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A beleza da biodiversidade

Apple. Don’t Mess With Mother. 2019.

Quando se aposta, com arte, na estética o resultado é compensador. O anúncio Don’t Mess With Mother, da Apple, é um hino à biodiversidade. Ao ritmo heavy metal da canção Last Rites dos Megadeth. Os autores do anúncio tiveram a sageza de dispensar a besta humana. Preferiram uma avalancha. Há marcas que são um expoente da publicidade.

Marca: Apple. Título: Don’t Mess With Mother. Estados Unidos, Abril 2019.

Confidências de um guarda-chuva solitário

Pendurado na cancela. Fotografia de João Gigante. Livro Pedra e Pele. 2018.

O meu dono deixou-me pendurado nesta cancela metálica. Deixou-me a falar com os meus botões. Um guarda-chuva não fala? Se assim o diz, mas, na verdade, não pode não comunicar, como os humanos de Erving Goffman. O meu dono deixou-me aqui sozinho e pendurado. Pareço um marco ou um padrão: este território tem dono e o dono anda por perto. Sinais de guarda-chuva! Quem passa olha para mim e inteira-se: o Tio Zé anda nos campos. Se não houvesse outras possibilidades, a minha capacidade de comunicar seria questionável. Mas quando há alternativas, a vontade e o sentido intrometem-se. O meu dono possui dezenas de sítios para me colocar. Por exemplo, dentro da propriedade. Mas coloca-me logo à entrada. De outro modo, os transeuntes não saberiam que o Tio Zé está no campo. Para me consolar, sonho que sou um guarda imperial na fronteira de um “reino maravilhoso” (Miguel Torga).

Disse que lembro um marco. Nestes tempos de satelização, assemelho-me também a um ponto de GPS. Na minha aldeia, passa-se a palavra. Uma pessoa pode não estar comigo e saber onde estou. O Tio Zé? O Tio Zé está no campo, deixou o guarda-chuva à entrada.

Pendurado nesta cancela, aguardo a hora da missa. Se chover, vamos em cortejo. Os guarda-chuvas e os donos (ver A Sociedade dos guarda-chuvas). Abrem-se as varetas como os anjos abrem as asas. Discursos e sinais à parte, a nossa missão não é falar, é molhar-nos pelos outros.

Os guarda-chuvas apreciam a música e a dança. Quem não se lembra de Singin’ in the rain (1952)? Entre a cancela e a igreja, apetece ouvir a canção Le Parapluie (original de Georges Brassens, 1952) na versão de Yann Tiersen & Natacha Regnier (2001), com fotografias de Robert Doisneau.

Yann Tiersen & Natacha Regnier. Le Parapluie. 2001.

A sociedade dos guarda-chuvas

À porta da igreja de Parada do Monte. Fotografia de João Gigante. Livro Pedra e Pele. 2018.

Com Álvaro Domingues (coordenador), João Gigante e Daniel Maciel, participo, desde 2017, numa investigação sobre a freguesia de Parada do Monte, em Melgaço. Inventariaram-se documentos, nomeadamente imagens, organizou-se uma exposição (Somos os que aqui estamos – em trânsito), e publicaram-se vários textos. Acresce o livro de fotografias de João Gigante, Pedra e Pele, editado no verão passado (2018). Está ainda na forja um livro global. Este ano, abordamos uma outra freguesia de Melgaço: Prado.

Os objectos falam, diria Edward T. Hall (A Linguagem Silenciosa, 1959; e a Dimensão Oculta, 1966). Mas importa entendê-los. Os objectos são, provavelmente, os melhores analisadores da vida social. Prenhes de sentido, interpelam-nos sem nos atordoar com palavras. São estuários de sentido. Por estranho que seja escutar o silêncio dos objectos, há momentos em que não temos outra solução senão dialogar com eles. Por exemplo quando participei na exposição Vertigens do Barroco, no Mosteiro de Tibães, em 2007, e na criação de um espaço museológico (Espaço Memória e Fronteira, em 2007, em Melgaço). Os objectos falam, calados. É verdade que somos nós quem fala. Nos livros de Álvaro Domingues, os objectos não desdenham posar e confidenciar uma nuvem de discursos esfíngicos.

