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Alterações climáticas e crise na Idade Média

Da Biblia Pauperum, iluminada em Erfurt por altura da Grande Fome de 1315-1317. A Morte surge como um leão cuja longa calda termina em bola de fogo – o Inferno. A boca aberta, destacada a vermelho, representa a Fome.

“A Grande fome de 1315-1317 na Europa (também datada entre 1315-1322) foi a primeira de uma série de crises sociais em larga escala que atingiram a Europa no início do século XIV, causando milhões de mortes por um grande número de anos, marcando assim o fim de um período anterior de prosperidade no continente durante o século XIII. Iniciando com um tempo ruim na primavera de 1315, a alteração climatológica acabou por provocar quebras universais das colheitas entre a primavera de 1315, que se acentuaram no verão de 1316 até ao verão de 1317. A Europa não se recuperou totalmente até 1322. Foi um período marcado por níveis extremos de crimes, doenças, mortes em massa e infanticídio. Houve consequências para a Igreja Católica, os Estados nacionais, a demografia do continente a sociedade europeia como um todo. A grande fome de 1315 contribuiu para potencializar as futuras calamidades do século XIV. (…) Para a maioria das pessoas não havia o suficiente para comer e a vida era relativamente curta. Atendendo aos registos respeitantes à Família Real Britânica, a melhor e mais abonada da sociedade, a expectativa de vida média em 1276 era de 35,28 anos. Entre 1301 e 1325, durante a Grande Fome, reduziu-se para 29,84 anos. Durante a peste negra, caiu para 17,33 anos (…) Na primavera de 1315, chuvas caíram chuvas acima do normal na maior parte da Europa. Na primavera e no verão, continuou chovendo e a temperatura manteve-se fria. Nestas condições, os grãos não germinavam. (…) As taxas de produção de trigo (o número de sementes que uma pessoa poderia consumir por semente plantada) estavam em queda desde 1280 (…) Numa situação de bom tempo, a taxa era de 7:1, enquanto nos anos ruins descia até 2:1, isto é, para cada semente plantada, duas sementes eram colhidas, uma para o ano que vem, e uma para alimentação. Por comparação, a agricultura moderna possui taxas de 200:1 ou mais (..,) Os alimentos para os animais não podiam ser curados, deixando de existir ração para o gado. Os preços dos alimentos começaram a subir. Os preços na Inglaterra dobraram entre a primavera e o meio do verão. O sal, a única maneira de curar e preservar a carne, era difícil de obter, porque a água não evaporava com o tempo húmido: subiu de 30 para 40 xelins. Na província da Lorena, o trigo subiu 340% e os camponeses não tinham com que pagar o pão. As reservas de grãos para emergências de longo prazo estavam confinadas aos nobres e lordes. (,,,) Na primavera de 1316, continuava chovendo sobre uma população europeia desprovida de energias e reservas para se sustentar. Todos os segmentos da sociedade, dos nobres aos camponeses, foram afetados, especialmente os camponeses, que representavam 95% da população, e não possuíam suporte social. Para prover algum alívio, o futuro foi sacrificado, matando animais de reprodução, consumindo sementes de plantação, abandonando as crianças (…)  e negando alimentos aos idosos para dar hipóteses de sobrevivência às gerações jovens. As crónicas da época descrevem muitos incidentes de canibalismo. (…) O pico da fome foi atingido em 1317 quando o tempo húmido terminou. Finalmente, no verão, o tempo regressou ao padrão normal. As pessoas estavam tão enfraquecidas por doenças como pneumonia, bronquite e tuberculose, e muitas das reservas de sementes haviam sido consumidas, que apenas em 1325 os níveis de alimentos voltaram para condições relativamente normais anteriores à fome. (…) É estimado que entre 10%-25% da população de muitas cidades e vilas pereceram. Enquanto a Peste Negra (1338-1375) mataria mais em números reais, para muitos, a Grande Fome foi pior como calamidade social: a peste aniquilava uma área em alguns meses, a Grande Fome castigou durante anos, arrastando o sofrimento das pessoas que morriam lentamente de fome, enfrentavam canibalismo, infanticídio e crime descontrolado.” (A partir de Wikipedia, Grande Fome de 1315–1317: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Fome_de_1315%E2%80%931317. Acedido em 19/07/2022).

When God saw that the world was so over proud,
He sent a dearth on earth, and made it full hard.
A bushel of wheat was at four shillings or more,
Of which men might have had a quarter before….
And then they turned pale who had laughed so loud,
And they became all docile who before were so proud.
A man’s heart might bleed for to hear the cry
Of poor men who called out, “Alas! For hunger I die …!” (Poema de Eduardo II, c. 1321).

Imagem: Grandes Heures de Jean de Bérry. Séc. XIV-XV.

Doutoramento

Ana Isabel, João e Sara.

