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O Chocolate e a Capuchinho Vermelho

Chocolat Lanvin, ca. 1950.

Chocolat Lanvin, ca. 1950. Dali participou num anúncio do chocolate Lanvin.

Nougat Croc by Cometi (1924).

Nougat Croc by Cometi (1924).

Na erótica da alimentação, o chocolate é talvez o alimento em que a gula e a luxúria mais se namoram. Voluptuosamente. Não é de admirar que o desodorizante Axe, a fragrância do arrebatamento libidinoso, associe um produto, Dark Temptation, ao chocolate: “Axe Dark Temptation as irresistible as chocolate”. O anúncio argentino “Hombre Chocolate” não deixa margem para dúvida. Transformado em homem chocolate após uma vaporização Axe, o protagonista é salvo pela duração do anúncio: um minuto. Mais alguns segundos e ficaria eunuco. É este apelo (sex-appeal) do chocolate que convoca, para além do Ambrósio, do anúncio da Ferrero Rocher, figuras tais como o lobo mau e a capuchinho vermelho. Qual é a razão? Bruno Bettelheim propõe uma resposta.

Marca: Axe. Título: Hombre Chocolate. Agência: Vega Olmos Ponce. Direção: Tom Kuntz. Argentina, 2007.

Reproduction of a Poster Advertising Menier Chocolate, 1893

Reproduction of a Poster Advertising Menier Chocolate, 1893 (?)

Print Chocolat Fondant Kolher. By John Onwy 1930

Print Chocolat Fondant Kolher. By John Onwy 1930

 

A sensualidade da máquina

Nestle the androidAo ver um filme, um vídeo musical, um videojogo ou um anúncio publicitário, ocorre-me, muitas vezes, perguntar: por que é que, no ecrã, as máquinas expressam melhor as sensações do que os seres humanos? Por que é que o efeito de sensualidade, o jogo dos sentidos, é nelas mais eficiente? Que estranha química é essa do nosso olhar? Esta campanha publicitária da Nestlé é inequivocamente subordinada a esse tema: “’Nestlé Grand Chocolat’ is back on TV in 2013 under the sign of ‘Sense Revolution’, with a communication strong in sensations…” (JWT Paris).

Marca: Nestlé. Título: The Android. Agência: JWT Paris. Direção: Chris Delaponte. França, Fevereiro 2013.

Para bem dos meus pecados

O que motiva a publicidade a convocar cada vez mais valores negativos? O egoísmo, por exemplo. Onde se enfiou a miragem do ser humano perfeito? A propósito do anúncio Monsi, a agência Leo Burnett Argentina explica: “Este comercial sigue con el posicionamiento que venía teniendo la marca. Creo que logramos dar un paso más y hacer una buena evolución de la campaña contando el egoísmo que producen las Tentaciones, sobre todo, si tienen chocolate Aguila”. Que o egoísmo está em alta, não falta quem o proclame há décadas. Que vende bem, também sobram os casos de sucesso. Que o egoísmo se apresente cada vez menos eufemizado e cada vez mais em bruto, eis uma tendência que merece atenção.