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Vulnerabilidade informática e inteligência artificial

Message in a bottle. Cartoonist – Pete Dredge. Via Cartoonstock

Comecei o dia sem acesso a uma conta do correio eletrónio. A meio da tarde, o problema continuava. Preocupei-me porque a receção dos e-mails tem consequências práticas. Para me inteirar da situação, recorri ao parceiro mais à mão, o ChatGPT, cujas respostas merecem, naturalmente, reservas, mas nem mais nem menos do que as dos humanos com que me relaciono.

Perguntei: “Aconteceu algum problema hoje ao Outlook?”

“Sim – hoje (10 de julho de 2025) o Outlook enfrentou uma falha global que afetou milhões de utilizadores. Houve dificuldades generalizadas para iniciar sessão e enviar ou receber mensagens, tanto no Outlook.com como nas apps desktop e móveis.
O que sabemos:

  • Os problemas começaram nas primeiras horas da manhã (UTC) ou final da noite de 9 de julho;
  • Aproximadamente 60‑62 % dos relatos indicavam falhas de login; os restantes referiam lentidão e erros de licença ou autenticação;
  • A Microsoft confirmou que o problema não foi causado por ciberataque, mas sim por falha técnica — possivelmente relacionada com atualizações ou bibliotecas internas — e está a aplicar correções;
  • À medida que o dia avançou, muitas regiões começaram a ver retorno dos serviços, com os sistemas a estabilizarem gradualmente.” (ChatGPT, 10.07.2025).

Aguardei, mais sossegado, cerca de uma hora até o correio eletrónico voltar a funcionar.

Entretanto, pensei nos Kraftwerk. Tudo me lembra alguma coisa, mesmo que não tenha nada a ver. Seguem três músicas dos Kraftwerk ainda não contempladas no Tendências do Imaginário.

Kraftwerk – Radioactivity. Radio-Aktivität, 1975. Ao vivo
Kraftwerk – Hall of Mirrors. Trans-Europa Express, 1977
Kraftwerk – Neon Lights. Die Mensch-Maschine, 1978

Amigos imaginários

Promovida em jeito de anúncio de Natal, The Boy & The Octopus é uma curta-metragem “mais-que-perfeita” da Disney. Caprichada, carinhosa e criativa quanto baste, inspira-se noutras figuras infantis “mais-que-célebres”. A amizade, imaginária ou não, costuma ser boa companhia. Amigos imaginários, quem os não teve?

O que é um amigo imaginário?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
“Um amigo imaginário é uma figura criada pela imaginação de uma pessoa, geralmente uma criança, que interage com ela como se fosse uma entidade real. Esse “amigo” pode ter uma forma específica (humana, animal, ou até algo completamente fantástico) e desempenhar um papel importante no mundo interno e nas brincadeiras da criança.
Características de um amigo imaginário:

  1. Criação subjetiva: Ele existe apenas na mente de quem o cria [Mas pode ser percebido como real].
  2. Companheirismo: Muitas vezes, o amigo imaginário serve como um confidente ou parceiro para aventuras imaginativas.
  3. Flexibilidade: Ele pode mudar de personalidade, aparência ou função de acordo com as necessidades e criatividade da criança.
  4. Função emocional: Oferece conforto, ajuda a lidar com sentimentos ou situações difíceis, como solidão, medo ou mudanças.
    Por que as crianças criam amigos imaginários?
    Desenvolvimento da criatividade: É uma manifestação natural da imaginação e da habilidade de criar histórias.
    Exploração social: Permite que a criança pratique interações sociais e explore conceitos como amizade e resolução de conflitos.
    Autonomia emocional: O amigo imaginário pode ajudar a criança a processar emoções e desenvolver uma compreensão do mundo ao seu redor.
    O amigo imaginário é algo normal?
    Sim, é absolutamente normal, especialmente em crianças entre os 2 e 7 anos. Não é sinal de problemas psicológicos; pelo contrário, pode indicar uma mente criativa e saudável. Em alguns casos, até adultos podem ter figuras imaginárias para refletir ou lidar com situações emocionais.
    Esses amigos costumam desaparecer com o tempo, geralmente quando a criança cresce e começa a investir mais nas relações reais” (ChatGPT, 19.11.2024).
Marca: Disney UK. Título: The Boy & The Octopus. Agência: adam&eveDDB. Produção: Hungry Man. Direção: Taika Waititi. UK, 12.11.2024

Como de costume

Herman Brood. Arena. 1985

Uma vez é um erro; duas vezes é um mau costume (Provérbio do Quebec).

