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Crianças e jovens. Riscos e desconexões

FIA Foundation. Save Kids Lives. Luc Besson. Outubro 2015.

Seguem dois anúncios de consciencialização que são outros tantos alertas preocupantes.

Quotidiano de risco, 09.10.2015
Desconectados. Comunicação intergeracional

Sociologia sem palavras 5 (retoma)

Sociologia sem palavras 5: Brincadeira, 04.10.2014

O futuro já começou

Os anúncios publicitários propendem a prometer felicidade. Pelo caminho, alguns dão-nos prazer. Por exemplo, os da Sony ou da rival Samsung.

Hagiografia fantástica. O Santo Cão

Ícone ortodoxo de São Cristóvão como cinocéfalo. Séc. XVII. Byzantine and Christian Museum

Dois pequenos cupidos ou vinte dedos pueris

Os anúncios “Ten Little Fingers” (Nas mãos de uma criança, 17.07.2013) e “Is Mankind?” (Revolução Digital, 17.07.2015) conseguem uma combinação rara de singeleza e encanto. Com dedos de bebés. Das mãos e dos pés. Quando penso em mãos, acodem-me Miguel Ângelo, Albrecht Dürer, Auguste Rodin e, agora, Bruno Aveillan. Quanto aos pezinhos, do anúncio da Airbnb, cito o comentário da iSpot:

No anúncio da nova campanha global da Airbnb, vemos um bebé a dar os seus adoráveis passinhos com as pernas arqueadas pelo corredor da sua casa, até à porta da frente. À medida que ele percorre esse caminho, ouvimos a voz off a fazer-nos perguntas reveladoras, como se o ser humano é bondoso e se nós somos boas pessoas. À medida que o bebé se aproxima da porta com janela e é envolvido por uma luz mais intensa, somos encorajados a sair para o mundo e a descobrir as respostas por nós próprios. Somos convidados a ir, ver e descobrir até que ponto a humanidade pode ser amável” (https://www.ispot.tv/ad/7vs6/airbnb-is-mankind. Consultado em 17.07.2026).

Carta de uma Criança ao Menino Jesus

Pinturicchio – Madonna with Writing Child. Ca. 1494-1498. Philadelphia Museum of Art. Detail

Receber é bom, oferecer ótimo. Habitualmente, ocorre reciprocidade. Ora a dádiva suscita contra dádiva (Marcel Mauss, Ensaio sobre a dádiva, 1925), ora entra numa cadeia que acaba por regressar ao início (Bronislaw Malinowski, Os argonautas da Pacífico Ocidental, 1922). De qualquer modo, o gesto tende a compensar.

A Academia Sénior de Braga é um espaço de generosidade. Em dezembro de 2025, os alunos foram convidados a colocar uma carta ao Menino Jesus na árvore de Natal instalada na Biblioteca. Partilhada por uma aluna, a carta escrita por uma criança de sete anos, por volta dos anos 1940′, é uma pérola rara; e a análise, da autoria da professora Maria da Graça Guimarães, coordenadora pedagógica da Academia, um diamante penetrante, detalhado e brilhante. Segue o respetivo pdf, cuja leitura recomendo.

Salvem as crianças!

Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!… (Augusto Gil. Balada da Neve. Luar de Janeiro, 1909)

“Há mais de 100 anos, em 1919, uma mulher chamada Eglantyne Jebb [1876-1928] fundou a Save the Children em resposta ao sofrimento que as crianças enfrentavam como resultado da Primeira Guerra Mundial. / Eglantyne Jebb mudou o curso da história quando declarou que todas as meninas e meninos deveriam ter direitos. Esta ideia, avançada para o seu tempo, desencadeou um movimento global para tornar o mundo um lugar melhor para as crianças. Eglantyne apresentou a primeira Declaração Universal dos Direitos da Criança na Liga das Nações, documento que serviu de base para a criação da Convenção sobre os Direitos da Criança.”

Despertei com o anúncio “Fer” da Saven the Children, do México. Extenso e lento (dura mais de 6 minutos), algo enigmático (desconhece-se, até ao final, o motivo), nem sempre lógico (por que se deixa crescer tanto o cabelo?), faz todo o sentido: ” Desde el embarazo infantil hasta el feminicidio, las niñas viven con miedo en lugar de tener la libertad para crecer y desarrollarse plenamente”.

Anunciante: Save the Children Mexico. Título: “Fer”. Agência: Anónimo Agencia. México, novembro 2024

A amamentação através do tempo. II – Primeiro milénio pagão

Com tempo para semear, acrescento um novo episódio à história ilustrada da amamentação, desta vez, com imagens pagãs, não cristãs, do primeiro milénio.

Nos primeiros séculos da era cristã, predominam as figuras “pagãs” celtas, galo-romanas e do culto a Ísis, então no auge. As obras, sobreviventes, com a Virgem Maria resultam raras até finais do milénio, principalmente no continente europeu.

Imagem: Estela funerária De Medinet el-Fayumséc. Egito. Séc. IV ou V d.C.Talvez uma das primeiras virgens do leite (Galakotrophousa) coptas. Museum fürByzantinische Kunst. Berlim

As Deusas-mães, ou Matronas, de origem celta e galo-romana conheceram uma divulgação considerável durante este período (Figuras 2.01; e 2.07 a 2.15). Estatuetas de terracota, frequentemente com menos de um palmo, eram reproduzidas com recurso a moldes (Figuras 2.12 a 2.14). Ísis, entretanto, romanizou-se, passando a exibir túnicas e mantos ao estilo greco-romano (Figuras 2.02; 2.03; 2.16; e 2.17). Acrescem alguns relevos com uma mãe e um bebé em estelas de túmulos de crianças (Figuras 2.04 a 2.06).

Colocadas em altares domésticos, santuários e sepulturas, estas imagens, associadas à proteção das crianças, à maternidade, à terra, às fontes, à fecundidade e à abundância, não só precedem como prefiguram as dedicadas posteriormente à Virgem Maria.

Segue uma galeria com menos de dúzia e meia de imagens. Permitam-me, todavia, uma confidência: excecionais, são exemplares deveras difíceis de encontrar e identificar, inclusivamente na Internet. Trata-se de uma tarefa que requer algum engenho e muita paciência. Só mesmo para quem se interessa por coisas que não lembram ao diabo!

Galeria 2. Imagens pagãs do primeiro milénio da era cristã

Tenros e ternos

Tenros e ternos, eis um anagrama adequado a estes dois anúncios franceses da McDonald’s, o venerável Le Vélo e o recente Les Amis. Uma ternura comercial, sobre rodas e em conserva.

Marca: McDonald’s. Título: Le vélo. Agência: BDDP. França, 1993
Marca: McDonald’s. Título: Les amis. Agência: TBWA Paris. Direção: Martin Werner. França, junho 2017.