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“As da raia”, contrabando entre Galiza e Portugal

O jornal galego Faro de Vigo publica hoje, 25 de outubro de 2025, a reportagem “«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal”, da autoria de Malena Álvarez. O artigo focaliza-se em particular no concelho de Melgaço. Contém testemunhos de várias mulheres que intervieram no contrabando. Tive o gosto de colaborar, tal como o Américo Rodrigues. Para aceder ao artigo, carregue na imagem seguinte ou no endereço: https://www.farodevigo.es/estela/2025/10/25/as-da-raia-contrabando-galicia-123019046.html

«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal. Por Malena Alvarez. Jornal Faro de Vigo, 25 OCT 2025 18:33

A balada do arco-íris

Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.

Moledo do Minho 1. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves
Moledo do Minho 2. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves

Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.

Gabriel Fauré – Berceuse Opus 16. Violin: Shishi Zhou; Piano: Chewon Park. Shishi’s Graduation Recital, Master of Music. New England Conservatory’s Brown Hall. February 23, 2016

Pelas alturas

Por mais alto que algo seja lançado é à terra que regressa (provérbio africano)

Ando saído, surpreendendo-me atraído pelas alturas. O que dá que pensar… Depois do planalto de Castro Laboreiro, a subida ao cume do Monte de Santa Tecla. Seja qual for o ponto cardeal, surpreendem-nos paisagens fantásticas sobre o vale e o estuário do rio Minho e a orla marítima a perder de vista, tanto para o lado de Moledo como de Laguardia. Acompanhado pela Rosa, pelo Agostinho e pelo Daniel Noversa, as fotografias são da autoria deste último.
Aproveito para acrescentar uma dezena de fotografias da viagem a Castro Laboreiro, desta vez da autoria do Américo Rodrigues e do José Domingues.

Imagem: Monte de Santa Tecla visto de Moledo

Galeria 1: Vistas a partir do Monte de Santa Tecla

Galeria 2: Castro Laboreiro

Vangelis – Ask the mountains. Voices, 1995
Manfred Mann’s Earth Band – Visionary Mountains. Nightingales & Bombers, 1975

O amor pode curar

A canção do último artigo (Quebrando as regras ao meu jeito) veio do extremo norte do País, onde participei hoje no encontro Contrabando de Letras, com minhotos (Eduardo Pires de Oliveira, Américo Rodrigues) e galegos (Aser Álvarez, Noemia Tato, Mar Varela, Mercedes Vázquez Saavedra). Dende arriba, das Rias Baixas, chegou-me outro vídeo musical: Love Can Heal, do Peter Gabriel. Acrescento, do mesmo cantor, Mercy Street, um dos meus videoclips preferidos.

Peter Gabriel. Love Can Heal. I/O. 2023
Peter Gabriel. Mercy Street. So. 1986

Emilio Cao. A voz e a harpa

A harpa integra os instrumentos da música dita celta. Encontramo-la na Galiza, na Bretanha, na Cornualha, no País de Gales, na Irlanda e na Escócia. Curiosamente, não aparece como característica do Minho, apesar das raízes celtas. Cada um destes territórios possui harpistas célebres, por exemplo, o bretão Alan Stivell, o irlandês Derek Bell (dos Chieftains), a escocesa Phamie Gow, a galesa Catrin Finch ou o galego Emilio Cao.

“Emilio Cao (Santiago de Compostela, 1953) es un músico, compositor y cantautor de música folk y tradicional gallega. Destacado intérprete de arpa celta y recuperador de este instrumento medieval en Galicia” (https://es.wikipedia.org/wiki/Emilio_Cao).

Atuou, com o português Fausto, nos Encontros Culturais I de Castro Laboreiro, em 1986, a 15 de agosto, dia da feira do gado e do concurso do cão de Castro Laboreiro. Contemplando vários eventos associados a tradições locais, tratou-se de uma iniciativa, ousada, protagonizada por um grupo de jovens. Repete-se  uma tendência: o empenho dos filhos e dos netos na valorização e na revitalização do património, dos usos e costumes, dos avós e dos pais.

Seguem quatro canções de Emilio Cao.

Emilio Cao. Baixaron As Fadiñas. Fonte do Araño. 1977
Emilio Cao. “E o tempo fiando un pano”. A Lenda da Pedra do Destiño. 1978
Emilio Cao. Ela Ergueu As Dúas Mans Ao Vento. “No Manto da Auga”. 1982
Emilio Cao. Chuvia nos Vidrios. Sinbad en Galicia. 1992

O trem da outra margem

Monte de Santa Tecla

“Nós somos os fillos lingüísticos das nosas criadas, as criadas que nos criaron” (Xavier Alcalá, escritor amigo de Andrés do Barro).

“O Tren”, galego; “O Tren”, castelán… O galego, todo proibido. Ou seja, tinha todo grabado. Enton paseina poñendo “O Trem”, portugués… E pasou! (Andrés do Barro sobre a aprovação de “O Tren” pela censura).

