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A Cruz de Ferro

Brum do Canto. A Cruz de Ferro
Brum do Canto. A Cruz de Ferro

Em tempos de clouds e megabases, existem cópias de filmes que se perdem irreparavelmente. Há cerca de dois anos, a Câmara Municipal de Melgaço pretendeu projetar o filme A Cruz de Ferro (1968). Realizado por Jorge Brum do Canto, o filme foi rodado e estreado em Castro Laboreiro. A ideia era replicar a estreia: no mesmo local, com lençóis a servir de ecrã… Infelizmente, não se encontrou uma única cópia utilizável. Nem sequer na Cinemateca. O filme A Cruz de Ferro é mais um pássaro Dodo!

[Post scriptum: encontrou-se, entretanto, uma cópia em bom estado. Ver: https://www.youtube.com/watch?v=28HstNqSgb8].

O vídeo Film is Fragile, do British Film Institute, aborda, precisamente, a necessidade urgente de preservar as cópias dos filmes. O resultado condiz com a reputação da produtora The Mill.

Anunciante: British Film Institut. Título: Film is Fragile. Produção: The Mill. Reino Unido, Outubro de 2015.

A Parte e o Corpo

The Hands of Orlac . 1924.

The Hands of Orlac . 1924.

Realidade ou fantasia, a personalidade dupla é um tópico comum. Mais insólito é o tópico da corporalidade dupla. Mais prótese, menos prótese, o corpo pode prescindir de uma parte. A ficção científica vai mais longe: no romance Não Temerei Nenhum Mal, de Robert Heinlein (I Will Fear No Evil,1970), Johann Sebastian Bach Smith enxerta o seu cérebro no corpo de uma funcionária. O problema resume-se em saber a que parte vai sair o híbrido: ao patrão ou à funcionária? O dilema é antigo. No filme mudo The Hands of Orlac (1924), um pianista sofre um acidente que lhe destroça as mãos. Recorre a um transplante. Mas o pianista começa a adoptar comportamentos criminosos. As mãos transplantadas pertenciam a um assassino!

Marca: Cervejaria Nacional. Título: Bike & Beer Belgium 2014. Agência: Brancozulu. Brasil,  Julho 2014.

Este comentário sofre de um vício de interpretação. O anúncio é uma comédia e o comentário enreda-se em tragédias. Como redimir esta perversidade? Neste blogue, analisam-se  muitos anúncios, o que não quer dizer que seja essa a sua vocação. O blogue é um grande “desvocacionado”. Os anúncios são, frequentemente, tomados como pretexto. Neste caso, a aura cultural, e civilizacional, do romance I Will Fear No Evil e do filme The Hands of Orlac é de tal ordem que, proporcionando-se, ignorá-los seria uma falha. No blogue Tendências do Imaginário, os dedos correm sobre as teclas como se fossem cabras.

O reino de Taquicardia

O filme Le Roi et l’Oiseau (1980) constitui um bom exemplo de articulação entre a animação (Paul Grimault), a música (Wojciech Kilar e Joseph Kosma) e o texto (Jacques Prévert). Vale a pena ver este episódio da pintura do retrato do rei de Taquicardia.

Algumas das mais belas canções francesas tiveram a assinatura de Joseph Kosma e Jaques Prévert. A mais célebre é, porventura, Les Feuilles Mortes, com a interpretação de Yves Montand, que também cantou Le Chant des Partisans (letra de Joseph Kessel e Maurice Druon e música de Anna Marly, 1943). Trata-se de um hino da resistência francesa contra a ocupação nazi,  de que o filme Le Roi et l’oiseau representa, a seu modo, uma parábola surrealista.