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A Cavatina pedagógica

Crianças Pensantes. Charlie Brown.

Logo, espera-me uma aula. Preparo-me. Rascunho apontamentos, que não vou utilizar, e ouço música, que passa ao lado. Música que me inspire a lograr que os alunos gostem de alguma coisa. O firmamento dos gostos mudou. Não basta que uma maçã seja boa, é preciso que haja vontade de a trincar. Consola-me pressentir que a Bruxa Malvada não faria melhor. A música de hoje é a Cavatina, composta por Stanley Myers, em 1970. Ficou célebre pela versão do filme The Deer Hunter (1978) e pela interpretação de John Williams. Desta vez, temos um duo: Manuel Barrueco e, curiosamente, Steve Morse, do último Deep Purple.

Manuel Barrueco & Steve Morse. Catavina. Nilon & Steel. 2001. Compositor: Stanley Myers (1970).

Humanidade e inclusão

Herman Kuypers (Holanda). Babel try out. Anos 2000

Herman Kuypers (Holanda). Babel try out. Anos 2000. Babel, a história de um projecto de inclusão que acabou em segregação.

O anúncio Neymar Jr. and Teacher Kids alcança o alvo. A Humanity & Inclusion assegura, racional e emocionalmente, a mensagem. O jogador de futebol Neymar Jr. é o “embaixador”. Não sei se é um exemplo de ensino-aprendizagem, mas revela-se um bom actor. As crianças, por sinal, desfavorecidas são um suplemento de comunicação e sensibilidade. A manutenção das línguas é uma boa opção. O anúncio tem tanta qualidade que ouso desconversar. Diz Neymar Jr.: “Se eles podem ensinar, eles podem aprender”. Naturalmente! Mas na minha imaginação existem pessoas que ensinam como trombas de água e aprendem como desertos.

Anunciante: Humanity & Inclusion. Título: Neymar Jr. and Teacher Kids. Agência: Herezie (Paris). França, Outubro 2018.

Homenagem aos professores

Este anúncio é uma magnífica homenagem aos professores. Tem a marca do planeta do Principezinho. Tive bons professores. Estão a ensinar os anjos a voar sem asas. Sinto-lhes a falta. As ideias gostam de voar, nas nuvens ou nas aulas.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

Teacher Training

Anunciante: Teacher Training. Título: Sonhos. Agência: Delaney Lund Knox Warren & Partners (London). Reino Unido, 1999.

Encontro de Sociologia no mosteiro de Tibães

O Encontro de Sociologia traz-me afastado da música e do blogue. Mas é uma iniciativa compensadora. Seguem o cartaz, o texto de divulgação, o programa e a imagem do íman que será oferecido durante o Encontro.

Cartaz Encontro Sociologia

O Encontro de Sociologia congrega todos os alunos dos cursos de Sociologia da Universidade do Minho (licenciatura, mestrados e doutoramento), bem como os docentes e os funcionários do Departamento de Sociologia. O Encontro decorre no dia 18 de Abril, durante a tarde, no Mosteiro de Tibães. Para a deslocação entre a Universidade e o Mosteiro, haverá dois autocarros que partem às 13 horas junto à pastelaria Montalegrense e regressam às 19 horas. O Encontro inclui visita guiada ao Mosteiro, um dos mais belos exemplares da arte barroca em Portugal, uma conferência e um espetáculo com música, teatro e vídeo protagonizado por estudantes de Sociologia.

Contamos com a presença de todos!
A Direção do Departamento de Sociologia

Programa

14h00 | Visita guiada ao Mosteiro

16h00 | Sessão de Abertura

Rui Vieira de Castro, Reitor da Universidade do Minho,
Helena Sousa, Presidente do Instituto de Ciências Sociais
Albertino Gonçalves, Diretor do Departamento de Sociologia
Maria de Lurdes Rufino, Coordenadora do Mosteiro de Tibães
Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM

Conferência “Vigilância, segurança e crime: desafios para a Sociologia”

por Helena Machado, Departamento de Sociologia da Universidade do Minho.

17h00 | Espetáculo de Música, Teatro e Vídeo pelos alunos dos cursos do Departamento de Sociologia

Moderação: José Cunha Machado, Diretor adjunto do Departamento de Sociologia & Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM.

19h00 | Encerramento.

Imagem do íman alusivo ao encontro

Imagem do íman alusivo ao Encontro de Sociologia.

