Feliz Natal!
Recebo poucos anúncios italianos. Não há como procurar. Encontram-se relíquias como este anúncio ao queijo “parmigiano”. Uma dança da alegria, com música original. Aproveito para desejar um feliz e generoso Natal.
Girl power
O anúncio Santa Clara, do Lidl, e o vídeo musical #santaclara, de Emily Roberts, festejam o advento de Santa Clara e o fim da usurpação na terra. Santa Claus? Who cares? Talvez tenha chegado o momento propício para começar a chamar ao divino divindade e retocar o espírito da natividade.
“Whohohohohohohoho
You’re the best, you’re the best and we love you so
Whohohohohohohoho
You’re the best, you’re the best and we love you soIt’s time for us to change this stupid old school game
A whole new era Santa Clara’s gonna reign
There’s something coming ain’t it, we’re up and running
And we’re finally gonna change it.”
(Excerto da letra da canção #santaclara, de Emily Roberts).
Marca: Lidl. Título: Santa Clara. Agência: Überground. Direcção: Nathan Price. Internacional,
Emily Roberts. #santaclara. 2016.
Dança tónica
A publicidade dança. Com criatividade. No anúncio Drink Outside the Lines, da Vitaminwater, o tapete rolante serve de pista. A dança é contagiosa e viciante. Pelo menos, desde as epidemias de dança e a dançomania de finais da Idade Média (ver Epidemia de dança/). A banda sonora do anúncio contém uma curiosidade: a canção, Feel it Still, pertence a uma banda chamada Portugal. The Man. Não são portugueses, mas norte-americanos; o nome tão pouco se inspira em Vasco da Gama, António Guterres ou Cristiano Ronaldo. Optaram por um nome de um país e proporcionou-se Portugal!
Marca: Vitaminwater. Título: Drink Outside the Lines. Agência: Ogilvy. Direcção: Traktor. 2017.
Cantar sem voz
À Té.
Não são apenas as grandes marcas que promovem causas, o terceiro sector também o faz, eventualmente, com brio e arte. No anúncio Unsilenced, da associação francesa La Parole Aux Sourds, a imagem, o som, a dança e a mensagem dialogam de um modo ímpar. O resultado é sublime: um bailarino surdo “canta” com gestos… Para pessoas que têm a cabeça do avesso.
“Première en son genre, Unsilenced est un morceau original dont les paroles sont “chantées” dans une combinaison de langue des signes et de danse. La création des paroles et des mouvements a demandé une étroite collaboration entre le danseur Billy Read et le duo electro Haute. Découvrez-en plus sur le projet et soutenez-le sur Unsilenced.fr. » (La Parole Aux Sourds).
Anunciante : La Parole Aux Sourds. Título : Unsilenced. Agência : BETC. Direcção : Alban Coret. França, Março 2018.
Sincronia

O som e a imagem, feitos um para o outro, como Ulisses e Penélope, Tristão e Isolda, Romeu e Julieta. Nas curta-metragens Creation e Swan Lake, do Royal Danish Theater, a imagem e o som entrelaçam-se. Não há primeiro nem segundo. Dão os passos e os saltos em conjunto. Graças ao talento do “Composer & Sound designer” Martin Dirkov. Uma última nota: é curiosa a assunção da cultura como sobressalto.
Anunciante: Royal Danish Theater. Título: Creation. Agência: Wichmann/Schmidt. Direcção: Casper Balslev. Som: Martin Dirkov. Dinamarca, Maio 2016.
Anunciante: Royal Danish Ballet. Título: Swan Lake. Produção: New Land. Direcção: Casper Balslev. Som: Martin Dirkov. Dinamarca, Fevereiro 2015.
As danças de Matisse
« J’ai toujours essayé de dissimuler mes efforts, j’ai toujours souhaité que mes œuvres aient la légèreté et la gaieté du printemps qui ne laisse jamais soupçonner le travail qu’il a coûté » (Matisse, Henri, 1948, Carta a Henry Clifford).
Entre dois relatório de atividades, o pessoal e o do Departamento, o olhar deixa-se atrair por outros encantos. Um quadro de Matisse é outra louça. Matisse é um caso à parte na história da pintura: expoente do fauvismo, foi um dos artistas mais influentes do século XX, sobretudo, nos Estados Unidos. Andy Warhol terá exclamado: “Gostava de ser Matisse”.
As obras que Henri Matisse dedica à dança encontram-se entre as mais marcantes. Por exemplo, La Danse de 1910 (Museu Hermitage), mas também o tríptico La Danse de Mérion, encomendado por Albert Barnes, coleccionador de arte, patente na Barnes Foundation, em Filadélfia. Matisse pintou duas versões anteriores deste tríptico que se encontram no Musée de l’Art Moderne, em Paris.

Henri Matisse. A dança. 1910. Museu Hermitage.
O que me distraiu não foram as pinturas de Matisse. Foi uma fotografia, enviada pela Adélia, com Matisse a traçar o esboço de um tríptico, em cima de um banco munido com uma cana de bambu. Quem diz que pintar é fácil não conhece Matisse: “Algumas das minhas gravuras acabei-as após centenas de desenhos” (citado em Schneider, Pierre, 1984, Matisse, Flammarion, p. 578).
Como suplemento dançante, a música Avlägsen Strandvals (1981) do acordeonista sueco Lars Hollmer, acompanhada por uma selecção de quadros de Paula Rego. Trata-se de um excerto da parte final do vídeo O Desconcerto do Mundo (2005).
Albertino Gonçalves. O Carrossel. Excerto de O Desconcerto do Mundo. 2005.
Ritmo latino
Este anúncio é português. Tem um ritmo e um colorido estonteantes, e música original. Um ritmo acelerado sem travão.
Marca: WTF. Título: WTF + UBER. Agência: Havas. Produção: Playground Films. Portugal, Outubro 2017.
A dança dos drones

Este anúncio japonês, A Kind Drone, da cadeia de roupa Buyma, arrecadou vários prémios. Curiosamente, só foi exibido na televisão uma vez. Teve um enorme sucesso viral. Com pouco se faz um bom anúncio: uma boa ideia e arte para a realizar.
Marca: Buyma. Título: A Kind Drone. Agência: Dentsu, Tokio. Direcção: Takumi Shiga. Japão, Dezembro 2015.
Sem deixar o Oriente, segue uma interpretação da chinesa Jane Zhang, uma voz bastante versátil (música pop e clássica).
Dança cromática

Três sereias: música, dança e cor. Precedidas por uma frase de Omar Calabrese. Mais palavras para quê?
“Quanto mais se busca um efeito de verosimilhança, mais se deve recorrer a um máximo de artifício que, aliás, para passar de “norma” a “uso”, requer elevada destreza técnica” (Calabrese, Omar, 1994, Cómo se lee una obra de arte, Madrid, Ed. Cátedra, p. 30).
Carregar em HD para escolher uma boa resolução. Este vídeo merece.
Steven Weinzierl. Becoming violet. BalletMet. USA, Agosto 2016.









