apresenta A+, é interpretado como uma representação amputada das idades da vida: exclui a velhice e o envelhecimento. Saiu nestes dias o anúncio Good Things Come to Those Who Don’t Wait, do Wall Street Journal. A referência às idades da vida resulta mais óbvia. Começa com um nascimento “antes do tempo”. O bebé cresce, por etapas, a um ritmo vertiginoso. A cada etapa é associada uma actividade: mamar, andar, explorar, jogar, namorar, estudar, trabalhar, investir… A curva interrompe-se na juventude adulta. No meio de tantos figurantes, não podia aparecer um idoso? “Poder, podia, mas não era a mesma coisa”! Introduzia um detalhe disfórico num desfile eufórico, com riscos de contágio. O anúncio desenha a sua própria teoria: uma escada que só sobe até ficar sem degraus. O anúncio é um elogio da aceleração, da conquista, da pró-actividade e da juventude empreendedora Um bom anúncio que não se presta a equívocos.

Don’t wait for opportunity. Create it. Get the news, tools and insight you need to get ahead—because good things come to those who don’t wait (Wall Street Journal).

O mundo é uma Hidra e um Janus. Muitas cabeças com muitas faces. O anúncio Good Things Come to Those Who Don’t Wait dialoga com o anúncio Surfers – Good Things Come to Those Who Wait, da Guinness, considerado por muitos o melhor anúncio britânico de sempre. Vale a pena espreitar.

Marca: Wall Street Journal. Título: Good Things Come to Those Who Don’t Wait. Agência: The&Partnership.USA. USA, Outubro 2017.

Marca: Guinness. Título: Surfers – Good Things Come to Those Who Wait. Agência: Abbott Mead Vickers. Direcção: Jonathan Glazer. Reino Unido, 1999.

Regresso às origens

Despedir-se dos anúncios da Guinness não é fácil. São fantásticos! Também me custa esquecer a exposição Vertigens do Barroco (Mosteiro de Tibães, 2007). Na Sala do Recibo do Mosteiro, a um canto, aconchegava-se uma sala de estar com móveis modernos extravagantes e um baú do séc. XVIII onde os anjos não se cansavam de dançar. No centro da sala, corriam, num  ecrã, para a altura faraónico, “cápsulas de emoções”, ou seja, dezenas de anúncios publicitários neobarrocos, entre os quais o Big Ad, da Carlton Draugh (https://tendimag.com/2012/09/08/o-grande-bebedor/), Marry Me, da Siemens (https://tendimag.com/2012/09/07/voo-pre-nupcial/), e o noitulovE, da Guinness, que, estranhamente, ainda não tinha colocado no blogue. É um dos meus anúncios preferidos. Também é dos mais conhecidos. E imitados. Recorrer ao rewind dos trajectos tornou-se moda. Num minuto, a evolução da vida recua, sob o nosso olhar perplexo, até às origens. O minuto que dura o anúncio não é muito, nem é pouco, é a duração suficiente para que o arroto de um peixe pré-histórico (um dipnóico?) complete o ciclo iniciado pelo gole inicial de cerveja numa taberna urbana, a alguns milhões de anos de distância.

Marca: Guinness. Título: noitulovE. Agência: Abbot Mead Vicker BBDO. Direção: Danny Kleinman. UK, 2005.

O catálogo da exposição Vertigens do Barroco está disponível na loja do Mosteiro de Tibães. Trata-se de uma obra colectiva. Junto apenas o texto que assino: Vertigens do Presente. A Dança do Barroco na Era do Jazz (in Gonçalves, Albertino, Mata, Aida, Ferreira, Ângela & Pereira, Luís da Silva, Vertigens do Barroco em Jerónimo Baía e na Actualidade, Braga, Mosteiro de São Martinho de Tibães, 2007). Para aceder ao pdf carregar aqui: Vertigens do Presente. A dança do barroco na era do jazz. ok

Vertigens do Barroco

 

O preto não é uma cor, é uma atitude!

Walter Crane. Neptune's Horses (detalhe). 1882.

Walter Crane. Neptune’s Horses (detalhe). 1882.

Saiu um novo anúncio da Guinness: Made of Black (Gana). Um anúncio da Guinness costuma ser um acontecimento no mundo da publicidade. Por tradição, constam entre os melhores dos melhores. Recordo Sapeurs (2014), World (2009), Tipping Point (2007), Noitulove (2005), Lava (2002) e Surfer (1999). Este último somou prémios e foi considerado, em 2002, o melhor anúncio de sempre pelo Channel 4 e pelo Sunday Times. Os rankings valem o que valem, mas não deixam de valer o que valem.

Marca: Guinness. Título: Made of Black. Agência: Abbot Mead Vickers / BBDO, London. Direção: Sam Brown. Gana, Agosto 2014.