Portinari e o burro montado às avessas

Candido Portinari. Circo. 1932.

Figura 1. Cândido Portinari. Circo. 1932.

Estou a ler teses, relatórios e trabalhos práticos. “Não há coisa mais gostosa no mundo”, diria Sancho Pança! Quero acreditar que quanto mais um professor é “experiente” mais tende a aprender com os alunos. Entre outras razões, porque lhes dá a oportunidade.

Cândido Portinari. Circo. 1933.

Figura 2. Cândido Portinari. Circo. 1933.

Hoje, aprendi com o trabalho de uma aluna dedicado ao pintor Cândido Portinari e ao estilista Ronaldo Fraga. No trabalho, aparece em duas pinturas de Portinari o motivo do burro montado às avessas (ver figuras 1 e 2). A aluna não o relevou. Não vinha a propósito. Mas há quem ande às voltas com a figura do burro montado às avessas. Atente-se nos seguintes artigos:
Máscaras – Bugiada e James Ensor: https://tendimag.com/2015/03/26/mascaras-bugiada-e-james-ensor/
O burro e a violência doméstica: https://tendimag.com/2015/03/29/o-burro-e-a-violencia-domestica/
Sileno, o vinho e o burro: https://tendimag.com/2015/03/28/sileno-o-vinho-e-o-burro/
Tolos e burros: https://tendimag.com/2015/02/19/tolos-e-burros/.

Cândido Portinari. Circo. 1932.

Figura 3. Cândido Portinari. Circo. 1932.

“Cândido Torquato Portinari, um dos doze filhos de uma família humilde de imigrantes italianos, nasceu em 30 de dezembro de 1903 em Brodowski, interior de São Paulo. É um dos mais importantes ícones da arte moderna brasileira com quase 5 mil obras (…)
Em 1929, Portinari instala-se em Paris, conhece movimentos artísticos como o expressionismo e surrealismo. Mesmo como bolsista não mantém uma boa produtividade criativa mas vive um momento decisivo para a definição do seu estilo. A distância da terra natal despertou no pintor saudosismo e admiração por sua origem o que será uma das características mais fortes de sua obra. O que pode ser observado na carta enviada à Rosalita Almeida:
“Daqui fiquei vendo melhor a minha terra – fiquei vendo Brodowski como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada… Vou pintar o Palaninho, vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor. Quando comecei a pintar senti que devia fazer a minha gente e cheguei a fazer o “baile na roça”. Depois desviaram-me e comecei a tatear e a pintar tudo de cor – fiz um montão de retratos. Eu nunca tinha vontade de trabalhar e toda gente me chamava preguiçoso. Eu não tinha vontade de pintar porque me botaram dentro de uma sala cheia de tapetes, com gente vestida à última moda… […] Uso sapatos de verniz, calça larga e colarinho baixo e discuto Wilde, mas no fundo eu ando vestido como o Palaninho e não compreendo Wilde”.

Cândido Portinari. Circo. 1932

Figura 4. Cândido Portinari. Circo. 1932.

Retorna ao Brasil em 1931, e inicia sua participação no movimento modernista brasileiro (…) Portinari, em 1932, apresenta sua primeira exposição com em torno de 60 obras inspirada na sua memória de infância. Naquele momento confirma o desejo que tinha de formatar uma arte genuinamente brasileira, retratar nos quadros sentimentos e memória da sua origem.

Cândido Portinari. Circo, 1942.

Figura 5. Cândido Portinari. Circo, 1942.

Nesta fase, é um artista que retrata com cores terrosos, contrastes entre a paisagem e a figura humana, traços borrados as vivências e paisagens da terra onde nasceu. É o estilo revelado em suas obras após o retorno da Europa. Cenas da sua infância simples e interiorana, como o Circo, o Futebol e a Festa em Brodowski” (Da Costa, Patrícia Pereira Cardoso, 2017, Análise Cândido Portinari X Ronaldo Fraga, Trabalho para a disciplina Sociologia e Semiótica da Arte, Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, Universidade do Minho, p. 5 a 7).

Fancisco de Goya. Tu que no puedes. 1799.

Figura 6. Fancisco de Goya. Tu que no puedes. 1799.