À porta da igreja, num bengaleiro com varões metálicos cravados no granito, os guarda-chuvas esperam, quietos e mudos, os donos. Tanta gente vê e ninguém presta atenção. São guarda-chuvas e toda a gente sabe que um guarda-chuva é um guarda-chuva. Mas o João Gigante tirou-lhes um retrato. Fotografar é transubstanciar. Os guarda-chuvas já não tremem com o vento mas ganham uma nova vida e cativam novos olhares. As notas numa pauta proporcionam música, os guarda-chuvas numa fotografia proporcionam interrogações e pistas. A disposição dos guarda-chuvas no bengaleiro depende da decisão dos donos. Penduro-o aqui ou ali? Ou não o penduro? Uma sociedade comporta pessoas que se avizinham e compactam configurando grupos e massas. Os guarda-chuvas também se encostam uns aos outros (ver o segundo varão à direita). Outros distanciam-se. Em pequenos grupo (primeiro varão à esquerda) ou individualmente (segundo varão à esquerda e, destacado, no terceiro varão. Uns estão pendurados, outros enfiados. Dois guarda-chuvas dispensam o bengaleiro, encostando-se à porta da igreja. João Gigante tem destes encantamentos: transforma um conjunto de guarda-chuvas numa alegoria da diferenciação social.

Camisola com faíscas

Fotografia: Álvaro Domingues.

O Álvaro Domingues é uma inspiração abençoada. A crónica “Paisagem eléctrica com rebanho” (Público, 09/03/2019) baralha qualquer algoritmo de ideias.

Um rebanho apascenta à sombra de painéis fotovoltaicos. Talvez a lã se destine a uma nova produção de camisolas Thermotebe, as únicas com “características turboeléctricas”, capazes de resistir ao arrefecimento global. O algodão já não engana. Respeitando determinadas proporções no fabrico, a lã destas ovelhas faz faíscas.

As camisolas Thermotebe deixaram de se produzir há cerca de 20 anos, tendo alcançado nos anos oitenta um sucesso internacional espantoso (https://observador.pt/2015/02/15/tem-frio-isso-e-porque-ja-nao-existe-thermotebe/). Com a ajuda dos painéis fotovoltaicos e a boa vontade das ovelhas, reúnem-se condições para voltar a investir na produção de camisolas Thermotebe, com o lema: “Thermotebe, a camisola amiga do ambiente”.

Thermotebe. Portugal.

Corpos densos, corpos tensos

Friedemann Vogel .Stuttgart Ballet – Baki Photography

Habituei-me a ver no bailado corpos imaginados, quase impossíveis. É o caso do bailarino Friedemann Vogel fotografado por BAKI (Figura 1; parece uma alegoria do equilíbrio da economia). Sul-coreano, BAKI foi solista no Bailado Nacional da Coreia, é fotógrafo e coreógrafo.

BAKi transcends the role of the photographer. His work isn’t about capturing the aesthetic of an instant or rendering the essence of a dance through the prism of his own vision. Mastering both disciplines, dance and photography, BAKi submits our eyes to his inner energy and unfolds it in space (Opium Gallery: http://www.opiomgallery.com/en/artistes/oeuvres/4116/baki).

Tapumes à prova de coletes amarelos

Admiro os investigadores e os artistas que conseguem captar o efeito de um fenómeno através de um desvio do olhar. É o caso das fotografias de Baptiste César dos tapumes colocados nas montras de Paris a pensar nos “coletes amarelos”. Agradeço à Adélia ter-me dado a conhecer estas fotografias. Para aceder a uma notícia mais detalhada, bem como a uma galeria de fotografias, carregar na seguinte imagem.

Tapume na Yves Saint-Laurent após os incidentes com os coletes amarelos.

