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Deixa-me rir!

Coca cola smileO que une uma dúzia de bebés risonhos e a Coca-Cola? Aproximar aquilo que tudo separa é uma arte. A arte, por exemplo, da alegoria. Uma coisa puxa outra. Quanto mais estranhas, maior o efeito. Para Gilles Deleuze, a alegoria é caracterizada por três elementos: o símbolo, o lema e o nome (ver Dobras e Fragmentos), Pois, no final do anúncio, lá aparecem em pose, como num retrato de família, o símbolo (a garrafa), o lema (choose happiness) e o nome (Coca-Cola).

Marca: Coca-Cola. Título: Choose to smile. Agência: Ogilvy & Mather Amsterdam. Direcção: Marleen Jonkman / Czar. Holanda, Maio 2015.

Mãos

DÜRER, Albrecht. Cristo entre os Doutores (Pormenor). 1506.

Figura 1. DÜRER, Albrecht. Cristo entre os Doutores (Pormenor). 1506.

Figura 2. Auguste Rodin. Mãos de Amantes. 1904.

Figura 2. Auguste Rodin. Mãos de Amantes. 1904.

As mãos são a carne da comunicação.

Com as mãos, nos tocamos (Figura 1), nos damos (Figura 2), guardamos segredos (Figura 3) e rezamos (Figura 4).

Com as mãos, nos desenhamos (Figura 5).

Com as mãos, criamos figuras fantásticas (ver O Carnaval das mãos).

Com as mãos, também simulamos uma garrafa de Coca-Cola!

Marca: Coca-Cola. Título: Together. Direcção: David LaChapelle. USA, Fevereiro 2015.

 

O coro da beneficência

Coca-Cola. Baby Symphony

A Coca-Cola aderiu à RED. À semelhança da American Express, da Apple, da Motorola ou da Giorgio Armani, acede a um rótulo Product Red, uma iniciativa de Bono Vox e Bobby Shriver para angariar donativos para a Global Fund, contra a sida, a tuberculose e a malária. Parte dos resultados das vendas dos produtos RED reverte para o fundo.

O anúncio Baby Symphony, da Coca-Cola, mais do que um hino de alegria é uma ode à esperança. Tudo condiz: a qualidade, o propósito, as crianças, a música… Excelente!

Multiplicam-se os anúncios, beneméritos ou não, com crianças adoráveis e prodigiosas, para gáudio do público. Mas, perante tamanho angelismo, pergunto: Será que somos crianças e os bebés brinquedos?

Desculpem esta pergunta daninha, mas estou em fase de azedume galopante. Tudo parece digno de um pontapé! Não são maus fígados, apenas desgaste. Há instituições que regulamentam tudo, tudo, menos a carga de trabalho. Esta semana, tinha fisioterapia todos os dias ao fim da tarde. Não consegui ir uma única vez! Perdão! Consegui ir sexta à consulta do fisiatra para avaliar o resultado! Este fim-de-semana não tenho teses para ler, tenho teses para corrigir… A culpa é da Coca-Cola, a “fábrica da felicidade”! Naturalmente.

Marca: Coca-Cola. Título: Baby Synphony. Internacional, Novembro 2014.

Pela diferença

coca-cola-fantastic-600-37067Há quem desdenhe, aristocraticamente, da publicidade. E há anúncios simplesmente fantásticos, que nos agarram pelas ideias e pelos sentidos, surpreendendo-nos. Nem tudo na vida nasceu para ser anestesiado pelo algodão etílico da homogeneização. Ainda caem folhas incómodas nas águas pasmadas do pântano simbólico. Por ironia, ou talvez não, cabe a um anúncio da Coca-Cola significá-lo com eloquência. “They make you feel different; it’s fantastic”. Acerca do tema da diferença na publicidade, recomendo o seguinte artigo de Fernando Peixoto: O Eu e o Outro no Culto da Performance. Caleidoscópio.

Marca: Coca-Cola. Título: Fantastic. Bélgica, Setembro 2014.

