Tag Archive | fotografia

Domus Aurea: o sonho enterrado (revisto)

O artigo Domus Aurea: o sonho enterrado vai integrar o livro A morte na arte, numa secção intitulada A morte das coisas. Vai ser o artigo mais antigo do livro (Abril 2012), bem como o mais visitado do blogue, graças, em boa parte, ao facto de ter sido recomendo pelo jornal El País.

As figuras grotescas remontam, pelo menos, ao primeiro século da era cristã. Os frescos fabulosos descobertos nas “grutas” subterrâneas das “termas de Tito” pertenciam, de facto, à Domus Aurea, o palácio edificado por Nero, após o incêndio de Roma, entre 64 d.C. e 68 d.C. Era, anacronismo à parte, o palácio de Versalhes da antiguidade romana.

O Templo de Vénus e Roma visto do Coliseu.

01. O Templo de Vénus e Roma visto do Coliseu.

Ocupava entre 40 e 80 hectares, consoante as estimativas, junto ao futuro Coliseu. Ostentava uma cúpula dourada e comportava 300 aposentos. Entre os acabamentos extravagantes, contavam-se frescos com grotescos que cobriam paredes e tectos.

Domus Transitoria. Frescos.

02. Domus Transitoria. Fresco.

O estilo grotesco já era patente na Domus Transitoria, anterior palácio imperial de Nero (figuras 2). Um século antes, os “grotescos” eram “moda” em Pompeia (figuras 3), cuja escavação arqueológica só começou no século XVIII (a partir de 1749). A maior parte das casas de Pompeia adornavam-se com frescos ao jeito grotesco, com efeitos de ilusão a que se associava uma profusão de figuras fantásticas. Um estilo de decoração retomado na Domus Transitoria e na Domus Aurea.

Pompeia. Frescos

03. Pompeia. Fresco

O sucesso da descoberta dos frescos da Domus Aurea, por finais do século XV, acabou por lhes ser fatal. A curiosidade imprudente dos visitantes, o vandalismo, a rapinagem e a exposição aos elementos naturais contribuíram para que poucos fragmentos tenham sobrevivido. Há vestígios de buracos abertos nos tectos para acesso. A humidade, a chuva e a oxidação foram inclementes. A pilhagem dos monumentos e das ruínas em Roma era, na época, de tal ordem que o Papa Benedicto XIV ( 1675-1740) classificou o Coliseu como lugar sagrado para obstar à sua degradação.

Domus Aurea. Frescos do quarto estilo na sala 78. 64-68 d.C.

04. Domus Aurea. Frescos do quarto estilo na sala 78. 64-68 d.C.

Existem gravuras antigas elucidativas de como era a Domus Aurea aquando da sua descoberta. Nos séculos XVI a XVIII, a pintura e o desenho de monumentos eram apreciados. Graças a essas obras, é possível conceber o aspecto exterior ( (Figuras 5 a 7) e interior das ruínas (Figuras 8 a 15).

Francisco de Holanda esteve em Roma entre 1537 e 1540,  no rescaldo da descoberta das “grutas das Termas de Tito”. Teve o ensejo de produzir 29 desenhos sobre a decoração da Domus Aurea, com um rigor que reivindica, em 1540, para uma das suas cópias: “tal como eu mesmo vi e tal como me coloquei”. Infelizmente, destas 29 gravuras, apenas restam três aguarelas reproduzidas no Álbum dos Desenhos das Antigualhas (Livros Horizonte, 1989): o tecto da Sala Dourada, a divisão principal da Domus Aurea (figura 08), e dois  frescos parietais entretanto destruídos (figuras 9 e 10).

Volvidos dois séculos, em 1774, Ludovica Mirri, um mecenas da arte, contratou Vicenzo Brenna, Francesco Smuglewiz e Marco Carloni para copiar as decorações interiores da Domus Aurea. Resultaram mais de sessenta gravuras. As figuras 11 a 15 constituem uma pequena amostra dos resultados da missão. A figura 07, da autoria da mesma equipa, é sugestiva da popularidade das ruínas. Convém ressaltar que estas gravuras foram concebidas em finais do século XVIII, em pleno período neoclássico. É possível que, dois séculos após a descoberta da Domus Aura, alguns frescos já não apresentassem contornos tão precisos.