Sombra

M.C. Escher.Three Spheres II. 1946

M.C. Escher.Three Spheres II. 1946.

A sombra é sombria e assombra. “A sombra é, por um lado, aquilo que se opõe à luz: ela é, por outro lado, a própria imagem das coisas fugidias, irreais e mutáveis” (Chevalier, Jean & Gheerbrant, Dictionnaire des Symboles, Paris, Editions Robert Laffont S.A.,1982). Incontrolável, a sombra é uma ameaça em potência. Recorde-se o conto A Sombra (1876) de Hans Cristian Anderson : « A sombra tornara-se o mestre, e o mestre tornara-se sombra ». Na parte final do conto, a sombra, agora homem, manda matar o mestre, cada vez mais sombra. A sombra remete, de algum modo, para os nossos recalcamentos. C.G. Jung associa a sombra “a tudo o que o sujeito recusa reconhecer ou assumir e que, contudo, não para de se lhe impor” (La guérison psychologique, Genève, Librairie de Université Georg & Cie, 1953).

manchanegraSuspendendo os academismos, a sombra do anúncio The Shadow, da Intel, desperta fantasmas da infância: o Mancha Negra das revistas aos quadradinhos da Disney, o adversário mais penoso do rato Mickey. Não é propriamente uma sombra, mas parece. O anúncio da Intel sintoniza-se com o ambiente de horror fictício do Halloween, convoca a afeição dos norte-americanos pelo basquetebol, namora a street art e explora primorosamente a imagem espectral da sombra.

Marca: Intel. Título: The Shadow. Produção: Optane Memory + Uproxx. Estados Unidos, Outubro 2018.

O tema das sombras lembra o vídeo Decantação  que fiz, há uns cinco anos, com fotografias de Paulo Pinto e música da compositora e interprete checa Iva Bittova ((https://tendimag.com/2013/03/10/decantacao/).

Albertino Gonçalves. Decantação. Fotografia de Paulo Pinto e música de Iva Bittova. 2013.

Novas sensações

Royal opera house

A técnica dá a mão à estética. Ocorrem-me, por exemplo, as serigrafias de Andy Warhol. As novas tecnologias audiovisuais permitem ver a realidade como ninguém, pelo seus próprios meios, alguma vez viu. É o caso dos movimentos de dança no anúncio Feel Something New, da Royal Opera House, de Londres.

Marca: Royal Opera House. Título: Feel Something New. Agência: Atomic London. Inglaterra, Setembro 2018.

“Atomic’s striking new campaign and visual identity for the revamped Royal Opera House captures ballet and opera stars with a radical new technique to stunning effect. Captured over an intense three day shoot with photographer Giles Revell, we used a revolutionary technique to capture the shape and colour of movement, blurring the lines between the moving and still image.”

Galeria de imagens: Marey & Muybridge

Esta “técnica revolucionária” “com efeito deslumbrante” lembra inventos e obras de há mais de um século. Em primeiro lugar, a cronofotografia de Etienne-Jules Marey (ca. 1882) e de Eadweard Muybridge, inventor do zoopraxiscópio. Ambos pretendiam estudar a “máquina animal” (ver galeria de imagens Marey e Muybridge; pode consultar, também, Fotografar o movimento do corpo). Lembra, em segundo lugar, os artistas futuristas, com a sua obsessão pelo movimento e pela velocidade (ver galeria de imagens; pode consultar, também, Pneus olímpicos / Futurismo).

Galeria: Futuristas

É uma tentação e um dever colocar algumas barbas brancas nas novíssimas tecnologias!

 

Filmes do Homem / A cumplicidade dos objetos

Filmes do Homem. Identidade, Memória, Fronteira.. 2018. Catálogo.

Filmes do Homem. Identidade, Memória, Fronteira.. 2018. Catálogo.

