A Ave, o casal e a lápide

Prometi, há dois meses, colocar o capítulo “A ave, o casal e a lápide: as esculturas da porta da igreja de São João Baptista de Lamas de Mouro” logo após o lançamento do livro Uma paisagem dita casa, de João Gigante, integrado no programa Quem somos os que aqui estamos?, do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Aconteceu ontem.

Tenho vindo a afastar-me da nobre missão de facultar ciência. Contento-me com namorar o conhecimento. A autoridade da lição e do relatório cede à desenvoltura da poesia, do conto ou da comédia. Entrego-me ao gozo da descoberta e da escrita e aposto no prazer do eventual leitor. Sem lonjuras nem distâncias, próximo das realidades e dos públicos. “A ave, o casal e a lápide” presta-se a ser lido como um romance policial. Nem sequer foi preciso reordenar as etapas da pesquisa. O texto espelha o percurso efetivo. Constitui um exemplo de investigação tal como sucede. Confesso algum carinho por estas páginas: não pretendem desvendar a realidade, mas acrescentar e valorizar; não contabilizam, satisfazem.
Segue o capítulo “A ave, o casal e a lápide: as esculturas da porta da igreja de São João Baptista de Lamas de Mouro”, in Gigante, João, Uma paisagem dita casa, Ao Norte, 2022, pp. 124-139. Acresce a reportagem da visita, em 2021, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao MDOC.
Telemóvel Superstar. Parada de mitos
Não sei se o homem e a mulher são religiosos, mas adoram ídolos e símbolos. Até na cozedura do pão! O anúncio Phone History, da Three, comprova-o o valor dos ídolos e dos símbolos. O naufrágio do Titanic, a fome na pré-história, as esposas de Henrique VIII, a Serpente de Eva, o incêndio de Roma, Moisés no mar Vermelho, todos estes episódios teriam sido diferentes se, no seu tempo, existissem telemóveis. Nem roda, nem máquina a vapor. Glória! Graças ao telemóvel, vivemos uma viragem excepcional na história da humanidade. Vai mais uma paródia de um mito? O rei Don Sebastião, o Encoberto, foi finalmente descoberto graças ao GPS de um telemóvel. Estava à espera de um barco no Entroncamento.
O anúncio é criativo e o ritmo das sequências é admirável. Felizes as marcas que se expõem ao próprio humor.
Marca: Three. Título: Phone History. Agência: Wieden+Kennedy (London). Direcção: Ian Pons Jewell. Reino Unido, Outubro 2018.
O hambúrguer
Ela dá à luz um bebé, ele, dá um hambúrguer. Esta assimetria remonta a Adão e Eva. Ela dá uma maçã, ele, nem sequer o caroço. Os homens são umas esponjas. Não lhes basta a mãe, ainda sugam a esposa ou a namorada. Mas, humor à parte, o hambúrguer é mesmo importante. Se calhar, a coisa mais importante do mundo. Aposto que há mais gente a comer hambúrgueres do que a cear amor (ver A Ceia do Amor: http://tendimag.com/2014/03/31/a-ceia-do-amor/).
Marca: McDonald’s. Título: The Birth. Agência: DDB. Direcção: Bjorn Sjoblad. Finlândia. Fevereiro 2015.
Dieta Paradisíaca
A expulsão do paraíso é um tema incontornável do nosso imaginário. Com o tempo e as circunstâncias, tem sofrido revisões, cortes e enxertos (ver http://tendimag.com/2012/11/13/vestir-os-nus/). Alguns, espantosos, como o anúncio Adam+Eve, da Doritos. Se Eva tivesse comido a maçã e Adão se tivesse contentado com os Doritos, como ficava o mundo? Um inferno paradisíaco?
Marca: Doritos. Título: Adam+Eve. Director: Stephen Schuster. EUA, 2010.
Sumo de fruta do paraíso
Se, em vez de trincar a maçã, Adão se tivesse satisfeito com o sumo, o que teria acontecido à humanidade? Vale a pena espreitar este anúncio argentino.
Produto: Arcor / Jugo en polvo BC. Título: Paraíso. Agência: Kepel & Mata. Direção: Pablo Fusco. Argentina, Março 2012.