Os artistas não se limitaram a retratar as ruínas e os frescos sobreviventes. Giacomo Lauro, em 1612, e Fischer von Erlach , em 1721, arriscam reconstruir a Domus Aurea original (Figuras 16 e 17). Os seus desenhos não se afastam muito da reconstituição avançada, em 2014, pela Altair4 Multimedia (Figura 18; ver documentário Domus Aurea outside: https://www.youtube.com/watch?time_continue=102&v=5b1xKrVEM0c). Coincidem quanto à envergadura gigantesca, nomeadamente da fachada, e na existência de um lago. O colosso de Nero, uma estátua com 30.3 metros (segundo Plínio, História Natural, xxxiv, 39) não consta das gravuras dos séculos XVII e XVIII.

“A Domus Aurea abraçava toda a Roma” (Plínio, História Natural, XXXII, 54). Apesar da sua imponência, foi destroçada e enterrada em poucas décadas. Nero “suicidou-se” em 68 d.C. O seu sucessor, Galba, declara a herança de Nero não grata (damnatio memoriae). A Domus Aurea começa a ser, de imediato, despojada e entulhada.

Ruínas das termas de Trajano

19. Ruínas das termas de Trajano

A cisterna das sete salas. Termas de Trajano

20. A cisterna das sete salas. Termas de Trajano

Dois anos após a morte de Nero, em 70, Vespasiano inicia a construção do Coliseu, no espaço do lago da Domus Aurea. Em 81, as Termas de Tito são erguem-se sobre os escombros do palácio de Nero. Trajano acrescenta novas termas, também sobre a Domus Aurea (Figuras 19 e 20). Em 121, Adriano inicia a construção do Templo de Vénus e Roma (Figura 1), deslocando para o efeito o colosso de Nero, cuja cabeça tinha sido, entretanto, substituída. Em pouco mais de 50 anos, a Domus Aurea foi arrasada e esmagada por edifícios de grande dimensão. Foi enterrada à nascença.

Fotografias do interior da Domus Aurea

 

A degradação humana

A degradação e a violência do ser humano em cinco fotografias da Getty Images escolhidas pela agência DDB Argentina (imagens em alta resolução, carregar para aumentar).

“La idea es mostrar la contraposición entre la sensibilidad social y artística de una fotografía” (…). “De esta forma, muestra las injusticias del mundo que tanto sensibilizan sin dejar de lado la belleza y calidad que contienen las fotos, ya que fueron capturadas por los mejores fotógrafos que trabajan para Getty Images” (DDB Argentina).

1. Lixo. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

1. Lixo. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

2. Pobreza. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

2. Pobreza. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

3. Soldado. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

3. Soldado. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

4. Ataque. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

4. Ataque. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

5. Corno. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

5. Corno. Getty Images. DDB Argentina. A partir de Adlatina.

A máscara da vida: As fotografias post mortem

Post mortem 01

Post mortem 01.

“É impossível conhecer o homem sem lhe estudar a morte, porque, talvez mais do que na vida, é na morte que o homem se revela (…) É nas suas atitudes e crenças perante a morte que o homem exprime o que a vida tem de mais fundamental” (Morin, Edgar, L’Homme et la Mort, Paris, Seuil, 1951). Com ou sem filtros, a morte é o nosso espelho; e as sociedades caracterizam-se pelo modo como tratam os seus mortos.

Post mortem 02

Post mortem 02.

A relação com a morte altera-se com a passagem do tempo. Na Idade Média, a morte era omnipresente. Agonizava-se e trespassava-se em companhia, nomeadamente, dos familiares e dos vizinhos. Assistiam à agonia e à morte tanto os adultos como as crianças.

Post mortem 03

Post mortem 3.

Hoje, afastamos o cadáver, bem como o moribundo. Morre-se cada vez mais em hospitais, atendido por profissionais de saúde, numa agonia solitária. Existem cerimónias fúnebres em que o corpo do defunto sai quase directamente do hospital para o cemitério, com escala na igreja. Em breve, não se morre, desaparece-se! Entre dissimulações, eufemismos e recalcamentos, “tudo se passa na cidade como se ninguém morresse” (Ariès, Philippe, 2000, O homem perante a morte, Lisboa, Publicações Europa-América). O luto é abreviado e a expressão pública do sofrimento contida. A consequência não se faz esperar: deixamos de estar preparados para a morte. A nossa morte e a morte alheia. Os enfermeiros queixam-se desta impreparação, de ter que acudir a todos, moribundos e familiares.