De 30 de Julho a 5 de Agosto, ocorre, em Melgaço, o Festival Filmes do Homem, organizado pela Câmara Municipal e pela associação Ao Norte. “Um evento de referência no território nacional e internacional”. Além do cinema, o Festival contempla outras actividades, tais como a fotografia. Articula-se, entre outras entidades, com o Museu do Cinema, o Espaço Memória e Fronteira, a Torre da Menagem, a Casa da Cultura, a Porta de Lamas e o Museu de Castro Laboreiro.

Melgaço, um dos municípios mais envelhecidos do País, insiste em ser dinâmico e ambicioso. Colaboro com os Filmes do Homem desde a origem. Nos últimos anos, foi incluída uma exposição de fotografia. O Álvaro Domingues  e eu próprio temos escrito os textos para os catálogos. No dia 30 de Julho, pelas 19:30, na Casa da Cultura, vão ser lançadas publicações com as fotografias e os textos correspondentes a três exposições.

Para aceder ao pdf do Catálogo dos Filmes do Homem, de 2018, carregar na imagem acima ou no seguinte endereço: file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/Cat%C3%A1logo%20Filmes%20do%20Homem.pdf

Para aceder ao pdf do texto “A cumplicidade dos objectos”, carregar na imagem abaixo (uma mulher a preparar a terra) ou no seguinte endereço: Albertino Gonçalves. A cumplicidade dos objectos. Exposição Pedra e Pele, de João Gigante. Filmes do Homem 2018.

A amanhar a terra. Exposição a Pedra e a Pele. João Gigante. Filmes do Homem, 2018.

A amanhar a terra. Exposição A Pedra e a Pele. João Gigante. Filmes do Homem, 2018.

O fascínio da fotografia

O fascínio da Fotografia

01. Folheto da exposição Retratistas e Fotógrafos de Coura.

Se desacelerar, o mundo para? As vacas deixam de dar leite e as universidades de trepar nos rankings? Quando virá o reino do slow world? Alguma razão tinha Marshall Sahlins (Stone Age Economics, 1972) quando sugeria que a sociedade da abundância era a dos Pigmeus enquanto a nossa era a sociedade da escassez, da correria atrás das novidades e das mercadorias. Se a memória não me engana, os Pigmeus satisfaziam as suas necessidades trabalhando duas a três horas por dia. Nos antípodas, a velocidade é o nosso estado de repouso e a saturação o nosso ponto de equilíbrio.

O texto O Fascínio da Fotografia é filho da urgência. Foi-me pedido, em boa hora, pela Dra. Maria de Fátima Silva Cabodeira, Curadora do Arquivo Municipal de Paredes de Coura, para o catálogo da Exposição Retratistas e Fotógrafos de Coura (séc. XIX e XX). Receio que os meus textos se estão a transformar em palavras de corrida envoltas numa retórica trivial. Pensamentos rápidos.

O fascínio da Fotografia

A partir do renascimento, as pinturas tendem a substituir as armas nas paredes das casas. No século XIX, cumpre às fotografias suceder aos quadros. À semelhança de outras inovações técnicas, como a imprensa (ver McLuhan, Marshall, A Galáxia de Gutenberg, 1962), a fotografia alterou a relação do ser humano com o espaço e com o tempo. Inaugurou uma nova era da imagem. A fotografia é memória reprodutível comunicável à distância, que contempla quase tudo: pessoas, objectos e eventos.

Fotografia post-mortem. Menina morta com as suas bonecas.

02. Fotografia postmortem. Menina morta com as suas bonecas.

As fotografias impõem-se, antes de mais, como imagens que são cópias e testemunhos da realidade. As fotografias postmortem, para além de comunicar, certificavam os óbitos. Qualquer que seja o modo e a técnica, as fotografias são objectos que falam. Mostram e definem pessoas, fenómenos, paisagens e, até, o mundo. Depressa se tornaram uma necessidade. Os encontros e as efemérides passam a requerer a presença do fotógrafo. As pessoas aprendem a viajar com as asas dos postais ilustrados e da publicidade. As imagens mais icónicas do século XX são fotografias, instantâneos de encruzilhadas históricas. Por exemplo, O Beijo da Times Square (1945), Phan Thi Kim Phúc no Vietname (1972) ou a Autoimulação de um Monge Budista em Saigão (1963). “O que a Fotografia reproduz ao infinito teve lugar apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente” (Barthes, Roland, La chambre claire, 1980).

