Histórias de Vida – Memória, Comunicação e Envolvimento Comunitário (Encontro)

A produção, a divulgação e a utilização de histórias de vida estão no vento. Mas a quantidade requer qualidade, sob risco de ineficiência, inconsequência e invisibilidade, senão de desperdício. Multiplicam-se, entretanto, iniciativas exemplares, ao nível da produção, edição, comunicação e envolvimento comunitário. O encontro do próximo sábado, 10 de outubro, na Casa da Memória de Guimarães, aposta na respetiva partilha. A cada apresentação, sucede um período significativo de participação da audiência. A entrada é livre. Junto o cartaz/convite, bem como o programa.

Comunicar apesar das tecnologias

Ao Américo
“As telecomunicações não são tudo”. Existe mais vida para além das máquinas! Vida palpável, real, repleta de emoções e afetos, assente em laços familiares, vicinais e de amizade. Laços desenhados no espaço (vídeo 1), laços preservados no tempo (vídeo 2). “Comunicar de verdade”, eis uma mensagem que parece não se ajustar a uma empresa de telecomunicações. Mas o mundo não é linear. Tal como os seres humanos.
O Novo País das Maravilhas

Os artigos A Teia e Extensões do Homem, de 28 de setembro de 2014, desafiam-me, mas não me são estranhos. Consigo enxergá-los. Em contrapartida, a curta-metragem Al!ce não me é estranha, mas ultrapassa-me. Não logro alcançar as potencialidades de tantas artes e possibilidades. Não “alicia” ser arrastado por uma enxurrada de afluentes sem leito nem estuário antecipáveis. Tamanha maravilha confunde-me.
AL1ICE: Uma fábula cômica surreal sobre uma Alice moderna que ensaia inspirar um filme de IA para uma competição. Consoante a produção se desenrola, a linha entre a vida real, o processo de filmagem e o País das Maravilhas começa a dissolver-se. Estruturado como uma narrativa recursiva, a curta-metragem trata o País das Maravilhas não como uma adaptação, mas como um ciclo de retroalimentação cultural, onde a ficção do século XIX, a produção de imagens contemporânea e a mitologia do cinema começam a se influenciar mutuamente. Produzido pelo estúdio MIMAGIE, com roteiro de Daria Sherstobitova e direção de Miguel Ivanov, Al!CE foi originalmente desenvolvido para a competição Higgsfield. O trabalho combinou desenvolvimento de roteiro e argumento, seleção de elenco, figurino e design de locação, planeamento de storyboard, pré-visualização, geração de vídeo, edição, preparação de diálogos, música e design de som. O processo visual central começou com o texto. Rostos e figurinos gerados tornaram-se referências para composições cénicas; essas composições, por sua vez, guiaram a geração de vídeo. Ilustrações de Tenniel, em domínio público, serviram de inspiração para poses e arranjos selecionados. As imagens foram editadas e tiveram suas cores corrigidas no Photoshop antes de ser preparadas para o Seedance, enquanto as músicas foram desenvolvidas com o Suno. Todas as vozes foram criadas nos laboratórios elevel. Os locais foram construídos como ambientes gerados, com atenção à geografia, ângulos reversos e iluminação consistente. O tratamento guiou a atuação, o movimento da camara e a revisão ao longo de todo o processo.
Entre mundos. Mortos interativos

A cabeça na almofada e o corpo na jangada. A cama é um rio. Água, duas águas, águas turvas, águas mil. O mesmo, o outro, os outros a nadar no mesmo. Metecos (…) Todos somos metecos. Vogamos, dentro e fora, em águas incertas. (Entre duas águas , 20.09.2020)
Credo da Técnica

Estamos atualmente na fase de evolução histórica de eliminação de tudo o que não é técnico (Jacques Ellul).
Será que um destes dias o monte de Santa Tecla se chamará monte de Santa Técnica?
Filhos da Vida

Se fosse imortal, inventaria a morte para ter o prazer de viver (Jean Richepin. La Chanson des Gueux, 1876)
Nada em nós é eterno. Filhos da vida, herdamos a morte. Qual é a nossa pegada? Vale a pena atardar-se neste anúncio de seis minutos. Acelerado e excessivo em referências históricas, “Immortal” representa mais uma dádiva do Royal Ontario Museum. Por (des)ventura, demasiado generosa face à atenção que nos prestamos a dispensar.
Aventura na Casa do Tempo

Ontem à noite, estive na Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto. A sala estava cheia. Conversei como quem confidencia, durante hora e meia, de pé e à vontade. Sem trejeitos académicos. À medida que envelheço apercebo-me quão castradores da inteligência e da sensibilidade podem revelar-se os academismos. Ressalvando alguma reação a uma picardia, o público manteve-se em profundo silêncio. É verdade que o recurso a ideias e imagens surpreendentes e estranhas ajuda! De qualquer modo, o silêncio prolongado resulta raro. Tanto pode ser bom como mau sinal, traduzir interesse e concentração como enfado e evasão. Fiquei, contudo, com a impressão de ter sido compreendido. Aliàs, uma mensagem pode ser desconcertante sem ser aberrante. Acarinhado, com a sexta-feira dia 13 a acabar, despedi-me com vontade de voltar.
Acordei bem-disposto. Procurei nos arquivos uma música ou um anúncio a condizer. Eventualmente festivos. Encontrei ambos num simples vídeo: o Play It Safe, da Sydney Opera House com Tim Minchin.
Wall-E e E.T.

O que concorre para que máquinas como o Wall-E ou monstrinhos como o E.T. nos fiquem cravados na memória?
Seguem duas compilações produzidas por JoBlo Animated Videos: uma com excertos do filme Wall-E, a outra com trailers do filme E.T.
Imagem: E.T. e Wall-E – Fonte: Deviant Art