Bonecos de plástico

Coca-Cola. Hello Happiness

Acabo de ouvir sábios. E falta-me tempo para ouvir os filhos! Estou com uma pinga de mau humor. Quando era criança, brincava com bonecos de plástico que vinham nas embalagens de gelados. Dispunha-os assim, dispunha-os assado, dava-lhes pausa, movimento, sentido e sentimento, e construía, assim, histórias felizes. Por que me lembrei dos bonecos de plástico? Estou a ficar senil. Mas gosto de beber Coca-Cola, com limão. Consegui comentar uma coisa sem falar nela. Uma arte a apurar.

Marca: Coca-Cola. Título: Hello Happiness. Agência: Y&R, Dubai, Dubai, UAE. Direção: Dubai, Maio 2014.

Interacção em silêncio

coca-cola-light-belly-ring-small-48458Não é apenas a memória que conquista o espaço público. O simulacro de interacção também vai de vento em popa. Exibe-se e promove-se. As campanhas que se desdobram em várias iniciativas faseadas representam um bom exemplo. Este SLURP! é mais um anúncio de boas intenções, em que a Coca-Cola alerta contra os ruídos emitidos durante a projecção dos filmes. O modo, embora complicado, é particularmente eloquente. Quanto ao formato “apanhados”, veio para durar. Não deixa, enfim, de ser curioso que a cena escolhida como particularmente carente de silêncio diga respeito ao prelúdio de um acto sexual.

Marca: Coca-Cola. Título: SLURP. Agência: Saatchi & Saatchi, Copenhagen. Direcção: Christian Eagles Borg. Dinamarca, Março 2014.

Abraço da Alma

Coca cola. AbraçoA Coca-Cola borbulha emoções. Uma história bem contada faz vibrar o diapasão da sensibilidade. Juntando ídolos do futebol (filhos de um Deus maior), um deficiente fervoroso (filho de um Deus menor) mais o público (filho de um Deus banal), temos “um abraço da alma”.

Este anúncio, todo ele, assenta na memória. Houve quem se apressasse a carpir a erosão da memória com o advento do homem digital. Multiplicam-se, pelo contrário, os sinais do reforço da memória no domínio público.

Marca: Coca-Cola. Título: Abrazo. Agência: David. Direcção: Javier Usandivaras. Argentina, Março 2014.

Palas

social_media_addiction_socialmedia_cocacola_advertisement_socialmedia_guard_coke_ads_coke_youtubechannelPelos vistos, os novos media, sociais e globais, não permitem atender ao essencial. A lógica diria que quem vê ao longe também vê ao perto. Para a Coca-Cola, a verdade é outra: o essencial está perto, mas não o vemos. Recomendam-se palas! Obrigado, Ana!

Marca: Coca-Cola. Título: Social Media Guard. Agência: Memac Ogilvy Dubai. Emirados Árabes Unidos, Fevereiro 2014.

Destapar o sol!

Coca-Cola. CieloCom tanta nuvem taciturna, dava jeito destapar o sol. Quem se candidata a subir a uma escada tão alta como o défice para afastar as nuvens? E, já agora, com mais um ou dois degraus não daria para destapar o futuro? Coitado, parece uma ostra sem pérola! Em contrapartida, este anúncio é soalheiro e optimista, a condizer com a “fábrica da felicidade”.

Cliente: Coca-Cola. Título: Cielo. Agência: Young & Rubicam. Direção: Pucho Mentasti, Watta Fernandez. Argentina, 2009.

O Bom Samaritano na Comunicação Viscosa

Coca-Cola. Coming together.Recebi vários anúncios enviados por amigos. Começo pelo John, um amigo de longa data: “E esta? Uma companhia gigantesca como a Coca-Cola com um reclame a dizer que te faz mal, destrói-te os dentes, causa envelhecimento, e diminui saúde e atletismo no corpo humano.” O anúncio é, tanto quanto sei, falso e capaz de enganar muita gente (ver https://www.youtube.com/watch?v=bHhCP5ad-zM)
Segue um anúncio original da Coca-Cola. Por sinal, mais um exemplo da escalada, na publicidade, da auto-proclamação de responsabilidade social, do coro da consciencialização social e da reciclagem da figura do bom samaritano.

Marca: Coca-Cola Great Britain. Título: Coming Together. UK, 2013.