Post mortem 04

Post mortem 04

O modo como se encara a morte condiciona a qualidade dos últimos momentos de vida (Rodrigues, Welberg Menezes, Do outro lado da Morte, entre o Medo e a Esperança: Narrativas Biográficas de pessoas em fim de vida. Mestrado em Sociologia, Universidade do Minho, 2016). O exílio da morte comporta custos individuais e colectivos por avaliar. O exorcismo da morte alimenta fantasmas que, embora não se manifestem aos sentidos, estão activos. Povoam as catacumbas do nosso desconforto ontológico.

No livro A Solidão dos Moribundos (1972), Norbert Elias sugere que a transformação da nossa relação com a morte condiz com as tendências seculares do processo civilizacional do Ocidente: contenção da violência e da agressividade, resguardo da sexualidade, aumento da esfera da intimidade, estilização da alimentação, apuramento da higiene… Estas tendências prosseguem, nos nossos dias com processos tão banais como o combate à transpiração, aos odores corporais, aos pelos e às rugas. Removemos cheiros, excessos e rugas; escondemos os moribundos e os mortos; damos caça ao animal que subsiste em nós, mas, para nosso infortúnio, ainda não logramos eliminar a morte. Esta é a nossa tragédia.

Para além da impreparação para a morte, também estamos a ficar mal preparados para o nascimento, para a reprodução. Estamos, em suma, mal preparados para o essencial. Em contrapartida, sentimo-nos à vontade no lazer, no turismo, no desporto, no consumo, na moda, no egoísmo, na comunicação, na arte e na cultura.

Post mortem 07

Postmortem 07.

As fotografias post mortem testemunham esta mudança, em menos de um século, da atitude perante a morte. Hoje, suscitam estranheza e comoção. Na viragem do século XIX para o século XX, eram correntes. Em muitos casos, o falecido está depositado na urna (fotografias 1 e 2). As fotografias valem, sobretudo, como memória. São, também, partilhadas com o objetivo de comunicar e certificar o óbito. Noutros casos, as fotografias são alvo de cuidadosa encenação: o morto aparece de pé; com objetos de estimação; com animais domésticos; com familiares… Os mortos vestem a máscara da vida.

Post mortem 08

Post mortem 8

Impunha-se retratá-los com se estivessem vivos. Os dispositivos mecânicos ajudavam a fixá-los na posição desejada (fotografias 08, 09, 11 e 12). Recorre-se a cosméticos para “dar vida” ao rosto e, quando se proporciona, pintam-se as pupilas nas pálpebras (fotografias 04, 08 e 10). Curiosamente, a técnica fotográfica contribui para uma maior nitidez dos corpos dos mortos. Durante o período de exposição à objectiva, os vivos, ao contrário dos mortos, movimentam-se, resultando mais baços e com os contornos menos definidos (ver fotografias 07, 08, 13 e 14).

Post Mortem 09

Post mortem 09.

Nas fotografias post mortem, predominam as crianças. Por um lado, era frequente não haver nenhuma fotografia da criança falecida. Era a única e derradeira ocasião. Por outro lado, morriam muitas crianças. Na segunda metade do século XIX, a mortalidade infantil é elevada: em França, ronda os 200 por mil (em termos percentuais, cerca de sessenta vezes mais do que o valor atual: 3,3 por mil, em 2014). O risco de morte entre um e cinco anos de idade aproxima-se dos 100 por mil. A esperança de vida ronda os 40 anos nos homens e os 45 anos nas mulheres (Meslé, France & Vallin, Jacques, Reconstitution de tables annuelles de mortalité pour la France au XIXe siècle, Population,  Année 1989, Volume 44  Numéro 6  pp. 1121-1158).

Post Mortem 10

Post Mortem 10.

A fronteira entre a vida e a morte é complexa. Se as fotografias post mortem surgem como crepusculares, trata-se de um crepúsculo ambíguo: a sombra tem luz. A despedida reanima o falecido. Torna-se, por vezes, um desafio discernir, nas fotografias, os vivos dos mortos. Alguns cadáveres esperaram oito dias pela fotografia: o limiar entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos é frágil e versátil.

As fotografias post mortem incluem vivos e mortos. Algumas contemplam retratos de pessoas ausentes, provavelmente familiares desaparecidos. São retratos com retratos (Figura 13).

