“Light my Fire”
Anúncio Ride, da “Burn” (Coca Cola), com comentário de Carlos Nascimento:
Marca: The Coca-Cola Company, Burn. Título: Ride. Agência: PUBLICIS MOJO Sydney. Direção: Garth Davis. Austrália, Junho 2011.
“Se Maffesoli precisasse de um exemplo audiovisual para exemplificar as tribus, de que fala, bem como de todo o universo que estas implicam, este filme quase bastaria. O filme começa num espaço anónimo, enterrado, ignorado. Uma voz off, humaniza-o, lançando um desejo: “I have this crazy fantasy on my head… Energy trapped inside my body. The energy commes out. We can do whatever we want”. Enquanto se formula esse desejo, vai surgindo um grupo em movimento. Nenhum em particular é dono daquela voz, daquela ideia interior. Não é um líder que comanda o grupo. Não há dialogo sequer. Aquele pensamento podia ser exteriorizado por qualquer um e não foi por ninguém. O laço entre o grupo é tão forte que nem precisa de diálogo. Cada um pensa por si e sabe que os outros também pensando por si, pensam a mesma coisa que o outro. Não há ligação mais forte do que aquela que não precisa de sinais nem de rituais. Neste grupo de skaters, mais do que ligação é pura conexão. A seguir, é tempo de deixar a energia sair. Sai-lhes do corpo de uma forma sobrenatural, mas, nem por isso, lhes confere poderes assim. O corpo a arder é apenas uma identificação exterior do que os une interiormente. Um sentido que dá prazer maior ao prazer simples que os reúne, o skating. Volte-se ao “we can do whatever we want”. Neste filme esta afirmação tem tudo de sensível e nada de físico. É uma possibilidade que, mais do que implir à acção e à transformação, leva à transcendência. O espaço urbano é um recreio depois da noite cair. Os rastos de fogo na noite têm tanto de belo como de trágico. A música, cujo ritmo impele, também avisa: “Make your move now and try to win the game, but in the end always stays the same.” Nada podia ser mais inconsequente e sem desígnio. O raiar do dia chega e, com ele a normalidade, a dos outros, não a daquele grupo, que mantém presente, e à parte, o seu próprio sonho. “You have to keep that dream alive in your mind.” Só quem é assim é que se vê assim” (O Lugar da Estética na Publicidade Actual, Projecto de Investigação para Candidatura a Doutoramento em Ciências da Comunicação, Universidade do Minho, 2012).
Um Brinde
Permito-me sugerir um cocktail para um brinde à seleção: Uma mão cheia de cores; três ou quatro mulheres; uma boa pitada de criatividade mais um tudo nada de essência oriental; agitar em slow motion. Beber com os olhos fechados.
Marca: Sony. Título: Eye Candy. Agência: chickINchair Productions. Direção: Will Hyde. 2010.
Comer com os olhos / Os alimentos em Arcimboldo
A culinária está a dar nas vistas. Na televisão, multiplicam-se os concursos de cozinheiros. Tudo pode ser alvo de valorização estética, e os alimentos estão na primeira linha. Estes anúncios da Lurpak, uma marca dinamarquesa de manteiga, apostam, precisamente, na estetização dos alimentos, de uma forma que lembra os quadros de Giuseppe Arcimboldo (ver galeria). Como sustentam os responsáveis pela campanha: “Celebrating cooking in its most vibrant form, we’re reminded that healthy food doesn’t have to be boring.”
Marca: Lurpak. Título: Be Wonderful and Wise. Agência: Wieden+Kennedy, USA. Direção: Dougal Wilson. EUA, Janeiro 2012.
Marca: Lurpak. Título: Kitchen Odyssey. Agência: Wieden+Kennedy, London Stink. Direção: Martin Krejci. Reino Unido, Junho 2011.
Os Alimentos em Arcimboldo
- 1. Arcimboldo. O Verão. 1563.
- 2. Arcimboldo. A Água. 1563-64.
- 3. Arcimboldo. O Cozinheiro, c. 1570
- 4. Arcimboldo. O Verão.1573
- 5. Arcimboldo, O horticultor.1590
- 6. Arcimboldo. Retrato antropomórfico composto com frutos.1590
- 7. Arcimboldo. Vertumnus. 1591
- 8. Arcimboldo. O Cozinheiro, Copenhaga. Castelo de Rosenborg
Abraço à terra
Ama a tua terra. Fisicamente. Abraça-a. Carnalmente. “E deixa-te estar assim eternamente”. Cola-te com prazer a um semáforo, a um vidro, a uma parede, a um marco de correio. Os tempos que correm são pan-libidinais. Mas não te esqueças de ver este anúncio. É de uma beleza tão serena que até dá vontade de o encostar ao peito.
Anunciante: BBC Local Radio. Título: Show your love / Love where you live. Agência: Rainey Kelly Campbell Roalfe / Y&R. Direção: Vince Squibb. Reino Unido, Agosto 2010.
Bilhete postal com mulher dentro
A fazer fé no anúncio “Natural Skin Therapy”, as bombas na Coreia do Sul são anatómicas, comportando uma estética que, em alguns aspectos, lembra o trabalho do realizador francês Bruno Aveillan (ver, por exemplo, o anúncio Jessica Stam para o perfume Eau de Rochas).
Marca: Maybreeze. Título: Skin Natural Therapy. Agência: Ogilvy. Direcção: Jong Min Lee. República da Coreia (Coreia do Sul), Novembro 2010.
Marca: Eau de Rochas. Título: Jessica Stam. Direcção: Bruno Aveillan. França.
Agarra o segundo
Agarra o segundo. O tempo pode esperar. Uma curta-metragem realizada por Wim Wenders.
“Your challenge as a video artist is to “seize the moment”. Everyone – professionals, amateurs, cell-phone camera enthusiasts — is invited to capture a one-second long moving picture. The subject can be anything you consider as beautiful: a smile, a child’s face, a flower, a piece of the world around you, as long as the video lasts only one second.”
Anunciante: Montblanc. Título: The beauty of a second. Agência: Leo Burnett Milan. Direcção Wim Wenders. Novembro 2011.