A Ana Isabel obteve, ontem, dia 15 de Outubro, o grau de Doutor em Economia Aplicada, pela Universidade de Antuérpia, com uma dissertação intitulada Online reviews andhow to manage them: Effects of eWOM and Webcae on consumer responses and business performance. Sabedoria, brilho e beleza. A Ana Isabel merece dupla felicitação. Por ter concluído, em três meses, o que ainda poucas mulheres conseguem, uma tese, e cada vez menos fazem: um filho. Aproveito para lhe desejar uma excelente carreira como docente na Universidade Livre de Amsterdão. Apreciei, também, a qualidade da organização da prova, a pedir-nos um pouco de benchmarking. Estão ainda de parabéns o João, pelo apoio, e a Sara, pela companhia.

Por falar em Sara, a quem sai a neta?

À mãe, pelo encanto:

A Sara sai à mãe pelo encanto.

Ao pai, pela frontalidade:

A Sara sai ao pai pela frontalidade.

À avó, pelo sono. Ambas dormem pouco e bem.

A Sara sai à avó pelo sono.

Ao tio, pelo humor:

A Sara sai ao tio pelo humor.

Ao avô, sabe-se lá por quê.

A Sara sai ao avô, sabe-se lá por quê.

A emoção serve-se melhor com música:

Dmitri Shostacovich. Piano Corcerto nº2, II Andante. Piano: Denis Matsuev. The Orchestra of the Mariinsky Theatre.
Vivaldi Concerto in C major RV 443 (largo).

Linhas

hero-nadadoraUm “belíssima” anúncio da Peugeot. A raiar o mítico e o cósmico. Ela, terra; o carro, fogo, a água, água; a respiração, ar. O mergulho é fantástico. Lembra aquilo que nunca vimos: a Atlântida. O tridente de Neptuno, em vez da tocha da estátua da liberdade, indicia o fim de uma civilização. E um recomeço: o Peugeot 208, beleza e economia. Entretanto, nem sombra de carros nem de pessoas. O efeito é íntimo, com música a condizer.

Marca: Peugeot. Título : Nadadora. Agência : BETC São Paulo. Direcção: Marcello Lima. Brasil, Novembro 2016.

Banho a dois

SakuraTantos anúncios publicitários vejo todos os dias e, no entanto, um ou outro acaba por me surpreender. Por exemplo, este anúncio chinês a uma caldeira deixa-me sem palavras.

Marca: Sakura. Título: Sakura Water Heater. Agência: JWT Shangai. Direcção: She Tiejun. China, 2015.

O bom e o mau ladrão

Os discursos do poder sobre a ciência lembram-me duas passagens da Bíblia; o bom e o mau ladrão no Calvário e a parábola do trigo e do joio.

Habituámo-nos a diversas classificações das ciências: nomotéticas e ideográficas; dedutivas e indutivas; duras e moles; experimentais e não experimentais; cosmológicas e noológicas; formais e factuais… Confrontamo-nos agora com um mandamento novo: produtivas e não produtivas. São prestáveis as ciências com impacto no crescimento económico. As demais são imprestáveis. As primeiras merecem investimento público adicional. As demais, nem uma esmola. Não é fácil discernir a fronteira entre as duas ciências. Recorro, por isso, à catequese pela imagem.

Figura 1: Brain. Ralph Hutchings. Tree.  David Sanger.

Figura 1: Brain. Ralph Hutchings. Tree. David Sanger.

Desde Aristóteles, não se vislumbra distinção tão profunda e orgânica como esta entre cientistas produtivos e cientistas não produtivos. Como se pode comprovar na figura 1, a diferença radica no próprio cérebro: uns são produtivos, outros não. Uma tumografia pode ajudar a identificar um cientista produtivo.

Figura 2. George Grosz. Remember Uncle August, the Unhappy Inventor'. 1919.

Figura 2. George Grosz. Remember Uncle August, the Unhappy Inventor’. 1919.

Os efeitos das ciências produtivas são observáveis na própria fisionomia do cientista (ver figura 2). Existem sinais exteriores de cientificidade produtiva. A antropologia Física pode ajudar a classificar os cientistas

O cientista imprestável desperdiça, em contrapartida, o dinheiro público, que tanto custa a sacar aos cidadãos, em investigação inútil do ponto de vista do crescimento económico (ver figura 3). As Ciências do Espírito podem ajudar a caracterizar o perfil comportamental das diversas figuras de cientistas.

Franquin. Gaston Lagaffe.

d Figura 3: Franquin. Gaston Lagaffe.

A Pesca Digital

Por falta de meios ou de visão, não é fácil conceber o futuro próximo das redes sociais. Um artigo do blogue Cidadão Publicitário reúne alguns dados sugestivos respeitantes ao Brasil. Para aceder, carregar na imagem ou no seguinte endereço:
http://cidadaopublicitario.wordpress.com/2013/09/02/um-brasil-mais-digital/.

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