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A pedreira das luzes
Em Baux de Provence, em França, uma pedreira de calcário branco foi transformada num espaço museológico imersivo que acolhe exposições de obras de arte: a Carrière de Lumières. Com técnicas avançadas de projecção, as paredes, num total de 4 000 m2, animam-se com imagens gigantescas, algumas em movimento. Pela Carrières de Lumières, já passaram Paul Cézanne, em 2006, Vincent Van Gogh, em 2008, Pablo Picasso, 2009… Uma exposição com Hieronymus Bosch, Pieter Bruegel e Giuseppe Arcimboldo está patente até 07 de Janeiro de 2018. Um ramalhete fantástico, acompanhado pela música de Vivaldi e dos Led Zeppelin. Um espectáculo empolgante. “Os franceses não têm petróleo, mas têm ideias”. Obrigado, Adélia!
Bosch, Bruegel e Arcimboldo. Carrières de Lumières. 2017
Morte com bebé ao colo
Quando a causa é boa, qualquer momento se presta. Sensibilizado pela comissão multidisciplinar para a natalidade, contribuo, sem saber como, com o seguinte apontamento.
No Tríptico As Tentações de Santo Antão, Hieronymus Bosch introduz a figura de uma velha, montada num rato. A velha é um ser híbrido: na cabeça cresce uma árvore e os braços são ramos; a parte inferior do corpo lembra a cauda de um insecto. A velha segura nos braços que são ramos um bebé enfaixado. Naquele tempo, era prática enfaixar os recém-nascidos. Assim é retratado, frequentemente, o menino Jesus no presépio (Figs 2 e 3). Somos confrontados com uma velha na antecâmara da morte que segura, encostado ao ventre, um recém-nascido. Extrapolando, reconhece-se o tópico da morte que dá à luz a vida, tópico amplamente estudado por Mikhaïl Bakhtin. Esta figura convoca ainda, através do hibridismo da velha, os três reinos da vida: o humano, o animal e o vegetal. O enquadramento é cósmico.
Esta dobra que aproxima os contrários, neste caso a vida e a morte, é um procedimento típico do grotesco, que o barroco não enjeita. Perpassa o tempo. Reencontramos, por exemplo, uma figura semelhante na pintura de James Ensor. No quadro A morte e as máscaras, o único esqueleto presente segura ao colo um recém-nascido (Fig 4).
Não se pense que este tópico da morte que sustenta a vida, a um passo de uma morte prenhe, é uma esquisitice imemorial, bizarria da Antiguidade, da Idade Média ou dos construtores de projectos, em suma, dos pré-pós-modernos. A morte com vida insinua-se nos nichos de todas as sociedades, incluindo a nossa. Por exemplo, na moda das tatuagens ilustrada pelos motivos criados por Mason Williams (Fig 5). O grotesco e o barroco, cada um à sua maneira, pegam no líquido, vertem-no no vazio, agitam-no na centrifugadora e servem a mistela, com ou sem pós-humanos, em shots hipermodernos nas orgias inclusivas. Vai um shot de ideias?
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