“Tirar fotografias aos vivos segurando o retrato dos mortos era também uma prática comum no final do séc. XIX (…) Nestes retratos de retratos, assinalava-se a presença virtual de um familiar, que estava fisicamente ausente, remetendo-nos para a força rememorativa e a eficácia fantasmática da fotografia: a existência fotográfica permitia reunir numa só prova fotográfica os mortos e os vivos” (Correia, M. L. (2016). No negativo: morte e fotografia. In M. L. Martins; M. L. Correia; P. Bernardo Vaz & Elton Antunes (eds.), Figurações da morte nos média e na cultura: entre o estranho e o familiar (pp. 207-226). Braga: CECS).

Post mortem 13

Post mortem 13.

Convocar numa fotografia, para além do morto, os vivos e outros mortos memoráveis significa desenhar uma comunidade de vivos e de mortos, noção que Carmelo Lison-Tolosana aplica às povoações (Antropología Cultural de Galicia (Madrid, Akal, 1971) e que, em tempos, associámos às casas (Gonçalves, Albertino & Nunes, João Arriscado (1986), “Casa, comunidade e espaço institucional”, Minho: terras e gente, Cadernos do Noroeste, Universidade do Minho, pp. 100-112).  Com as fotografias de antepassados nas salas e nos corredores, as casas configuravam simbolicamente, não vai muito tempo, comunidades de vivos e de mortos.

Post mortem 14

Post mortem 14.

As fotografias post mortem constituem um exemplo de vida social do morto, de existência para além da morte. Apresentam-se também como um indício do que pode significar a noção de comunidade de vivos e de mortos. Ficção científica à parte, não podemos matar os mortos, quando muito esquecê-los.

Selfesses: auto-retratos traseiros

culotte-madeinfrance-art-sarahvieilleEm tempo de obsessão pelo corpo e pela expressão corporal, não há recanto carnal que não seja digno de cuidado e exibição. O corpo fala, por todos os poros. Nem as partes mais íntimas se esquivam ao olhar público. Qualquer órgão ou pedaço de pele justifica filmagem, fotografia e divulgação. Trata-se de uma sobre identidade carnal contagiosa. Neste quadro, o rabo, outrora recatado, ascende às luzes da ribalta. La Bobette, marca francesa de culottes (calcinhas) deu um passo em frente: abriu, com sentido de oportunidade empreendedora, um concurso de auto-retratos do rabo em Instagram. As selfies abrem a porta às selfesses. A nossa outra reflexividade. O rabo merece! Mas desencante-se quem pensa que vivemos no limiar dos tempos. A estética do rabo tem milénios. Contemporânea é, oscilando entre a farsa e a tragédia, a febre dos concursos, tantas vezes simulacros de democracia, burocracia e peritagem.

Marca: La Bobette. Título: Selfesse. Direcção: Marion Dupas. Produção: Frenzy Picture. França, Novembro 2016.

Filmes do Homem. Melgaço, 2 a 7 de Agosto

filmesdohomem

Existem, sempre, bons motivos para visitar Melgaço. Os Filmes do Homem 2016, Festival Internacional de Documentário de Melgaço, é um motivo muito especial. Decorre de 02 a 07 de Agosto, em várias localidades do concelho. Para aceder ao catálogo, carregar numa imagem ou no seguinte endereço: http://www.filmesdohomem.pt/doc/FDH2016.pdf.

Filmes do Homem. Projecção junto à Torre de Menagem. Melgaço, Agosto 2016.

Filmes do Homem. Projecção junto à Torre de Menagem. Melgaço, Agosto 2016.

O Oráculo das Boas Causas

Rafael Sanzio. Madona Sistina. 1512-1513. Dresden. Detalhe.

Rafael Sanzio. Madona Sistina. 1512-1513. Dresden. Detalhe.

“Bater-se por uma causa justa é já uma vitória” (Anónimo).

A imagem, o som, a estética, a técnica, a história, a criatividade e o envolvimento, quando são bons, contribuem para a qualidade de um anúncio publicitário. Mas existe um trunfo com importância crescente: uma boa causa. As boas causas movem montanhas. No anúncio Not just pictures, a Nikon refreia por uma boa causa, os indígenas das florestas, santuários da natureza e da humanidade: “Stop. They are not just pictures. Stop killing the forest!”. Resta convencer os anjos de Rafael Sanzio.

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004.

Whiskey sábio

Conferência  de Solvay - 1927.

Conferência de Solvay – 1927.