A história da fotografia processa-se a várias velocidades, vaga a vaga. Os anos sessenta consumam a democratização da fotografia graças, em parte, à comercialização de novos aparelhos fotográficos, mais ágeis e mais baratos. Pierre Bourdieu (Un Art Moyen, 1965), num estudo encomendado pela Kodak, fala em expansão de uma “arte média”. Volvido quase meio século, as novas tecnologias digitais propiciam uma nova vaga. A produção, e a circulação, de fotografias dispara sem precedentes. Fotografa-se tudo. A fotografia tornou-se omnívora. Populariza-se a autofotografia (selfie). A fotografia faz parte do pisca-pisca identitário banal: “estou aqui e sou este; acolá, talvez seja outro. Que o digam as fotografias”. A nova vaga da fotografia presta-se a um narcisismo partilhável, com assistência técnica.

Seria ingénuo acreditar que as fotografias são independentes do produtor, do fotógrafo e do editor. As fotografias não se resumem a meras cópias da realidade. Convocam o olhar e a arte. Dependem do ângulo, da perspectiva, do propósito e de um sem número de detalhes e decisões. Muitos fotógrafos visam não a cópia mas a construção da realidade, porventura a criação de uma ilusão ou, até, de uma mentira.

Existem fotografias post-mortem que “dão vida ao morto”. Pintam-se, por exemplo, as pupilas nas pálpebras cerradas para animar os olhos. Neste caso, o engano resulta, não da fotografia, mas de uma cosmética da realidade. Em contrapartida, noutros casos, a realidade, intacta, é transformada pelo modo como é captada para gerar, por exemplo, um efeito de ilusão.

Na Jumpology (1959) do fotógrafo Philippe Halsman, dezenas de celebridades são fotografadas enquanto saltam. O resultado é uma sensação de levitação. Proliferam as fotografias que a partir de determinado ângulo logram fenómenos improváveis, a modos como o Belvedere (1958) de M.C. Escher. O fotógrafo pode, pela técnica de revelação ou pela edição, fabricar realidades. É o caso da burla das fotografias com fantasmas de Willam Hope (1863-1933).

Na era de Estaline as pessoas sumiam das fotografias. Compor a realidade não é uma tentação exclusiva do poder. Há alguns anos, uma empresa tirou fotografias aéreas das casas com o objectivo de as vender aos proprietários. Houve casos em que os compradores pediram que fosse apagada na fotografia a casa do vizinho, cobrindo-a, eventualmente, com árvores deslocadas. Graças ao Photoshop, e programas similares, tornou-se fácil retocar as fotografias, dando azo à criatividade, mas também à adulteração e à impostura.

Voroshilov, Molotov, Stalin, com Nikolai Yezhov

12. Voroshilov, Molotov, Estaline, com Nikolai Yezhov

Nikolai Yezhov, figura controversa, desaparece na segunda fotografia. Desempenhou altos cargos na União Soviética, incluindo a chefia da polícia secreta durante a Grande Purga. Foi pr

13. Nikolai Yezhov, figura controversa, desaparece na segunda fotografia. Desempenhou altos cargos na União Soviética, incluindo a chefia da polícia secreta durante a Grande Purga. Foi preso, torturado e executado em 1940, acusado de ser “inimigo do povo”.

A fotografia é uma profissão, um negócio, uma arte, um documento e um passatempo. Nos tempos que correm, raia o vício, um vício com gosto variável. Na sociedade actual, a fotografia adquiriu o dom da ubiquidade. Não é um problema de somenos importância. Omnipresente na paisagem urbana e na Internet, interpela-nos e influencia-nos sem nos pedir permissão, nem sequer atenção.