Bon Boullogne dit l'âinée. Neptune amenant Amphitrite dans un char marin. Início séc. XVIII

Bon Boullogne dit l’âinée. Neptune amenant Amphitrite dans un char marin. Início séc. XVIII

A ideia da potência das ondas expressa por cavalos brancos não é nova: é evidente no quadro Neptune’s Horses, de Walter Crane (1892), que inspirou, assumidamente, o anúncio. Trata-se de uma entre muitas pinturas com o carro de cavalos de Neptuno. Reencontra-se esta aproximação entre cavalos e água na cena do rio do filme O Senhor dos Anéis – Irmandade do Anel (2001), com cavalos brancos a emergir da torrente mágica. O diálogo, ou duelo, entre cavalos e surfistas confere um carácter épico e místico ao anúncio.

Marca: Guinness. Título: Surfer. Agência: Abbot Mead Vickers / BBDO, London. Direção: Jonathan Glazer. UK, Março 1999.

Made of Black opta por uma sucessão de imagens muito breves, algumas em slow motion. É um formato frequente. Mas, neste anúncio, cada sequência namora a arte, numa combinação exímia de imagem, som e voz. Os últimos segundos convocam o tópico, que me é caro, da desgravitação. Sincronizar uma dezena de corpos suspensos no ar é obra notável. A Guinness é uma marca de cerveja preta irlandesa. Sofre com o preconceito de que a cerveja preta não é nem tão leve, nem tão versátil como a cerveja “loira”. O anúncio aponta para a seguinte máxima: “o preto não é uma cor, é uma atitude”. A Guinness tem, neste domínio, algum caminho a percorrer. Mas já começou.

Senhor dos Anéis – A Irmandade do Anel. 2001. Cena do rio.

Uma questão de estilo

guinness-beer-sapeurs-600-12920Este Sapeurs, da Guinness, é um anúncio espantoso. Treme no momento e no ponto certo para nos fazer vibrar. Em sociologia, a distinção entre status, classe e partido, proposta por Max Weber, é particularmente difícil de discernir. Os Sapeurs do Congo constituem um bom exemplo daquilo que é um grupo de status: “Their life is not defined by occupation or wealth, but by respect, a moral code and an inspirational display of flair and creativity. This is demonstrated through their love of stylish dressing; but it is not the fabric or cost of the suit that counts, it is the worth of the man inside it”.

Marca: Guinness. Título: Sapeurs. Agência: AMV BBDO, London. Direção: Nicolai Fglsig. UK, Janeiro 2014.

Cadeira de Rodas

Guinness. Wheelchair BasketballO anúncio Wheelchair Basketball (vídeo 1), da Guinness, é o sucesso do momento: boa imagem, bom ritmo, boa música, bom coração e um desfecho inesperado. Suscita, no entanto, dois reparos. Não é preciso sentar-se numa cadeira de rodas para ser solidário, interagir ou partilhar amizade com um paraplégico. É uma ideia obtusa. Como diria Max Weber, “não é preciso ser César para compreender César”. A diferença é um valor. Mas, na publicidade, uma ideia não tem que ser certa ou errada, basta que funcione.

Marca: Guinness. Título: Wheelchair Basketball. Agência: BBDO New York. USA, Setembro 2013.

Na página Ads of the World (http://adsoftheworld.com/media/tv/guinness_wheelchair_basketball), pode ler-se: “It’s a good ad, but not particularly representative of what Guinness is, even with such a vague tagline as ‘Made of More’. It could work for almost any other brand. I miss the days of ‘Good things come to those who wait’ (…) Like I said, could be done for any other brand, and it has: http://www.youtube.com/watch?v=KHIngSfm_ck&feature=youtube_gdata_player”. O anúncio podia ser para qualquer outra marca, incluindo uma marca de gelados (vídeo 2), o que, em abono da verdade, vale para quase todos os anúncios. Ou seja, a originalidade peca por defeito. Para além do conceito, a própria música já acompanhou outros anúncios publicitários. Estes reparos não obstam a que Wheelchair Baketball se destaque entre os anúncios mais partilhados nos últimos dias.

Marca: Mother Darey. Título: Chillz.

Guinness: Nuvem com álcool

A espuma da Guinness é diferente das demais cervejas. É extra (“made of more”). Uma nuvem que apaga generosamente o fogo e a sede que nos consomem.

Marca: Guinness. Título: Cloud. Agência: AMV BBDO, London. Direção: Peter Thwaites. Reino Unido, Outubro 2012.

A recriação do mundo

As marcas de cerveja têm queda para os anúncios épicos. Neste, um grupo de homens (re)anima ou (re)cria o mundo. Naquele tempo ainda não apareciam mulheres ou, pelo menos, não bebiam cerveja. Um anúncio merecidamente super premiado. Monumental, fantástico e refrescante.

Marca: Guinness. Título: Bring it to life. Agência: AMV BBDO, London. Direção: Johnny Green. Reino Unido, 2009.

Cerveja surrealista

Salvador Dali é uma das grandes fontes de inspiração da criação audiovisual desde meados do século passado. Este anúncio da Guinness é um bom exemplo. Só lhe falta o bigode de Dali. Para aceder ao vídeo, carregar na imagem.

Guinness Enigma

Marca: Guinness. Título: Enigma. Agência: Apsa Asesores Publicitarios. Direção: Michael Haussman. Reino Unido, 1995