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Fogo

Hell by a follower of Hieronymus Bosch (c.1450-1516).

Fui ao inferno. Ainda cheiro a enxofre. Mas estou de volta. E apetece-me uivá-lo com os Polar Bear Club. Como quem vomita o fogo que consome as entranhas.

Polar Bear Club. Pawner. Clash Battle Guilt Pride. 2011.
Polar Bear Club. Killin’ It. Clash Battle Guilt Pride. 2011. Ao vivo em 2011.

Gárgulas impúdicas

01 Gárgula. Sé Catedral de Braga.

Gárgula. Sé de Braga.

02 Gárgula. Igreja Matriz de Caminha. Localização.

02 Gárgula. Igreja Matriz de Caminha.

03 Gárgula. Igreja Matriz de Caminha. Foto de Manuel Passos.

03 Gárgula. Igreja Matriz de Caminha. Foto de Manuel Passos.

Olhar para cima e deparar-se com um rabo prestes a defecar representa uma experiência estranha mas possível. Em Portugal, existem gárgulas impúdicas na Sé de Braga (figura 1), na Igreja Matriz de Caminha (figuras 2 e 3) e na Sé da Guarda (figura 4). Vigiam-nos um pouco por toda Europa: Espanha, França, Inglaterra, Alemanha… Algumas, além do rabo, exibem os genitais. Por exemplo, na Matriz de Caminha, numa casa do século XV em Bruniquel (figura 5) e na Igreja de St Pierre de Dreux (figura 6).

04 Gárgula. Sé da Guarda.

04 Gárgula. Sé da Guarda.

Estas gárgulas de rabo ao léu têm ar de se borrifar para o comum dos mortais. A fazer fé na alquimia grotesca, fertilizam-nos. A cartografia simbólica do corpo humano desvaloriza o baixo (os pés), o posterior (as costas) e o interior (as entranhas). Estas gárgulas perfazem um cúmulo grotesco: baixeza traseira incontinente.

05 Gárgula. Casa do séc. XV. Bruniquel. França

05 Gárgula. Casa do séc. XV. Bruniquel. França

06 Gárgula. Igreja de St Pierre de Dreux. França

06 Gárgula. Igreja de St Pierre de Dreux. França

07 Gárgula. Catedral de Amiens. França.

07 Gárgula. Catedral de Amiens. França.

O que significa tamanha vulgaridade numa igreja? O fenómeno não é inédito. As danças macabras atemorizam tanto as igrejas como os cemitérios dos sécs. XV e XVI. Nos  edifícios beneditinas, multiplicam-se os sátiros e as carrancas. O próprio diabo é presença habitual na casa do Senhor.

08 Gárgula. Catedral de Fribourg, Brisbau. Alemanha.

08 Gárgula. Catedral de Fribourg, Brisbau. Alemanha.

Michel Maffesoli fala em homeopatia do mal, senão da morte. Mikhail Bakhtin, convoca os interstícios do lado sombrio da criação, o da potência dionisíaca. Entretanto, imunes a hermenêuticas, as gárgulas defecam chuva, a fonte da vida, a seiva do húmus.

 

Fun is not a straight line

Dois anúncios franceses magníficos, um a uma marca de automóveis (Citröen), o outro a uma marca de pneus (Michelin). Estreados com 7 anos de diferença (2000 e 2007), ambos convocam “estruturas elementares do imaginário” (para parafrasear E. Durkheim e G. Durand): o herói demoníaco (G. Lukacs); a travessia; a recta e o plano vs. a curva e a ruga; a magia na liminaridade… Descobrir as diferenças constitui um bom passatempo de férias!

Marca: Bfgoodrich. Título: The Bridge. Agência: BDDP & Fils. Direção: Frédéric Planchon. França, 2000.

Marca: Citroen C Crosser. Título: New Road. Agência: H Paris. Direção: NoBrain. França, 2007.