Encostado à Galiza, do Monte de Santa Tecla sopram memórias húmidas como as canções de Andrés do Barro (1947-1989) dedicadas à emigração e à separação: “O Tren”, “Teño Saudade”, “Adeus Adeus”… Andrés do Barro foi um dos primeiros músicos a cantar em galego e “O Tren” a única canção do País em língua não castelhana a conquistar o topo de vendas. Algumas composições lembram os contemporâneos Aguaviva e Patxi Andion, outras os anos sessenta e a música tradicional galega.

Seguem cinco canções de Andrés do Barro. Aconselho, ainda, o documentário “Andrés do Barro. No Bico un Cantar”, da Televisión de Galícia, emitido no dia 9 de janeiro de 2013, cujo endereço é http://www.crtvg.es/tvg/a-carta/andres-do-barro?t=1089

Andrés do Barro. Adeus Adeus. Me llamo Andrés Lapique do Barro. 1970
Andrés do Barro. Teño Saudade. O Tren. 1970
Andrés do Barro. Meu Amor. O Tren. 1970
Andrés do Barro. O Tren. O Tren. 1970. Do filme En la red de mi canción, de 1971
Andrés do Barro. Amor D.F. O Tren. 1970

Meigas

Existem momentos em que o contexto, os astros, as afinidades e as predisposições se conjugam para transformar a comunicação em comunhão, a porta em ponte, o limite em prolongamento, a cara em carinho e o saber em conhecer (do latim cognoscere, de com, junto, mais gnoscere, saber, ou seja, saber em conjunto). As pessoas, os gestos e os pormenores parecem apostados em entrelaçar as mãos. Não sei por que estou a escrever estas palavras. Deve ter sido algum pirilampo que passou pelo teclado.

Serões do Medo. Melgaço. 21.10.2022

Regressei de Melgaço com os ouvidos cheios de testemunhos de experiências sobrenaturais: acompanhamentos, aparições, sinais, bruxas e meigas. Proporciona-se a canção Túa nai é meiga e, por acréscimo, Alalá Das Mariñas, ambas de Uxía.

Uxía. Túa nai é meiga. estou vivindo no ceo. 1995. Ao vivo no Auditório da Ilha de Arousa. 2018.
Uxía. Alalá Das Mariñas. estou vivindo no ceu. 1995.

Canto galego

Tanxugueiras. Contrapunto. 2021.

Anque tocan as campás
non tocan polos que morren.
Tocan polos que están vivos
para que deles se acorden.
(Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019)

Um canto de Galiza, terra de meus avós. As Tanxugueiras, três vozes femininas, seis dedos de música festiva. Esmorecer é começar a perder.

Tanxuqueiras. Terra. 2021.
Uxía y Tanxugueiras. Túa nai e méiga / A rianxeira.  Real Filharmonía de Galicia. 2019.
Tanxuqueiras. Figa. 2021.
Tanxuqueiras. Midas. 2021.
 Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019.

Aldeia submersa

Ponte sobre as ruínas da aldeia de Aceredo, em Lobios. Galiza (Orgullo Galego).
Ruínas de uma aldeia alagada pelo progresso. Aceredo, Lobios, Galiza (Orgullo Galego).

“Não compreendemos as ruínas antes de nos tornarmos ruínas nós mesmos” (Heinrich Heine. Poésie et prose: portrait et notice bibliographique. Paris. Mercure de France. 1906).

A aldeia de Aceredo, em Lobios, na Galiza, junto à fronteira com Portugal, foi alagada pelas águas do rio Lima por motivo da construção de uma barragem para aproveitamento hidroelétrico. Os residentes foram expulsos de suas casas e propriedades em 1992. Segue um artigo procedente da página Orgullo Galego (https://www.facebook.com/orgullosergalego). Vinte anos antes, em 1972, a aldeia de Vilarinho da Furna, no concelho de Terras do Bouro, conheceu destino semelhante, afundada pelas águas do rio Homem (ver Vilarinho da Furna: Imagens de uma morte adormecida: https://tendimag.com/2012/04/07/vilarinho-da-furna-imagens-de-uma-morte-adormecida/).

Incorporação da página do facebook Orgullo Galego: https://www.facebook.com/orgullosergalego

Morrinha

Moledo do Minho visto de Santa Tecla.

Em Moledo, sinto-me galego. Quando a chuva é miudinha, há quem lhe chame morrinha. Na Galiza, a morriña é um sentimento de melancolia com enxerto de saudade. Seguem dois cantos a Galiza distintos: Romeiro Ao Lonxe, dos Luar Na Lubre, e Un Canto a Galicia, de Júlio Iglesias, ao vivo com Amália Rodrigues.

Luar Na Lubre. Romeiro ao lonxe (con Diana Navarro). Ao vivo. 2009.
Júlio Iglesias (com Amália Rodrigues). Un Canto a Galicia. Ao vivo. 1980.