Auguste Piccard

Auguste Piccard

Nada escapa à voracidade da publicidade. Nem sequer a ciência. O anúncio ao whiskey Hennessy reconstitui a primeira ascensão estratosférica em balão. Proeza de Auguste Piccard, físico, inventor e explorador suíço, fonte de inspiração para a personagem do Professor Tournesol, de Hergé. Cientista reputado, “cujas experiências não cabiam nos laboratórios”, consta, em cima à esquerda, da fotografia da Conferência de Solvay, em 1927, na companhia de, entre outros, Werner Heisenberg, Niels Bohr, Max Planck, Marie Curie e Albert Einstein.
Pergunto-me como, naquele tempo, sem rankings, nem factores de impacto, estes sábios conseguiram conhecer-se e encontrar-se.

Conferência  de Solvay - 1927. Com identificação.

Conferência de Solvay – 1927. Com identificação.

Se Auguste Piccard subiu mais alto, o filho, Jacques Piccard desceu mais baixo! Foi o primeiro a atingir, em 1960, o ponto mais profundo do planeta: a fossa das Marianas (11 034 metros). O neto de Auguste Piccard , Bertrand Piccard, empreendeu, em 1999, o primeiro voo de balão à volta do mundo sem escalas (ver documentário sobre a família Piccard).
O que tem o whiskey Hennessy a ver com os Piccard? Nada, logo tudo! A publicidade é espantosa, não é?

Marca: Hennessy V.S.. Título: The Piccards. Agência:

Rotação

“Uma tentação assombrava o Pinga Letras. Deixar de escrever. Não tem a quem, pelo menos, alguém que se sinta. Escrever é um engajamento; parar, um desprendimento. Escrever é coisa de sísifos, de moinhos de água. Página a página, a pedra mói sem pausas. Um dia, deixa de escrever, e ninguém dá por isso. É verdade que cultiva um estilo próprio: nota-se à primeira frase; à segunda ou à terceira enfastia. Metáforas, paradoxos, subentendidos, intertextualidades… E algumas ideias. Quem quer ideias? Não há ideias como as de cada um… Ponto final! A originalidade é um estorvo. Bastam ecos e massagens. Por outro lado, em textos curtos, as ideias parecem raquíticas. São bonsais do pensamento. Falta-lhes o incenso, o sermão e a procissão. O melhor é regressar à incubação de livros, esses transoceânicos da sabedoria fadados à insolação da inteligência. Um livro! Daqueles que passam, num ápice, de contribuições importantes a lixo de estantes. Um livro, com introdução e conclusão, mais um ano dos vinte que restam. Uma promessa, um sacrifício, uma mercadoria. E o Pinga Letras não parava de cogitar: um dia, talvez recomece do ponto de partida. Será um grande avanço. E entusiasma-se. Vai ser um grande livro, na crista do vento e com título apelativo: A Liquidez Conjugal na Era da Coca-cola” (Apontamentos de um limpa para brisas, 2016).

Michael Kenna, nascido em 1953 na Inglaterra, é um fotógrafo residente nos Estados Unidos. A sua fotografia, enigmática, despojada e minuciosa, acusa influências orientais, nomeadamente do Japão. Segue uma pequena galeria de imagens.

Um século de fotografia

Leica100_01A Leica faz 100 anos. Para celebrar, evoca 35 fotografias num vídeo de extrema qualidade. 35 fotografias recompostas que somos convidados a identificar. Não é o primeiro anúncio com este formato. Recordo o Icons, do The Sunday Times (https://tendimag.com/2014/02/13/a-espera-dos-icones/). Estes 100 anos dão, porém, um salto em frente.

Marca: Leica Gallery São Paulo. Título: “100”. Agência: F/Nazca Saatchi & Saatchi São Paulo. Direcção: Jones + Tino. Brasil, Outubro 2014.

Fotogenia

Albert EinsteinPor que motivo Einstein mostra a língua? É um dos mistérios do século XX, agora desvendado pela Sony graças a uma alta tecnologia de reconstituição fotográfica. Afinal, Einstein está a colar envelopes de correio, sendo a língua o humidificador. Quem pensou noutro motivo, pecou. Noutra fotografia célebre, o riso de Marilyn Monroe ofusca o sorriso da Gioconda. Funciona, segundo a Sony, como um recurso para se livrar de apuros. Quem pensou numa virtude, errou! Ambos os casos convocam a sedução: Einstein seduzido pela gula, Marilyn, sedutora por conveniência.

Marca: Sony Cybershot. Título: Einstein. Agência: Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi, Argentina. Direcção: Marcelo Burgos. Argentina, 2011.

Marca: Sony Cybershot. Título: Marilyn. Agência: Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi, Argentina. Direcção: Marcelo Burgos. Argentina, 2011.