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Azul desbotado

Je lui dirai les mots bleus
Les mots qu’on dit avec les yeux
Parler me semble ridicule
Je m’élance et puis je recule
Devant une phrase inutile
Briserait l’instant fragile
D’une rencontre
D’une rencontre

Je lui dirai les mots bleus
Tous ceux qui rendent les gens heureux
Je l’appellerai sans la nommer
Je suis peut-être démodé
Le vent d’hiver souffle en avril
J’aime le silence immobile
D’une rencontre
D’une rencontre

Que faço nesta paróquia urbana quando me aguardam duas aldeias cosmopolitas? Crescer e acelerar não basta. Convém voar. O avestruz é a maior das aves e a mais rápida em terra, mas não voa. Só em sonhos.

Marca: Samsung. Título: Ostrich. Agência: Leo Burnett Chicago. Direcção: Matthijis Van Heijningen. USA, Março 2017.
Julien Doré – Les mots bleus (cover de Christophe, 1974). Acoustic, 06.09.2014
Isabelle Mayereau – Orange bleue. Isabelle Mayereau, 1977
Space – Blue Tears. Just Blue, 1978

Âmbar que te quero âmbar

“É doença natural no homem acreditar que possui a verdade” (Blaise Pascal).

Âmbar com aranha

Âmbar com aranha

Mais um anúncio a um automóvel. Excelente. Confino-me ao uso da cor. Uma tonalidade ambarina, a que se acrescenta, a meio do anúncio, o azul celeste. Estas tonalidades são deliberadas. Panorâmicas, massajam os sentidos. O âmbar é associado à conservação. Os vestígios de vida mais antigos foram descobertos envoltos em âmbar. O âmbar tem propriedades magnéticas: friccionado, atrai os outros corpos. A palavra eletricidade decorre da palavra âmbar em grego: electron. Existem amuletos com âmbar que funcionam simbolicamente como acumuladores de energias: os excessos transitam dos donos para os amuletos. Os eslavos acreditavam que os deuses choravam lágrimas de âmbar. Os heróis e os santos eram contemplados com rostos ambarinos, reflexos do céu. “O âmbar representa o fio psíquico que liga a energia individual à energia cósmica, a alma individual à alma universal” (Chevalier, Jean & Gheerbrant, Alain, Dictionnaire de Symboles, Paris, Robert Laffont, 1982, p. 29). E o azul celeste? Azul celeste sobre âmbar? Fica para outra lua.

Pecador, me confesso! Não faço ciência bem temperada. Perante um anúncio tão rico, detenho-me em pormenores laterais, tais como a tonalidade das imagens! A quem interessa? A ciência e o saber certificados alcançam-se mediante uma ascese ajustada ao objecto: inicia com uma ideia, a explicitar e enquadrar; traduz-se a ideia em questões, as questões em problemas e os problemas em hipóteses. As hipóteses convocam conceitos, que convém, por seu turno, operacionalizar, atendendo à abrangência, às dimensões, aos indicadores e aos índices. Segue-se o modelo de análise, configurador e preditor da investigação. Se não foi feito, importa peregrinar os faróis teóricos e delinear a metodologia. E por aí adiante… Assim se faz ciência rumo à Meca da sabedoria consensual, e respectivas métricas. Pecador, abordo o que me apetece como me apetece, almejando a felicidade pascaliana (“Felicidade: fazer o que se quer e querer o que se faz”). Não tenho cura! Valham-me Pascal, Simmel, Weber, Feyerabend, Morin e Santa Madalena! Nos meus artigos não há ciência, serpenteiam, apenas, conhecimentos vadios! Até nesta errância, me afasto da salvação. É certo que há textos científicos em que não consigo descobrir absolutamente nada. Ao quase tudo do saber domesticado, prefiro o quase nada da sabedoria pessoal. Enrolada no colo, a gata ronrona que a ignorância é infinita e a mercadoria científica pouco mais que embalagem.

Marca: Acura. Título: Bottle. Agência: Mullen. Direcção: Johnny Green. USA, Janeiro 2015.

Azul e vermelho

takis-windshield-wipeAzul e vermelho, água e fogo, fogo por dentro, fogo por fora, o que é? Pelo sim, pelo não, não deite água insalubre no automóvel. Pode ter calores que requeiram resfriamento urgente. Em suma, um bom anúncio cómico e disparatado.

Marca: Takis. Título: Windshield Wiper. Agência: Publicis Dallas. Direção: Nicolas Lyer. USA, Novembro 2013.

Nina Simone. Beautiful land.

Azul e Preto

Adidas. It’s Blue, What else mattersHá bons anúncios com fluídos em câmara lenta. Mas este, do Chelsea, não desmerece, sobretudo, pelo apuramento estético. Azul é agora a cor do José Mourinho; preto é a cor dos cabelos do verdadeiro amor da canção de Nina Simone.


Marca: Adidas. Título: It’s Blue, What else matters? Agência: TheCorner, London. Reino Unido, Julho 2013.


Nina Simone. Black is the color of my true love’s hair.