Por quem Deus nos manda avisar!
Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:
- Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
- Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
- Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
- E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Coisas, pessoas e animações
Retomo o texto e a curta-metragem de animação (Paperman, 2012) que coloquei faz mais de dez anos num artigo do Tendências do Imaginário, intitulado O amor, o papel e o digital. Serve para introduzir outra curta-metragem de animação (French Roast, 2008), nomeada para um óscar. O primeiro, Paperman, convoca a alma das coisas, o segundo, French Roast, as coisas da alma.
Que seria do amor sem o papel? Um amor digital? Cartas de amor, quem as não tem? E emails com 720 kb de amor? Corpos Photoshop. Virais ou protegidos, com firewall e anti-vírus. Carícias à velocidade da luz… Tenho cá para mim que um dia virá em que as crianças vão nascer na motherboard por contacto online. Em suma, filhos digitais. Nada que não esteja ao alcance da nossa elite científica, discriminada positivamente pela actual sagacidade política. Vai ser emocionante ler no rodapé dos telejornais: oito gémeos provenientes de uma ligação no Twitter nasceram por download; no Japão, uma consola deu à luz uma futura equipa de futebol… Era tão giro, não era? A descoberta científica do milénio para resolver o problema do século! Agora ou nunca!… Os portugueses ficaram famosos por andar a espalhar sexo pelo mundo. Pelo menos assim o advoga a teoria do lusotropicalismo. Em breve, será a vez do sexo digital e do lusodigitalismo. (https://tendimag.com/2014/02/16/o-amor-o-papel-e-o-digital/).
Amigos imaginários

Promovida em jeito de anúncio de Natal, The Boy & The Octopus é uma curta-metragem “mais-que-perfeita” da Disney. Caprichada, carinhosa e criativa quanto baste, inspira-se noutras figuras infantis “mais-que-célebres”. A amizade, imaginária ou não, costuma ser boa companhia. Amigos imaginários, quem os não teve?
O que é um amigo imaginário?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
“Um amigo imaginário é uma figura criada pela imaginação de uma pessoa, geralmente uma criança, que interage com ela como se fosse uma entidade real. Esse “amigo” pode ter uma forma específica (humana, animal, ou até algo completamente fantástico) e desempenhar um papel importante no mundo interno e nas brincadeiras da criança.
Características de um amigo imaginário:
- Criação subjetiva: Ele existe apenas na mente de quem o cria [Mas pode ser percebido como real].
- Companheirismo: Muitas vezes, o amigo imaginário serve como um confidente ou parceiro para aventuras imaginativas.
- Flexibilidade: Ele pode mudar de personalidade, aparência ou função de acordo com as necessidades e criatividade da criança.
- Função emocional: Oferece conforto, ajuda a lidar com sentimentos ou situações difíceis, como solidão, medo ou mudanças.
Por que as crianças criam amigos imaginários?
• Desenvolvimento da criatividade: É uma manifestação natural da imaginação e da habilidade de criar histórias.
• Exploração social: Permite que a criança pratique interações sociais e explore conceitos como amizade e resolução de conflitos.
• Autonomia emocional: O amigo imaginário pode ajudar a criança a processar emoções e desenvolver uma compreensão do mundo ao seu redor.
O amigo imaginário é algo normal?
Sim, é absolutamente normal, especialmente em crianças entre os 2 e 7 anos. Não é sinal de problemas psicológicos; pelo contrário, pode indicar uma mente criativa e saudável. Em alguns casos, até adultos podem ter figuras imaginárias para refletir ou lidar com situações emocionais.
Esses amigos costumam desaparecer com o tempo, geralmente quando a criança cresce e começa a investir mais nas relações reais” (ChatGPT, 19.11.2024).