Nos anos trinta, Cândido Portinari produziu uma série de quadros envolvendo o ambiente do Circo. Em alguns destes quadros, sobressai a figura do burro montado às avessas, símbolo, pelo menos desde a Antiguidade, de desordem, caos e inversão do mundo. Nos circos de Cândido Portinari, os burros são montados por palhaços ou arlequins; na Antiguidade, pelo bêbedo Sileno, na Idade Média, por um falso arcebispos eleito para rir e nas Bugiadas de Sobrado, por um camponês mascarado. Tudo figuras da desrazão transitória e marginal.

Se convocarmos a gravura de Goya, Tu que no puedes (Figura 6), insinua-se uma dúvida incómoda: o que vale mais, montar burros às avessas ou carregá-los às costas, como tantos carregamos?

Preguiça neuronal

the-beekeeperNão se excedam a ensinar
Quero aprender
Não desenrolem mapas
Quero perder-me
Tanta gravidade
Impede-me de saltar
O caminho é caminhada
E o destino ainda não é nada
Apetece-me dançar uma valsa
Abraçado à estupidez
Que bate leve, levemente
Como quem chama por mim (AG)

Eleni Karaindrou notabilizou-se com o disco Eternity and a Day (1998). To Vals Tou Gamou, do disco The Beekeeper / O Melissokomos, foi editado muito antes, em 1986.

Eleni Karaindrou. To Vals Tou Gamou. The Beekeeper / O Melissokomos. 1986.

Expectativas estudantis

 

bem-vindos-a-fmu

Os estabelecimentos de ensino aderem cada vez mais à publicidade. Visam públicos, disponibilizam serviços e têm problemas. Em tempo de início de aulas, este anúncio brasileiro vem a talhe de foice. Dá que pensar. Não por falta mas por excesso de clareza. Transparência, diriam os bem-falantes. De que precisa um jovem? Da família? Da amizade? De lazer? Um jovem não precisa de lapsos, estorvos ou luxos. Quando muito um sopro de “romance”, a cenoura do anúncio. Do que um jovem precisa é de “alguém que se preocupe com o seu cérebro” e de “querer mais da vida. Mais, um pouco mais…”

Marca: FMU /FIAM-FAAM. Título: Mas antes. Agência: LDC. Direcção: Paulo Mancini e Lucas Fazzio. Brasil, Setembro 2016.

Para além da tecnologia

Cibertec“Vimos algo muy cierto en estos tiempos, y es que las personas ya no eligen un producto solo porque tenga buena tecnología, sino porque existe una buena gestión de la marca, un diseño único y una excelente comunicación de por medio. La tecnología, por sí sola, ya no es suficiente para el éxito”.
(Tin Sánchez e Fernando Ivo, directores criativos executivos da campanha).

Este anúncio da Cibertec (Perú) é convincente. Pela escolha do smartphone como objecto técnico, pela inscrição dos três novos cursos da Cibertec (Design, Gestão e Comunicação) e pelo objectivo: conseguir que os “chicos se sientan movidos a optar por un instituto que vaya más allá de enseñar solo tecnología” (Claudia Horna, directora de marketing da Cibertec). Este discurso por parte de uma escola centrada nas tecnologias é admirável. Reconheça-se ou ignore-se, a realidade espera-nos. E a realidade é mais construída pelos homens do que pelas coisas.

Marca: Cibertec. Título: Smartphones. Agência: Young & Rubicam Perú. Direcção: Toño Sarria. Perú, Setembro 2015.

Campanha pedagógica

Os seguidores do Tendências do Imaginário são exigentes. Sustentam que a antevisão da “campanha de prevenção contra o ensino”, inspirada nas campanhas contra o consumo de tabaco, não está correta (https://tendimag.com/2015/05/31/futura-campanha-sanitaria/). Devia ser a cores, como no Canadá, desde 2001, ou em Portugal, a partir de 2016. Para me penitenciar, segue um protótipo bem colorido. com a Duquesa Feia, de Quentin Massys (1525-30). Acrescento um painel, em alta resolução, com imagens de embalagens brasileiras de tabaco.

Campanha pedagógica

verso-do-cigarro

Futura campanha sanitária

A luta contra o tabaco é apenas um passo no sentido da cura universal. Outras campanhas se seguirão, por exemplo, contra o ensino enquanto causa de transtornos psíquicos. Para prevenir o risco de perturbação mental dos professores, encara-se utilizar os manuais escolares de um modo semelhante ao dos maços de cigarros. Eis uma antevisão.

Capa de manual

Protótipo de capa de manual escolar

Contra-capa de protótipo de manual escolar

Protótipo de contra-capa de manual escolar