Os dois infinitos

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.
O Eclipse, o Real e o Imaginado

Não me desloquei 600 km, nem sequer 500 metros; tão pouco cuidei de adquirir os óculos apropriados para eclipses. Em suma, perdi a experiência visual do século.
Moveu-me o pressentimento de que o real iria, mais uma vez, ficar aquém do imaginado. Registei apenas a diminuição, pouco expressiva em Braga, da luz e da temperatura.
Imagem: Durante o eclipse do sol de 13 de agosto de 2026. Fotografia por Almerinda Van Der Giezen
Mas o eclipse propiciou outros fenómenos extraordinários. Para os surpreender era preciso afastar os olhos do sol. As fotografias que a Almerinda Van Der Giezen tirou às projeções e às sombras nos cortinados e nas paredes da manifestam-se espetaculares. Desta vez, o real ultrapassa o imaginável. Um efeito, todavia, natural, tal como as fotografias.
“Pinhole” e “efeito estenopeico” são precisamente os termos que explicam aquilo que, à primeira vista, parece quase uma intervenção artística.
As pequenas frestas entre as folhas funcionam como minúsculos orifícios de uma câmara escura e projetam no chão a imagem do Sol eclipsado. Durante um eclipse, isso torna-se particularmente evidente porque cada pequena abertura produz uma réplica da forma do Sol. (Almerinda Van Der Giezen, 14.08.2026)
Não houve, portanto, “visão múltipla”.
Efeitos do eclipse solar de 13 de agosto de 2026. Fotografias por Almerinda Van Der Giezen




Herança cultural e identidade de proximidade

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).
Identidade e convívio (09.07.2026)
O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)
A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).
A balada do arco-íris
Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.


Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.
Cenas


Entretive-me a procurar anúncios da Sony nos ficheiros do computador. Encontrei algumas relíquias. Dedico estes dois, com sequências de cenas quase fotográficas, ao Álvaro Domingues e à Almerinda Van Der Giezen. Lembranças do Natal, lembranças de sempre.
Imagem: Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Chamo-lhe Ofélia ou Rosa sobre Azul
Amigos imaginários

Promovida em jeito de anúncio de Natal, The Boy & The Octopus é uma curta-metragem “mais-que-perfeita” da Disney. Caprichada, carinhosa e criativa quanto baste, inspira-se noutras figuras infantis “mais-que-célebres”. A amizade, imaginária ou não, costuma ser boa companhia. Amigos imaginários, quem os não teve?
O que é um amigo imaginário?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
“Um amigo imaginário é uma figura criada pela imaginação de uma pessoa, geralmente uma criança, que interage com ela como se fosse uma entidade real. Esse “amigo” pode ter uma forma específica (humana, animal, ou até algo completamente fantástico) e desempenhar um papel importante no mundo interno e nas brincadeiras da criança.
Características de um amigo imaginário:
- Criação subjetiva: Ele existe apenas na mente de quem o cria [Mas pode ser percebido como real].
- Companheirismo: Muitas vezes, o amigo imaginário serve como um confidente ou parceiro para aventuras imaginativas.
- Flexibilidade: Ele pode mudar de personalidade, aparência ou função de acordo com as necessidades e criatividade da criança.
- Função emocional: Oferece conforto, ajuda a lidar com sentimentos ou situações difíceis, como solidão, medo ou mudanças.
Por que as crianças criam amigos imaginários?
• Desenvolvimento da criatividade: É uma manifestação natural da imaginação e da habilidade de criar histórias.
• Exploração social: Permite que a criança pratique interações sociais e explore conceitos como amizade e resolução de conflitos.
• Autonomia emocional: O amigo imaginário pode ajudar a criança a processar emoções e desenvolver uma compreensão do mundo ao seu redor.
O amigo imaginário é algo normal?
Sim, é absolutamente normal, especialmente em crianças entre os 2 e 7 anos. Não é sinal de problemas psicológicos; pelo contrário, pode indicar uma mente criativa e saudável. Em alguns casos, até adultos podem ter figuras imaginárias para refletir ou lidar com situações emocionais.
Esses amigos costumam desaparecer com o tempo, geralmente quando a criança cresce e começa a investir mais nas relações reais” (ChatGPT, 19.11.2024).











