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A mecânica da felicidade

Mitsubishi Midas

Tudo muda: “todo o mundo é composto de mudança”. Todo o mundo? Não. Por consenso, o automóvel Mitsubishi é uma excepção. Como admite Luís de Camões: “E afora este mudar-se cada dia, / Outra mudança faz de mor espanto / Que não se muda já como soía”. Deve ser esta espantosa estabilidade automóvel, à prova do toque de Midas, a mecânica da felicidade.

Marca: Mitsubishi. Título: Midas. Agência: África. Direção: ALASKA. Brasil, Maio 2014.

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, d
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

A felicidade é uma flor caprichosa

DearFutureMom

“O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída (…) o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens” (Descartes, Discurso do Método).

A felicidade não é como o bom senso cartesiano. É, antes, como o amor pascaliano: “não tem idade, está sempre a nascer” (Blaise Pascal, Discours sur les passions de l’amour). A felicidade é caprichosa. Tem, sem dúvida, condicionantes, mas não tem lugar, nem mestre. Não tem caminho, nem ponto fixo. Não se decreta, nem se prescreve. Como é voz comum, não se compra. Surpreende. Cresce e murcha como uma flor sem jardim. A felicidade não é um estado, é um movimento. É a alma a fazer surf na espuma dos dias.

Anunciante: World Down Syndrome Day. Título: Dear Future Mom. Agência: Saatchi & Saatchi. Direcção: Luca Lucini. Itália, Março 2014.

Destapar o sol!

Coca-Cola. CieloCom tanta nuvem taciturna, dava jeito destapar o sol. Quem se candidata a subir a uma escada tão alta como o défice para afastar as nuvens? E, já agora, com mais um ou dois degraus não daria para destapar o futuro? Coitado, parece uma ostra sem pérola! Em contrapartida, este anúncio é soalheiro e optimista, a condizer com a “fábrica da felicidade”.

Cliente: Coca-Cola. Título: Cielo. Agência: Young & Rubicam. Direção: Pucho Mentasti, Watta Fernandez. Argentina, 2009.

A condição de felicidade

Toyota Rav4. Make it yours.A publicidade não é um espelho. Para além dos próprios espelhos, poucos ou nenhuns espelhos há. Nem sequer os “espelhos da alma”. Mas espreitando com um olhar engenhoso, alguma coisa se vislumbra. Os anúncios são um bom meio de acesso àquilo que as marcas, as agências, os media e os públicos identificam como valores, sensações e experiências a procurar, partilhar ou evitar. Por exemplo, a felicidade. O que é? O que a motiva? Como se reconhece e como se manifesta? Em suma, o que é “a condição de felicidade”? Este anúncio da Toyota dá para começar a treinar.

Marca: Toyota Rav4. Título: Make It Yours. Agência: Draftfcb Johannesburg. Direção: AK. República da África do Sul, Abril 2013.

A Institucionalização da Felicidade

A Felicidade, eu conheci-a, era uma senhora de idade, de boas famílias, alta e magra, que morava junto à igreja da minha aldeia. Chamá-la pelo nome era um regalo. Hoje, é o Dia Internacional da Felicidade. É-se feliz? Para sempre, nos contos de fadas. Está-se feliz? Muitas vezes. Há quem meça a felicidade dos povos… Mais complicado do que abraçar as nuvens. Mas há quem acredite nestes ícaros da objectividade forçada… E quem devore os números e os regurgite. Hoje é o dia internacional da felicidade. Quem diria! Seguem:

– uma entrevista ao Jornal de Notícias sobre a “felicidade dos portugueses”, publicada hoje (para aceder ao artigo, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3118437&page=-1).

– um vídeo musical dos Fleetwood Mac (Don’t Stop. Rumours, 1977), não para proporcionar felicidade, mas um pouco de alegria. A resolução do vídeo deixa a desejar, mas a qualidade do conteúdo compensa.

JN. O truque da felicidade à portuguesa

O truque da felicidade à portuguesa. Jornal de Notícias, 20.03.2013

O ecrã não é uma janela

Bernini. O êxtase de Santa Tereza. Pormenor.

Bernini. O êxtase de Santa Tereza. Pormenor.

Este anúncio da marca Brian Atwood abusa de um efeito: exibir até aos limites do oculto, de um oculto imaginável. Apetece aproximar o olhar do ecrã para vislumbrar um pouco mais, para alargar o campo de visão. Mas não! O ecrã não é uma janela. E a Eva Herzagova está a passar do outro lado. Quando muito uma janela de Alberti uma vez terminado o quadro. O ecrã funciona como um quadro, como um quadro animado. Tem limites rígidos. Há modalidades de imersão que escapam a interatividade ecrânica.
Amanhã é o dia internacional da felicidade. Já podem começar a treinar!

Marca: Brian Atwood. Título: Brian Atwood Spring 2013. Agência: Hsi advertising agency. Direção: Mert and Marcus. Reino Unido, Março 2013.

Sumo de fruta do paraíso

Se, em vez de trincar a maçã, Adão se tivesse satisfeito com o sumo, o que teria acontecido à humanidade? Vale a pena espreitar este anúncio argentino.

Produto: Arcor / Jugo en polvo BC. Título: Paraíso. Agência: Kepel & Mata. Direção: Pablo Fusco. Argentina, Março 2012.

Momentos felizes

Espelhar a felicidade constitui uma tarefa relativamente difícil. É mais fácil retratar a tristeza, a fúria ou o ódio. Nos videojogos as expressões de felicidade são raras. Pelo menos, nada que se compare ao medo ou à raiva. Pelos vistos, a felicidade é uma das expressões humanas mais complexas, mesmo ao nível muscular. Razão acrescida para que estes 60 segundos de felicidade estampada nos rostos sejam devidamente apreciados.

Anunciante: Staples. Título: Holiday Rehearsal. Agência: MacLaren McCann Toronto, Canada. Direção: Benji Weinstein. Canadá, Dezembro 2011.