Tag Archive | fotografia

Tina, a menina do bairro de lata

Gérald Bloncourt – Menina portuguesa no bairro de St. Denis
A menina do bairro de lata. Tendências do Imaginário, 07.09.2011

Os dois infinitos

Fotografia por João Gonçalves. Holanda, Agosto 2026

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.

Adobe / CGI VFX Animated Music Video – “The Vein / Magma” by – Dvein. 2013
Dorna ‘Purity’ TVC / Director’s Cut. Agência: Ogilvy Frankfurt. Direção: Dvein. Alemanha, 2015
CGI VFX Short Films – “River Island x JP Braganza” – by Dvein. White Lodge. 2015

O Eclipse, o Real e o Imaginado

Não me desloquei 600 km, nem sequer 500 metros; tão pouco cuidei de adquirir os óculos apropriados para eclipses. Em suma, perdi a experiência visual do século.

Moveu-me o pressentimento de que o real iria, mais uma vez, ficar aquém do imaginado. Registei apenas a diminuição, pouco expressiva em Braga, da luz e da temperatura.

Imagem: Durante o eclipse do sol de 13 de agosto de 2026. Fotografia por Almerinda Van Der Giezen

Mas o eclipse propiciou outros fenómenos extraordinários. Para os surpreender era preciso afastar os olhos do sol. As fotografias que a Almerinda Van Der Giezen tirou às projeções e às sombras nos cortinados e nas paredes da manifestam-se espetaculares. Desta vez, o real ultrapassa o imaginável. Um efeito, todavia, natural, tal como as fotografias.

“Pinhole” e “efeito estenopeico” são precisamente os termos que explicam aquilo que, à primeira vista, parece quase uma intervenção artística.
As pequenas frestas entre as folhas funcionam como minúsculos orifícios de uma câmara escura e projetam no chão a imagem do Sol eclipsado. Durante um eclipse, isso torna-se particularmente evidente porque cada pequena abertura produz uma réplica da forma do Sol. (Almerinda Van Der Giezen, 14.08.2026)

Não houve, portanto, “visão múltipla”.

Efeitos do eclipse solar de 13 de agosto de 2026. Fotografias por Almerinda Van Der Giezen

Fotografias e árvores

Lunch Atop a Skyscraper (1932). Rockefeller Center, New York

Entre os testemunhos do devir histórico e da passagem do tempo sobressaem as fotografias e… as árvores (ver, por exemplo, Registo Civil Vegetal e Limoeiro). Ilustram-no, por um lado, a Leica ao celebrar o seu centenário no anúncio do artigo Um século de fotografia e, por outro, a Mata Nacional do Bussaco no anúncio “A História de uma Árvore” lançado há menos de três semanas, em 28 de julho de 2026.

Um século de fotografia. Tendências do Imaginário, 13.08.2015
Fundação da Mata Nacional do Bussaco – A História da Árvore. Agência: Coming Soon. Portugal, julho 2026

Até os esqueletos dançam

William Blake – Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing, ca.1786. Tate Britain
Tendências do Imagináio, 27 de julho de 2020
Tendências do Imaginário, 16 de junho de 2019

Herança cultural e identidade de proximidade

Paul Gauguin. Arearea – Joyeusetés, 1892. Musée de Orsay

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Rafael – Os Querubins de Rafael. A Madona Sistina (detalhe], entre 1513 e 1514. Gemäldegalerie Alte Meister. Dresden

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004. [Recuperado]

Identidade e convívio (09.07.2026)

O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)

Castle Milk Stout – Inzalo Yelanga. Agência: Joe Public. Direção: Zee Ntuli. África do Sul, julho 2026

A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).

A balada do arco-íris

Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.

Moledo do Minho 1. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves
Moledo do Minho 2. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves

Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.

Gabriel Fauré – Berceuse Opus 16. Violin: Shishi Zhou; Piano: Chewon Park. Shishi’s Graduation Recital, Master of Music. New England Conservatory’s Brown Hall. February 23, 2016

Cenas

Fotografia de Álvaro Domingues. Habituei-me a chamá-la A Catedral

Entretive-me a procurar anúncios da Sony nos ficheiros do computador. Encontrei algumas relíquias. Dedico estes dois, com sequências de cenas quase fotográficas, ao Álvaro Domingues e à Almerinda Van Der Giezen. Lembranças do Natal, lembranças de sempre.