A Almerinda Van Der Giezen teve a generosidade de me enviar a versão de My Way interpretada por Herman Brood, canção que nos habituámos a associar a Frank Sinatra. Herman Brood, ator e poeta, mas sobretudo músico e pintor, com um percurso singular, multifacetado e controverso, tornou-se uma figura emblemática da Holanda, bastante consolidada após o seu suicídio em 2001, com 54 anos. My Way é uma das suas interpretações mais bem-sucedidas.

Herman Brood, , His Wild Romance – My Way. Cover. My Way – The Hits, 2001

O que poucos conhecerão, creio, é que a canção original que está na base de My Way é francesa: Comme D’Habitude, de Claude François, estreada em 1967 e contemplada na abertura dos jogos olímpicos de Paris. Creio, também, que poucos conhecem porque poucos o assumem. Acontece algo semelhante com a canção Autumn Leaves, cujo original, Les Feuilles Mortes, também é francês, com música de Joseph Kosma e letra de Jacques Prévert.

Claude François – Comme D’Habitude. Single, 1967

Em ambos os casos, a Inteligência Artificial não se engana:

A canção “My Way”, imortalizada por Frank Sinatra, é uma adaptação da música francesa “Comme d’habitude”, composta em 1967 por Claude François e Jacques Revaux, com letra de François e Gilles Thibaut. A versão original conta a história de um casal cuja rotina diária se torna monótona e sem paixão.
Paul Anka, cantor e compositor canadense, adquiriu os direitos da música em francês e escreveu uma nova letra em inglês, transformando-a em “My Way”. A nova versão foi feita sob medida para Frank Sinatra e se tornou uma das músicas mais emblemáticas da sua carreira. Apesar de ter mantido a melodia da versão original, a letra em inglês é completamente diferente e fala sobre uma reflexão de vida e realizações pessoais (ChatGPT, 05.11.2024).

A canção “Autumn Leaves” é originalmente francesa. Ela foi composta por Joseph Kosma, com a letra original em francês escrita pelo poeta Jacques Prévert. A canção se chamava “Les Feuilles Mortes” e foi lançada em 1945. Tornou-se popular através de performances de cantores franceses como Yves Montand.
Mais tarde, a canção foi traduzida para o inglês por Johnny Mercer e recebeu o título “Autumn Leaves”. A versão em inglês ganhou popularidade em todo o mundo e foi interpretada por diversos artistas famosos, incluindo Nat King Cole, Frank Sinatra e Édith Piaf. A melodia melancólica e as letras poéticas em ambas as línguas tornaram “Autumn Leaves” um clássico atemporal no repertório de jazz e música popular (ChatGPT, 05.11.2024).

Um AI chatbot mais especializado e mais leve: o ELM (Erasmus Language Model)

O meu rapaz mais velho, o João, não para (ver Português coordena projeto de investigação com financiamento de 10 milhões de euros). Estou em crer que por isso e para isso optou por emigrar. Professor e investigador na Universidade Erasmus de Roterdão, está na origem da criação, com Michele Murgia, de um novo “ChatGPT” mais especializado e mais leve: o ELM (Erasmus Language Model). Por cá, talvez o fado fosse diferente. Para aceder à notícia no Erasmus Magazine, carregar na seguinte imagem ou no neste link: https://www.erasmusmagazine.nl/en/2023/10/11/erasmus-has-its-own-chatgpt/.

João Gonçalves talks about ELM during its launch in the Erasmus Paviljoen.