O Chocolate e a Capuchinho Vermelho
Chocolat Lanvin, ca. 1950. Dali participou num anúncio do chocolate Lanvin.
Na erótica da alimentação, o chocolate é talvez o alimento em que a gula e a luxúria mais se namoram. Voluptuosamente. Não é de admirar que o desodorizante Axe, a fragrância do arrebatamento libidinoso, associe um produto, Dark Temptation, ao chocolate: “Axe Dark Temptation as irresistible as chocolate”. O anúncio argentino “Hombre Chocolate” não deixa margem para dúvida. Transformado em homem chocolate após uma vaporização Axe, o protagonista é salvo pela duração do anúncio: um minuto. Mais alguns segundos e ficaria eunuco. É este apelo (sex-appeal) do chocolate que convoca, para além do Ambrósio, do anúncio da Ferrero Rocher, figuras tais como o lobo mau e a capuchinho vermelho. Qual é a razão? Bruno Bettelheim propõe uma resposta.
Marca: Axe. Título: Hombre Chocolate. Agência: Vega Olmos Ponce. Direção: Tom Kuntz. Argentina, 2007.
A sensualidade da máquina
Ao ver um filme, um vídeo musical, um videojogo ou um anúncio publicitário, ocorre-me, muitas vezes, perguntar: por que é que, no ecrã, as máquinas expressam melhor as sensações do que os seres humanos? Por que é que o efeito de sensualidade, o jogo dos sentidos, é nelas mais eficiente? Que estranha química é essa do nosso olhar? Esta campanha publicitária da Nestlé é inequivocamente subordinada a esse tema: “’Nestlé Grand Chocolat’ is back on TV in 2013 under the sign of ‘Sense Revolution’, with a communication strong in sensations…” (JWT Paris).
Marca: Nestlé. Título: The Android. Agência: JWT Paris. Direção: Chris Delaponte. França, Fevereiro 2013.
Para bem dos meus pecados
O que motiva a publicidade a convocar cada vez mais valores negativos? O egoísmo, por exemplo. Onde se enfiou a miragem do ser humano perfeito? A propósito do anúncio Monsi, a agência Leo Burnett Argentina explica: “Este comercial sigue con el posicionamiento que venía teniendo la marca. Creo que logramos dar un paso más y hacer una buena evolución de la campaña contando el egoísmo que producen las Tentaciones, sobre todo, si tienen chocolate Aguila”. Que o egoísmo está em alta, não falta quem o proclame há décadas. Que vende bem, também sobram os casos de sucesso. Que o egoísmo se apresente cada vez menos eufemizado e cada vez mais em bruto, eis uma tendência que merece atenção.