Imagem: Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Chamo-lhe Ofélia ou Rosa sobre Azul

Marca: Sony HD. Título: Beauty. Agência: Y&R, Singapore. Direção: Sam Tootal, 2010
Marca: Sony. Título: Soundville. Agência: Fallon London. Direção: Juan Cabral. UK, 2009

Amigos imaginários

Promovida em jeito de anúncio de Natal, The Boy & The Octopus é uma curta-metragem “mais-que-perfeita” da Disney. Caprichada, carinhosa e criativa quanto baste, inspira-se noutras figuras infantis “mais-que-célebres”. A amizade, imaginária ou não, costuma ser boa companhia. Amigos imaginários, quem os não teve?

O que é um amigo imaginário?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
“Um amigo imaginário é uma figura criada pela imaginação de uma pessoa, geralmente uma criança, que interage com ela como se fosse uma entidade real. Esse “amigo” pode ter uma forma específica (humana, animal, ou até algo completamente fantástico) e desempenhar um papel importante no mundo interno e nas brincadeiras da criança.
Características de um amigo imaginário:

  1. Criação subjetiva: Ele existe apenas na mente de quem o cria [Mas pode ser percebido como real].
  2. Companheirismo: Muitas vezes, o amigo imaginário serve como um confidente ou parceiro para aventuras imaginativas.
  3. Flexibilidade: Ele pode mudar de personalidade, aparência ou função de acordo com as necessidades e criatividade da criança.
  4. Função emocional: Oferece conforto, ajuda a lidar com sentimentos ou situações difíceis, como solidão, medo ou mudanças.
    Por que as crianças criam amigos imaginários?
    • Desenvolvimento da criatividade: É uma manifestação natural da imaginação e da habilidade de criar histórias.
    • Exploração social: Permite que a criança pratique interações sociais e explore conceitos como amizade e resolução de conflitos.
    • Autonomia emocional: O amigo imaginário pode ajudar a criança a processar emoções e desenvolver uma compreensão do mundo ao seu redor.
    O amigo imaginário é algo normal?
    Sim, é absolutamente normal, especialmente em crianças entre os 2 e 7 anos. Não é sinal de problemas psicológicos; pelo contrário, pode indicar uma mente criativa e saudável. Em alguns casos, até adultos podem ter figuras imaginárias para refletir ou lidar com situações emocionais.
    Esses amigos costumam desaparecer com o tempo, geralmente quando a criança cresce e começa a investir mais nas relações reais” (ChatGPT, 19.11.2024).
Marca: Disney UK. Título: The Boy & The Octopus. Agência: adam&eveDDB. Produção: Hungry Man. Direção: Taika Waititi. UK, 12.11.2024

Amores humanos e lugares sagrados

O Canadá é um berço ímpar de intérpretes musicais: Neil Young, Leonard Cohen, Diana Krall, Celine Dion, Alanis Morissette… Chantal Chamberland destaca-se como um desses talentos. Ousa dar um toque pessoal, com um muito ligeiro sotaque québequois, a canções que nos convencemos ser indissociáveis das celebridades que as imortalizaram, tais como Joséphine Baker, Charles Trenet, Jacques Brel ou Yves Montand.

Imagem: No Mosteiro de Tibães. Fotografia de Maria Fátima Machado Martins

Guimarães também é berço. Da Nação e de excelentes artistas visuais.

Antigo emigrante em França, adoro entreter-me a faire des bricoles. Desta vez, deu-me para sobrepor duas séries relativamente extensas: uma lista com canções interpretadas pela Chantal Chamberland e uma galeria com fotografias da Maria Fátima Machado Martins. Preguiçoso, confinei a seleção às fotografias partilhadas que tirou no Mosteiro de Tibães, um recanto privilegiado para atividade e retiro. A Chantal Chamberland tanto canta em inglês como em francês. Por agora, abracei a segunda língua. Condiz mais com a minha cara. Quando se produz um regalo, importa assiná-lo!

A cada fotografia corresponde uma canção, identificada na respetiva legenda. Insinua-se uma certa dissonância entre ambas: as canções prendem-se com amores humanos e as fotografias com lugares sagrados. Na verdade, amores humanos e lugares sagrados não são de todo incompatíveis.

Chantal Chamberland – J’ai deux amours (Joséphine Baker, 1930). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Que reste-t-il de nos amours? (Charles Trenet, 1943) Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Les feuilles mortes (Yves Montand, 1949). Serendipity Street, 2003. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Ne me quitte pas (Jacques Brel, 1959). Serendipity Street, 2003. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Dis moi (The Beatles, 1966). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Je l’aime à mourir (Francis Cabrel, 1979). Autobiography, 2015. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Mon mec à moi (Patricia Kaas, 1988). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins