Palas
Pelos vistos, os novos media, sociais e globais, não permitem atender ao essencial. A lógica diria que quem vê ao longe também vê ao perto. Para a Coca-Cola, a verdade é outra: o essencial está perto, mas não o vemos. Recomendam-se palas! Obrigado, Ana!
Marca: Coca-Cola. Título: Social Media Guard. Agência: Memac Ogilvy Dubai. Emirados Árabes Unidos, Fevereiro 2014.
Destapar o sol!
Com tanta nuvem taciturna, dava jeito destapar o sol. Quem se candidata a subir a uma escada tão alta como o défice para afastar as nuvens? E, já agora, com mais um ou dois degraus não daria para destapar o futuro? Coitado, parece uma ostra sem pérola! Em contrapartida, este anúncio é soalheiro e optimista, a condizer com a “fábrica da felicidade”.
Cliente: Coca-Cola. Título: Cielo. Agência: Young & Rubicam. Direção: Pucho Mentasti, Watta Fernandez. Argentina, 2009.
O Bom Samaritano na Comunicação Viscosa
Recebi vários anúncios enviados por amigos. Começo pelo John, um amigo de longa data: “E esta? Uma companhia gigantesca como a Coca-Cola com um reclame a dizer que te faz mal, destrói-te os dentes, causa envelhecimento, e diminui saúde e atletismo no corpo humano.” O anúncio é, tanto quanto sei, falso e capaz de enganar muita gente (ver https://www.youtube.com/watch?v=bHhCP5ad-zM)
Segue um anúncio original da Coca-Cola. Por sinal, mais um exemplo da escalada, na publicidade, da auto-proclamação de responsabilidade social, do coro da consciencialização social e da reciclagem da figura do bom samaritano.
Marca: Coca-Cola Great Britain. Título: Coming Together. UK, 2013.
Participação
A publicidade apela cada vez mais à participação das pessoas: performances, apanhados, eventos, iniciativas com efeito colectivo… Imagens de participação, sem dúvida. Deles e nossa. Existe uma dupla magia: aquela que religa os participantes e aquela que induz a nossa identificação. Trata-se, portanto, de um duplo simulacro mágico: do acontecimento e do envolvimento. São três os momentos chave para o sucesso deste tipo de anúncio: a abrangência da convocatória, a criatividade do processo e a qualidade da produção, particularmente exigente. Este tipo de publicidade aposta na estética, no efeito de beleza, naturalmente, mas sobretudo no sentido etimológico prezado por Michel Maffesoli: sentir em conjunto, que inclui o tribal sentir-se em conjunto, to be a part of it. Depois do inglês, peço desculpa por terminar em francês, mas não resisto: l’esthétique comme forme et lieu du lien.
Marca: Coca-cola. Título: The Wearable Movie. Agência: Ogilvy & Mather, New York. EUA, Junho 2013.
Venha uma coca-cola bem fresca!
A modernidade líquida explicada às crianças
Poucos anúncios se aproximam tanto da obra de Hieronymus Bosch, da confusão de corpos, monstros, híbridos e instrumentos musicais, patente em O Inferno, de O Jardim das Delícias. Uma antiguidade sulfurosa. Nada, porém, que se compare a um belo par de asas feito com harpas!
“Light my Fire”
Anúncio Ride, da “Burn” (Coca Cola), com comentário de Carlos Nascimento:
Marca: The Coca-Cola Company, Burn. Título: Ride. Agência: PUBLICIS MOJO Sydney. Direção: Garth Davis. Austrália, Junho 2011.
“Se Maffesoli precisasse de um exemplo audiovisual para exemplificar as tribus, de que fala, bem como de todo o universo que estas implicam, este filme quase bastaria. O filme começa num espaço anónimo, enterrado, ignorado. Uma voz off, humaniza-o, lançando um desejo: “I have this crazy fantasy on my head… Energy trapped inside my body. The energy commes out. We can do whatever we want”. Enquanto se formula esse desejo, vai surgindo um grupo em movimento. Nenhum em particular é dono daquela voz, daquela ideia interior. Não é um líder que comanda o grupo. Não há dialogo sequer. Aquele pensamento podia ser exteriorizado por qualquer um e não foi por ninguém. O laço entre o grupo é tão forte que nem precisa de diálogo. Cada um pensa por si e sabe que os outros também pensando por si, pensam a mesma coisa que o outro. Não há ligação mais forte do que aquela que não precisa de sinais nem de rituais. Neste grupo de skaters, mais do que ligação é pura conexão. A seguir, é tempo de deixar a energia sair. Sai-lhes do corpo de uma forma sobrenatural, mas, nem por isso, lhes confere poderes assim. O corpo a arder é apenas uma identificação exterior do que os une interiormente. Um sentido que dá prazer maior ao prazer simples que os reúne, o skating. Volte-se ao “we can do whatever we want”. Neste filme esta afirmação tem tudo de sensível e nada de físico. É uma possibilidade que, mais do que implir à acção e à transformação, leva à transcendência. O espaço urbano é um recreio depois da noite cair. Os rastos de fogo na noite têm tanto de belo como de trágico. A música, cujo ritmo impele, também avisa: “Make your move now and try to win the game, but in the end always stays the same.” Nada podia ser mais inconsequente e sem desígnio. O raiar do dia chega e, com ele a normalidade, a dos outros, não a daquele grupo, que mantém presente, e à parte, o seu próprio sonho. “You have to keep that dream alive in your mind.” Só quem é assim é que se vê assim” (O Lugar da Estética na Publicidade Actual, Projecto de Investigação para Candidatura a Doutoramento em Ciências da Comunicação, Universidade do Minho, 2012).
Moda na publicidade. O estilista e a boneca voadora
A moda e a publicidade de braço dado na encenação da metamorfose de uma boneca por um estilista mais ágil que Geppetto. Uma paródia com uma personagem “real”: a superestrela da alta-costura Jean Paul Gaultier. A publicidade dá-se bem com a moda e, tal como ela, adora estrelas extravagantes, sobretudo quando a paródia da moda também é paródia de contos de fadas. Pelo menos, assim o entende a Coca-cola. E, já agora: a boneca voa!
Marca: Coca-cola. Título: The Serial Designer rocks out. Março, 2012.
Beber a música
Este anúncio da Diet Coke foi concebido para passar no intervalo da cerimónia de entrega dos Óscares deste ano. Em caso de dúvida, o mais avisado é beber a música.
Marca: Diet Coke. Título: Credit. Agência: W+K Portland. Direção: Ellen Kuras. Música: Hooray for Hollywood. Fevereiro 2012.


